Monthly Archives: Fevereiro 2016

Está Provado!!!

 

As estrelas são mais pequenas que a Lua! Está provado! Olha-se para cima à noite e é claro, clarinho. Está provado e nada mais errado.

O Pseudo-Conhecimento assenta muitas vezes nesta frase.

O Sol gira à volta da Terra, está provado! Olhem para o céu! Gira à nossa volta. Ai de quem diga o contrário, sob pena de ser enforcado (Requiescat In Pace Galileu)…

Vamos lá ver o que está provado então nos mesmos termos:

“Os Liberais e os Neo Liberais, como o nome indica, são liberais.” O Liberalismo de Adam Smith funda-se na defesa de Mercado Livre e do adágio Mais Mercado, Menos Estado. Portanto, ser liberal não é sinónimo de defensor de liberdades nem nada… é apenas um nome bonito que se deu a uma tese que não quer Estado em nada.

“A Austeridade, que se entende por altas cargas fiscais sobre a populaça, é o único caminho para sair de uma crise económica.”  Longo caminho aquele que dura uma década e não produz minimamente efeitos.

“Os Árabes são todos Terroristas!” Nunca estereotipar ajuda e muito a ser feliz com os nossos vizinhos. Entre a minoria, talvez cada vez maior, mas ainda minoria, existem serem desprezíveis e condicionados apenas a executar comandos de terror. E o terror é apenas uma ferramenta de destruição, nada mais. Só o respeito e o amor criam algo.

“Os Árabes são todos bons!” Atenção, é preciso discernir o que ensina o Alcorão e a Bíblia. Os ensinamentos são diferentes, os pontos de vista são diferentes, existe muita coisa que nos diferencia. É preciso respeitar a génese das massas islâmicas mas fazer também com que o nosso modelo de vida de matriz romana-judaico-cristã seja respeitado. Se faz confusão a outra pessoa que as nossas mulheres se banhem nas praias em trajes mínimos, respeitem, por favor, e olhem para o lado. (Isto sim é ser pela liberdade e não liberal…)

“Fulano é arguido, logo culpado.” Para quem não sabe, a posição de arguido é uma posição de defesa face aos factos e indícios que o Ministério Público acha que consubstanciam um crime. O Código de Processo Penal prevê até que alguém se possa constituir, por ele próprio e a seu pedido, arguido num processo-crime. Arguido é diferente de Culpado. Isto sim é verdade. Nunca nos devemos esquecer que quando se anda na caça às bruxas, queimam-se santos.

“Existe em Hollywood e na nomeação para os óscares racismo.” Não me apetece muito enumerar  a quantidade de filmes que já ganharam estes prémios que só falavam exclusivamente em racismo, em esclavagismo e afins. Quando se quer direitos que não se merecem, meus amigos, não existe esse direito.

“BD’s, ficção científica e fantasia são géneros para crianças.” Esta é tão rídicula que enumero apenas alguns casos flagrantes que nos dizem o contrário: Watchmen, Sin City, I Robot, 1984, Star Wars, Star Trek, Odisseia, Ilíada, Eneida, Os Lusíadas… nunca mais acabam as obras-primas…

“Poesia é subjectiva.” Pode ser ambígua, mas o significado, ainda que ambíguo, nunca será subjectivo. Quem escreve, sabe o que escreve e o sentido e a musicalidade que dá a cada palavra.

“Matemática é difícil.” Não! A preguiça lusa é que é genética. É incompreensível a compreensão paternal face à preguiça dos meninos. Filho de lontra não sabe nadar, não é? Trabalhem, estudem muito e às tantas não custa nada.

“Vem no jornal, é verdade!” Hummm, quem me dera que Umberto Eco ainda estivesse vivo para me ler o Número Zero. (Estive para lhe mandar um email a agradecer a obra prima).

“Aquele árbitro é gatuno, incompetente…” Olhem só a quantidade de decisões que uma pessoa, sem televisão nem repetições, toma durante um jogo de noventa minutos. Depois comparem com a eficácia e competência das equipas que perdem campeonatos. Depois, olhem ainda para a (in)competência flagrante das direcções dos clubes de futebol todos falidos. E, no fim, deixem de ver os programas desportivos… façam a vossa opinião.

… Tudo provado, tudo errado.

Estou aberto a mais chavões, malta.

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Como deve ser um líder político de um país pequeno?

O que faz um país pequeno? Os seus recursos naturais escassos, o seu nível de industrialização fraco, a sua taxa de desemprego imparável, o capital humano preguiçoso e os chefes desorganizados? Pode ser. Mas existe muito mais. Problemas demográficos e problemas burocráticos; pobreza científica e escassez de matéria cinzenta. Hospitais mais parecidos com casas funerárias e repartições públicas com poder judicial (a.k.a. tribunais) mais parecidos com papeleiras. Futebol de sexta a sexta e, nos intervalos, muda-se para o canal da quinta dos segredos…

Enfim…

O que nos vale?

O sol, o mar e a preguiça do dia a dia?

Não…

A Lusa Esperteza e o Luso Desenrasque. Não sabia ontem e hoje já sei melhor do que quem me ensinou. Ser português é ser assim: nunca melhor do que os outros, sempre melhor do que os outros. Quem como nós? Ninguém! Adite-se a Lusa Arrogância e a Lusa Língua, já agora.

Como deve então ser um político de um país tão pequeno como o nosso?

Deve ser desenrascado como uma formiga, esperto que nem uma mula e com uma diplomacia trovadora capaz de impor aos outros a sua vontade e os seus interesses.

