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Ressaca das Eleições Brasileiras

Enquanto português, e, por isso mesmo, com olho externo sobre o Brasil, penso que as causas sobre a ascensão de Bolsonaro são as seguintes:

1. Problema estrutural de educação.
Têm uma taxa de analfabetismo que julgo rondar os 7,2% segundo as últimas notícias que li sobre o assunto. Depois, e perdoem-me os brasileiros, a qualidade do ensino é péssima. Qualquer tipo que tenha frequentado uma escola portuguesa (cujo ensino público não é assim tão bom…) chega ao Brasil e se destaca (mesmo o aluno com mais dificuldades). Mais, e apenas a título de exemplo, encontrar um brasileiro que saiba falar inglês é uma raridade e a História de Portugal (que tem a sua influência, para o bem e para o mal, na História do Brasil) é algo bastante brumoso para a maioria do povo brasileiro.

2. A Presidenta Dilma
Mais preocupada em ser chamada de Presidenta do que noutro assunto qualquer (uma tremenda parvoíce, sendo que presidente é já só por si um étimo sem género e não há nenhum “presidentO” na língua portuguesa…) , a dona Dilma foi eleita pelo povo brasileiro, mas nunca percebeu que já não se encontrava ao serviço de Lula da Silva e nunca percebeu que a figura do Presidente do Brasil nunca poderia, em momento algum, pôr-se a tentar proteger um cidadão investigado por crimes de corrupção. Percebendo de antemão alguma frustração por algum abuso das entidades judiciárias, tentar fazer regressar Lula ao governo foi, mais que um erro crasso, um atentado à transparência política e um convite claro ao impeachment que sofreu.

3. Lula da Silva
Talvez por teimosia ou talvez por falta de melhor aconselhamento, Lula da Silva arrastou o PT para a fossa, não percebendo a importância do seu partido para a estabilidade política do Brasil. Mais, a falta de sentido de estado foi tão grande que em vez de se afastar da sua afilhada Dilma, do PT e do governo, ainda tentou voltar a concorrer às eleições, fraturando assim tanto o eleitorado como dando a entender que no PT não havia ninguém capaz para lutar por ser presidente.

4. Partido dos Trabalhadores
Não, nem todas as pessoas que votam em Bolsonaro são fascistas ou misóginas; pois algumas delas votaram em Lula e em Dilma. O PT, e suas bases, pagam agora por não terem criado um aparelho profissional, competentes e desgarrado de personalidades. A idolatria incondicional que prestaram a Lula, querendo colocar em causa o próprio aparelho judiciário, foi mergulhar na merda e continuara chafurdar nela. Mais, qual era o programa de governo de Hadad? Os projectos? As ideias? Resposta inacreditável: indulto a Lula. Mesmo sabendo que eles acreditam plenamente na inocência de Lula, o que pensa o resto do mundo? Apenas uma coisa: a corrupção é sistémica.

5. Direita Brasileira
A Oposição está sempre à procura de poder, dê por onde der, e conforme os métodos que estiverem à sua disposição. Socorrendo-se dos valores conservadores de Moro e restante companhia judiciária, fizeram um aproveitamento político e, passe a redundância, baixo. Claro que não contavam com a ascensão de Bolsonaro, mas talvez lhes sirva de lição.

6. Aparelho Judiciário
Não colocando de parte a hipótese de Lula ter sido efectivamente corrompido, o que está em causa é a entrega de uma casa (e outros valores) a Lula como contrapartida deste, enquanto esteve no poder, os favorecer ilicitamente. Contudo, ressoa (nunca consultei o processo) a inexistência de provas…
Mais, se fosse em Portugal que Moro (sabe-se agora apoiante de Bolsonaro) aparecesse durante uma campanha política revelando documentos em segredo de justiça via-se logo a contas com um processo disciplinar. No Brasil aplaudem o seu “heroísmo”…

7. Comunicação Social
Não é por a comunicação social se ter tornado um negócio que os deveres de prestação de informação isenta e precisa, bem como os deveres de prestar programação de qualidade (e não apenas futebol e big brothers e companhia…), se devem descurar. A título de exemplo, qualquer jurista português se assusta com aqueles programas brasileiros em que o jornalista entrevista um tipo detido e algemado e lhe pergunta “Porque você matou a sua mãe?”. Esse tipo de programas é um atropelo aos direitos fundamentais de qualquer cidadão, mesmo dos cidadãos mais torpes e, no entanto, é um tipo de programas que continua a existir. Desculpem-me os consumidores desses programas, mas esse tipo de programação emburrece as pessoas e torna-as mesquinhas e de visão curta.

