Category Archives: Boca

A propósito dos falados assédios e das suas vítimas…

O que vou contar a seguir é uma história verídica que se passou à minha frente:

Num antigo trabalho, tive uma Colega que em certo dia, enquanto procedia sentada a fazer o seu trabalho à frente de sensivelmente dez clientes (dava cartas numa mesa de póquer), teve o meu director agarrado às costas da sua cadeira a fazer movimentos pélvicos, quase como um cão com cio… só faltava babar-se e relinchar como um cavalo ejaculante!

Os clientes viram, nós, colegas de trabalho, vimos, as câmaras de segurança viram e quem quer que estivesse ali por perto também viu a minha Colega a ser alvo de uma “simples brincadeirinha” do director.

Alguns minutos depois, saída da mesa, a tal minha Colega veio bamboleando-se para junto de mim e de mais alguns colegas e, muito ofendida, refilava: “Vocês viram o que o fulano sicrano me fez? Parecia um cão agarrado à cadeira! Que nojo…”

Ora, ingénuo demais na altura e preocupado com uma colega de trabalho, perguntei-lhe revoltado: “Porque não disseste nada em frente a todos os clientes?” e acrescentei: “Tinhas envergonhado o cabrão em frente a toda a gente…”

E a minha cara Colega respondeu a sorrir: “Oh, ele é o director, não posso fazer nada…”

Sinceramente, com esta moda recente de apontar os dedos, ainda estou à espera de a ver vir para algum jornal a denunciar o porco do meu director…

Terá coragem agora quando não teve há alguns anos em que tinha montes de pessoas prontas a testemunhar a seu favor? Quando tinha câmaras de segurança a filmar o sucedido?

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De que adianta a luz do Sol?

De que adianta a luz do Sol
Se sem ti, e nesta escuridão,
Não vejo luzir nada de nada?

De que adianta o girar do Sol
Se sem ti, e nesta inexatidão,
Esta vida parece deseixada?

De que adianta o calor do Sol
Se sem ti, e nesta solidão,
Só sinto a minha pele gelada?

De que adianta o pôr-do-sol
Se sem ti, e nesta sofridão,
Nenhuma noite fica estrelada?

De que adianta o nascer do Sol
Se sem ti, e nesta ingratidão,
Não tenho tua boca apaixonada?


Desinspiração

A chuva cinzenta não
Borrou a tinta destas
Rimas nem destes versos;
Faltam-me os verbos e
Não, não foi o vento
Que levou minha arte.
Fugiram-me do peito a
Musa morena e os nomes
E os pronomes, todos eles
Fugiram, como um moscardo,
A este bardo, deixando-me só
Desinspirado e desvairado.

 


Meia-Volta…

Preguiçosa e toda despida
Dás meia-volta na nossa cama
E, como única contrapartida,
Exiges amor a quem tanto te ama.

Nada humilde e toda convencida
Pedes mais beijos e algum drama
Para chorar a infalível despedida
Que embacia um pouco esta chama.

Mas passam os minutos e nada muda
O lençol foge-te, deslizas-te desnuda
E eu, manhoso, aumento minha ajuda

Até, por fim, renovarmos – pelados,
Nunca calados e por vezes demorados –
Os nossos votos quentes e enamorados.


Pequeno, pequenino…

Hoje sinto-me pequeno, pequenino,
Nada homem, muito menos homenzinho,
Só um idiota armado em engraçadinho.

E bem me podes castigar, mas castigado
Já eu estou só por teus olhos fazer chorar
Tanto que entre soluços te falta o ar.

Magoei o peito que não devia magoar
Feri o coração que nunca devia ferir
E entristeci quem nunca devia ficar triste.

Hoje sinto que sou torpe, sujo e imundo!
Sinto que sou só erros e vergonhas
E sinto que só sou culpas sem desculpas…

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Perito em Desgosto

Tenho bastante mau-gosto
E, bastante a contragosto
E ao contrário deste Agosto,
Me aperitei em teu desgosto.

E eu queria ser mais forte,
Ser bastante melhor consorte
E andar contigo noutro porte,
Mas, má-sorte, sou um desnorte.

Tenho uma língua puta e poluta,
Uma língua de estupidez absoluta,
Mas aqui estou, de forma resoluta,
Pois, por ti, continuo nesta luta.

 

Forgiveness-hands-rock.jpg


Dia de Praia

Há o cheiro quente da areia
Que me amolece, me alheia
E me purga qualquer ideia
De me erguer, o que já rareia.

Marulhando o mar, fico ouvindo,
Calmo e néscio, o indo e vindo
Que me embala por um eco lindo:
Um eco azul oceânico e bem-vindo.

Por fim, suave, a mão companheira
Do meu lado, preguiçosa e soalheira,
Que faz de mim sua espreguiçadeira
E me abusa com sua boca beijoqueira.