Um líder de um país tão pequeno como Portugal deve ser Grande.

Nada menos.

Por isso, senhor Presidente do Eurogrupo, senhor Jeroen Dijsselbloem, não se preocupe com a Cauda da Europa, ela tá a cagar-se para as suas preocupações assim como vocês se estão a cagar para nós.

 

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Vala de mortos – Deadpool

 

Estava à espera de um bom filme? Estava e não estava. Quem conhece minimamente esta personagem dos quadradinhos ou dos jogos sabe do potencial humorístico que havia por explorar nesta personagem. Por outro lado, acho o universo da Marvel um pouco aborrecido e muito plástico… mesmo o Winter Soldier do Capitão América…

E com que é que me deparei? Boas pipocas pelo menos… até o filme começar… umas risadas entre cenas de acção e uma história de amor relacionável, tudo ao som de verdadeiros clássicos musicais, demonstrando a pobreza do universo musical dos dias de hoje… Mais sobre este filme? Não há.

E com que impressão é que fico ao ver os ratings explosivos deste filme e as críticas excelentes?

Muito simples…

As pessoas adoram cowboys, quer eles usem chapéus borsalinos ou meias laranjas na cabeça…

A moda cinematográfica americana que transformou  rapazes vaqueiros, que se demoravam dias e mais dias em cima de cavalos a olhar simplesmente pelas suas manadas, em heróis de acção foi das primeiras modas e… A sério! Haverá coisa mais monótona do que andar o dia inteiro a cavalo a tentar que nenhuma cabeça de gado se perca? E será que estes rapazes, que mesmo carregados com armas de fogo se cagavam de medo assim que um Apache e companhia se avistava, merecem assim tantas histórias sobre o monótono velho oeste americano? Os americanos, povo com pouco mais de dois séculos de existência, gostam… mas eles têm tão pouca história do lado deles que se compreende…

Enfim, a moda dos pistoleiros que disparam por tudo e por nada é adorada na América (Cfr. leis de armas americanas…) e por cá e restantes países do mundo a moda vai pegando. No outro dia tive um amigo que ficou escandalizado por eu dizer que o Django é um filme de sucesso porque as pessoas adoram violência gratuita (Haviam de ver quando lhe disse que aquilo não é um filme sobre a liberdade…). Tiros no traseiro, tiros no cagueiro, destruição sem qualquer outro motivo que não a estupidez… É disso que o povo gosta: Sangue!

Bam! Bam! Bam!

O próprio nome Deadpool é asqueroso… Significa literalmente piscina (vala) para mortos ou noutra acepção um jogo estúpido de apostas que teve o seu expoente máximo na realidade com Amy Whinehouse…

Como não podia deixar de ser, começo a preocupar-me com as pessoas. Esta fixação por idiotas pistoleiros que matam por tudo e por nada desagrada-me. Sei que é um filme e tal, mas é um filme com tanta violência gratuita. Mais violento até que os filmes do Van Damme!

E sabem qual a parte do filme que mais desprezo? O momento em que o Colossus está a fazer o discurso sobre o que significa ser um herói (um bom discurso, na minha humilde opinião) e o protagonista silencia esse discurso com um tiro e mata a sangue frio um vilão moribundo e incapaz de se defender… granda bala!

“Olho por olho ficamos todos cegos.” Dizia o Ghandi… talvez enganado.

As pessoas gostavam no passado de ver combates de gladiadores, queimas de bruxas, sentenças cumpridas na forca, cadeiras eléctricas e agora, no presente, gostam de ver filmes cheios de tiros e mortes gratuitas porque é o que mais se assemelha àqueles espectáculos hediondos.

Mas pronto, é só um filme… o seu sucesso não revela nada sobre a malta.

 

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NÚMERO ZERO, de Umberto Eco

 

E quem disse que em 160 páginas não cabe uma obra-prima?

Óbvio que importa falar pouco na presente obra e muito no multifacetado autor, e professor, Umberto Eco. E sabem uma coisa? O livro explica o porquê.

O binómio “manipulação da opinião pública num regime democrático” enquanto sinónimo de “propaganda política num regime totalitarista” está sempre presente sem ser referido explicitamente. É preciso ter cuidado com o que se escreve, não esquecer para quem os críticos trabalham…

E depois há o final retumbante, agudo, pontiagudo, cortante… assustador.

Leiam-no!

É absolutamente espantoso como o autor desenvolve uma história tão complexa em pouco mais de 160 páginas. A sério, dá inveja… inveja da boa. Quem me dera chegar algum dia a este ponto. Escrever simples e dizer tudo é tão bonito…

Foi um bom presente de natal, digo-vos já.

Ofereçam-no a quem quiserem.

 

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São só quases…

Sentes saudades, faço-te falta
Queres beijos, o teu peito salta
Com a vontade de mim que te assalta.

Faltam os abraços e lês estes versos
Para os momentos mais adversos,
São quase beijos, desses perversos

E imersos nos teus lábios de musa,
São quase beijos de língua profusa,
São só quases nesta solidão intrusa.

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YEARNING by Laurazee

 


Dias Esquecidos

Eu não me vou lembrar deste dia
Nem lembrar-me de o ter esquecido,
A rotina do dia-a-dia e a covardia
São tão más que me quero perdido.

Novo amanhecer, a mesma quantia:
O movimento de sempre repetido
E o repetido trilho, da moradia
Ao trabalho, mais um dia comprido.

Estou preso nesta maldita estadia
Esperando um único momento atrevido
Que me sorria dizendo apenas bom-dia
Para noutra vez recordar o sucedido.

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