8. Insegurança
O medo destrói regimes e a promessa de segurança ganha votos. É tão simples como isso. O Brasil teve mais assassinatos este ano num ano do que a União Europeia e os Estados Unidos da América juntos. Porque diabos o PT e os outros não tomaram nenhuma medida contra esta insegurança? Por amor de Deus, não custa a perceber isso, era só ver a Tropa de Elite (1 e 2)!

9. Igreja e bispos e padres de merda
“A César o que é de César, à Igreja o que é da Igreja.” Disse Jesus Cristo.
Contudo, os bispos e parolos religiosos querem mais que o Reino de Deus! Querem poder! E, por isso, toca de aproveitar a necessidade de orientação espiritual das “ovelhas” e apoiar Bolsonaro…

10. Povo
Por fim, ao contrário do que alguma comunicação social parece querer fazer crer, havia escolhas políticas para todos os gostos. Não existiam apenas PT (nem nomeio o boneco que concorreu por este partido) e Bolsnaro. Havia mais! Muito mais! Havia conservadores, liberais, socialistas, comunistas, centro-esquerda, centro-direita…. uma lista sem fim! Mas as pessoas preferiram um cowboy que respira fascismo por tudo quanto é poro. Logo, não adianta muito queixar-se quando começar a existir tiro por todo o lado e prisões sem ordens judiciais!

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Advogado do Diabo

Eu queria não ser aquele tipo que se preocupa em enviar emails a jornalistas, dando conta, de forma objectiva, que detectei imprecisões claras no texto deles.

Eu queria não ser aquele tipo a quem devolvem uma gentileza com acusações de iliteracia e que eu não percebo nada daquilo que leio.

Eu queria não ser aquele tipo cuja opinião sobre jornalistas é exatamente a mesma que tenho pelos políticos e por todos os outros que adoram ser preguiçosos ao mesmo tempo que proactivam a sua qualidade de papagaios.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que:

  1. Os jornalistas imprecisos vão permitir
  2. Que os corruptos políticos tomem o poder
  3. Aos injustos procuradores justiceiros,
  4. Aos relaxados e soberanos juízes que actuam como funcionários públicos
  5. E ao inerte povo sem ideias.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que ninguém respeita advogados; já que terei que ser eu, advogado, a escrever pelas vitimas, a alegar pelos inocentes, a clamar por justiça, a lutar contra a injustiça, a ir preso por ser um cidadão exemplar e a ser saneado publicamente de modo a recordar às pessoas o que é o Estado de Direito Democrático.


Arte enquanto instrumento de evolução…

Quando um olhar da geração de 90 vê um vídeo de Elvis Presley  a primeira coisa que faz é sorrir e perguntar “Porque é (atenção ao presente) o Elvis tão importante?” A resposta é bastante simples: porque eles vieram mudar um pouquinho as coisas.

Elvis começou por abanar as ancas, um movimento carregado de obscenidade para a sociedade em que ele cresceu (as televisões só o filmavam dos ombros para cima…). Portanto, antes de Elvis ninguém abanava as ancas. Depois vieram os The Beatles, e aqui já não era só uma vedeta a abanar as ancas mas sim quatro vedetas carregadas com um estilo mais urbano. Em seguida, Jackson 5: um grupo de afroamericanos abanando as ancas e dando à luz o moonwalk de Michael Jacskon, que viria a tornar-se o centro do mundo nos anos oitenta à medida que outras bandas surgiam com o jacobino slogan “Sex, Drugs and Rock n’ Roll”…

E assim por diante até aos dias de hoje… a grande qualidade da arte popular é ter a capacidade de alterar mentalidades aos poucos. Logo, não é de admirar que os estados totalitários tentem controlar os seus artistas. Os artistas (escritores, pintores, músicos, actores…) são talvez os maiores responsáveis pelos ventos de mudança de uma sociedade.

Claro que depois há aqueles artistas inócuos ou apologistas da violência, mas esses nem sequer aqui merecem ser recordados pelo nome.

O que merece ser destacado é a arte e o seu importante papel na mudança de mentalidades.

Fica abaixo uma sugestão para hoje:

 


Falando a sério da Pornografia

Sim, eu sei que é difícil falar dum tema como a pornografia sem que de repente surja uma daquelas piadas com três bolinhas vermelhas. E também sei que é difícil defender o porno sem parecer um canholeiro profissional…

Tentando pôr de parte estas bananalidades, vamos lá falar a sério:

Primeiro, importa distinguir a pornografia da nobre ferramenta do erotismo; ou seja, o conjunto de técnicas artísticas que indiciando actos de cariz sexual (sem mostrar ou mostrando muito pouco…) visam provocar um fascínio (uma emoção) ao seu público.

Este erotismo visa seduzir o espectador com metáforas e outros aforismos que glorificam actos como os esforços de sedução, a dança, o primeiro beijo, as roupas a caírem no chão e, já na linha vermelha, alguns preliminares ensombrados antes da cena se interromper e deixar à imaginação do público o que vem a seguir.

Já a pornografia, como qualquer miúdo na puberdade sabe, não indicia nada; mostra tudo, revela tudo, expõe tudo…

Aqui não se glorifica a subtileza nem se apela à imaginação do espectador. Põe-se tudo a nú, vulgariza-se tudo (especialmente a puta e o preto…) e não há minudências que se escondam do público. Mostra-se todo o acoitar entre dois seres (ou mais…): a mulher escancarada em 4K e o homem a penetrar em FullHD até uma ejaculação bombástica suceder em 3D… (Lá estão as piadas.)

Posto isto, porque me dei ao trabalho de escrever sobre a importância da pornografia? Porque me dei ao trabalho de defender algo que, por via das normas, é sujo, vulgar e brutal? Porque me dei ao trabalho de defender algo que por vezes até explora gostos criminosos como a pedofilia ou incita aos abusos sexuais?

Simplesmente pelo papel da pornografia na quebra de tabus.

Hoje, quase todos sabemos bem mais sobre sexo do que os nossos pais. Porquê? Sinceramente, não é pelos folhetos do centro de saúde, não é pelas conversas cheias de medo dos pais e muito menos pelas afamadas aulas de educação sexual (incluindo as catequeses ridículas de algumas religiões mais conhecidas…).

Hoje, a nossa cambada sabe bem mais do que os nossos pais sobre sexo devido ao bombardeamento de conteúdos porno e os efeitos colaterais que daí advêm.

Efeitos colaterais que passo a enumerar:

– Dessacralização do sexo;

– Percepção que o desejo sexual e o sexo é uma pulsão comum a todos os seres humanos;

– Abertura… mental para a discussão sobre  pornografia e, em consequência, para a discussão sobre sexo;

– Partilha de gostos e de novas experiências;

– Saúde mental e física, sobretudo através de alertas para a necessidade de sexo seguro (Fazer sexo na ponta duma grua fica mais seguro se usarmos preservativo!);

– Exploração da criatividade na cama (ou noutro lugar);

– Empoderamento pessoal através do conforto com o descaramento (que pode ser uma forma de coragem…);

E muitos mais que cada um saberá…

Portanto, da próxima vez que alguém vos disser que são uns tarados por defenderem a pornografia, vocês só têm que dizer que a pornografia é algo bastante liberal e totalmente democrático. Para quem esteja interessado, existe para todos os géneros, para todas as raças e para todos os gostos… mesmo para aqueles tipos e tipas que gostam de coisas verdadeiramente estranhas!

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Priapus

 


Letras Pequenas

Há dias em que temos menos paciência do que outros, é um facto. Hoje tenho ainda menos paciência do que nesses mesmos dias, mais um facto. Estou lixado, lascado e fudido com certas pessoas do mundo.

É triste quando certos trastes que fazem mal a um grupo gigante de pessoas, muito competentes em incompetentar os outros e ainda mais competentes em gerar ódio, alcançam determinados cargos que lhes proporcionam visibilidade e facilitam ainda mais o seu trabalho de publicitar a raiva, o nojo e o ódio.

Uma dessas “pessoas” tem por nome nuno saraiva (as minúsculas, como devem reparar, são propositadas) e é “director de comunicações” do Sporting Clube de Portugal.

Entre outros casos infelizes desta personagem seguida por um vasto bando de ignorantes, vejamos o caso de hoje:

Após o Sport Lisboa e Benfica convidar o rival Sporting Clube de Portugal para homenagear os jogadores portugueses, campeões europeus de futsal com todo o mérito, levou com esta resposta do “director de comunicações”:

“O Sport Lisboa e benfica fez um convite ao Sporting Clube de Portugal para, no dérbi de futsal do próximo sábado, homenagear os campeões europeus da modalidade, entre eles, 4 atletas do Sporting Clube de Portugal.
Por considerarmos que este é um gesto de total hipocrisia, o Sporting Clube de Portugal recusa participar em qualquer acção conjunta com um clube que não partilha as regras e valores pelas quais nos regemos, designadamente, a promoção da verdade desportiva, a transparência e a dignificação e credibilização do desporto português.”

O que há para dizer deste traste quando começa o seu post por escrever o “Sport Lisboa e benfica” (com letra pequena…). Podemos dizer que é uma daquelas habituais faltas de respeito de taberneiros que passam a vida nos cafés a ler pasquins e jornais da bola ou podemos dizer que ele simplesmente merece uma resposta à altura:

nuno saraiva,

Tu sabes que não passas dum anão barrigudo e, por isso, é que é tão fácil para ti desceres tão baixo!

Resposta dada ao anão barrigudo, passemos ao que verdadeiramente me chateia:

A democracia, quando exercida em maioria por um povo ignorante e sem valores, torna a restante minoria honrada e esclarecida numa vítima perfeita de ditadores eleitos.

É um FACTO! e é um FACTO! que me chateia, que me irrita e que me revolta!

Até quando temos que levar com personalidades como Trump? Como Bruno Carvalho e nuno saraiva? Como Cavaco Silva? Como Maduro? Como Lula da Silva e como Dilma Roussef? Ou com tantos outros idiotas que são eleitos para cargos de associaçãos privadas ou para cargos públicos pelos nossos vizinhos idólatras e populistas?

Resposta:

Até que se tome consciência que é preciso ler bons livros! Até que se tome consciência social que, lá por dar audiência, não se pode passar todo o tipo de programas televisivos! Até perceber que a cultura exige respeito! Até se perceber que é no respeito pela nossa pessoa e pelo respeito pelos outros que se encontra a pedra angular de qualquer sociedade! Não é no ódio dos minorcas…


As palavras demasiado fortes

Alguém que escreva regularmente sabe dar-se conta do poder das palavras. A título de exemplo, requerer e solicitar são palavras diferentes de pedir. Senão vejamos: requer-se o pagamento de algo, solicita-se um documento nas finanças e pede-se um favor a alguém.

Nessa senda, é diferente ter desejos pelo pipi, pela vagina e pela cona de uma mulher. No primeiro caso, podemos estar perante a demência da pedofilia, prevista e punida pelo nosso Código Penal Português; no segundo ansiamos formalmente pela rápida abertura de um par pernas despido; e, por fim, ao desejarmos uma cona significa que estamos sedentos de penetrar algum orifício putanesco que só serve mesmo para esse efeito.

Ora, observando o politicamente correcto em vigor, temos hoje liberdade para tudo; especialmente para utilizar sem medos a palavra cona e suas derivações como conaça (quando é mesmo boa) ou coninha (quando é mesmo apertadinha). Temos até a liberdade canibal para dizer “quero comer uma cona!”.

Ora, a verdade é que, para além de se utilizarem livremente palavras horríveis nos dias de hoje, estas palavras banalizaram também sentimentos de despreendimento e descarinho pela mulher, alguém que também tem sentimentos (pelo menos algumas…) e que também sente como nós, homens (desde prazer à dor, passando pelo orgulho até à humilhação).

Por isso, e chegando finalmente ao desenlace desta ideia, pensemos um pouco se as mulheres, qualquer delas, que nascem, caminham e morrem ao nosso lado neste passeio pela vida merecem ouvir faltas de educação constantes relativos à sua genitália.

Acho que não.

Existem sempre palavras mais bonitas para usar e, para os mais criativos, inventem novas palavras.

Claro que não faltarão criaturas que adorem ouvir uns bons palavrões quando as hormonas pululam na cama e que pedem, requerem e solicitam palavras feias quanto à sua mariazinha. Qual o mal de asneiras e de as utilizar aí? Nenhum, desde que o façam sem desrespeitar a pessoa que está com vocês.

Não sejam toscos nem brutos.

Respeitem!


Um Homem: Klaus Klump

Um Homem: Klaus Klump

de Gonçalo M. Tavares

 

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Sou um adepto confesso de Gonçalo M. Tavares (GMT) e há muito que sigo o seu trabalho. Após Aprender a Rezar na Era da Técnica e Jerusalém fiquei entusiasmado, mas Uma Viagem à Índia teve o condão de me refrear o entusiasmo e afastar-me durante algum tempo deste autor. Contudo, voltei a’O Reino de GMT e logo com Um Homem: Klaus Klump.

 

O livro, sobre as inúmeras transformações do espírito humano durante a guerra, está bastante forte em termos de imagética emocional, relevando-se as pouquíssimas palavras que o Autor utiliza para criar esse mesmo tempo e espaço emocionais. GMT é daqueles que mostra e expõe os mundos que cria mais com o que as pessoas sentem do que aquilo que os seus olhos observam. Não interessa qual a guerra, onde fica a cidade tomada pela guerra e muito menos interessam aqui cenas de acção ou explosões discritivas. Esqueçam o sangue, as tripas e os miolos no chão. O étimo guerra, para GMT, é substantivo, verbo, adjectivo e advérbio; é, mais que um conceito, uma universalidade de horrores intrínsecos. É claro que o “cavalo morto e abandonado durante dias no meio da estrada” ou “a baba a escorrer na nuca” continuam a ser sensorializações bastante elucidativas no desenrolar do enredo, mas por norma, O Reino de GMT está pintando com cheiros obscuros e matizes bélicas.

Quanto a personagens: Klaus Klump, o protagonista, é uma merda de homem que se transforma em algo hediondo depois de sobreviver à guerra. É certo que há alguns momentos em que temos verdadeiramente pena dele e outros que torcemos para que consiga os seus intentos vingativos, contudo é uma personagem fadada ao oblívio (tal como os horrores da guerra também estão fadados ao oblívio por uma questão simples: as pessoas que por ela passam não a querem recordar e aqueles que por ela não passam não a podem nunca perceber na sua plenitude). Todas as demais personagens, quase personagens-tipo: a vítima violada e ensandecida, o soldado violador, o patrão da prisão, o general assassinado, a prostituta traiçoeira que sobe na vida durante a guerra e até o rebelde consciente que não mais conseguirá tocar música estão igualmente e isoladamente fadadas ao oblívio; tal como a guerra se vai também elas se vão…

Felizmente, a reunião conjunta de todos os pontos de vista destes personagens ajuda a fazer desta obra um bom livro, algo negro e desesperançado em termos de tom narrativo, mas aquilo que mais próximo se assemelha a uma grande obra de guerra filosófica. É uma leitura obrigatória para os apreciadores dos cadernos de GMT.