Monthly Archives: Janeiro 2017

Nada…

O nada é apenas um conceito sem que algo exista para o preencher ou definir verdadeiramente. O nada não existe. O nada é sinónimo de zero e ambos são uma ilusão física tal como o tempo. O nada é uma explicação simplista para alguém preguiçoso. O nada é algo que nunca existirá porque haverá sempre mais por descobrir.

E se o nada não existe, o tudo existe?

 


Wake Me Up When September Ends

“Summer has come and passed

The innocent can never last

Wake me up when September ends(…)”

Hoje ouvi a música Wake Me Up When September Ends, dos Green Day e dei conta que não me lembro daquele dia fatídico em que passei de inocente a culpado (passe a expressão). Quero com isto dizer que não me lembro daquele dia traumático em que os sonhos se começaram a quebrar à minha frente (Outra honra feita a Boulevard of Broken Dreams) perante a cruel realidade.

Pessoalmente, acho eu, esse dia não me calhou. Talvez tenham apenas existido dias em que pequenos pedaços de informação e conselhos que me foram transmitidos convergiram em pequenos despertares (epifanias) para a realidade até finalmente dar comigo embrenhado num casulo de ideias e valores que me guiam, ainda que nem sempre da melhor maneira.

Foi assim que deixei o Verão…

Fica aqui o vídeo da música:


A Desconversa – 1ª Inverdade

Desmitificando, o facto de o mundo estar repleto de gente inculta (não burra!), e na maior parte das vezes convencida que detém a verdade, não é acidental, como pode parecer à primeira vista.

Os motivos são vastos, pelo que este post será o primeiro de alguns:

1 ª Inverdade

“O ensino escolar é fraco (especialmente o ensino público).” É uma das inverdades (não lhes chamemos falácias nem mentiras).

Eu, na escola pública (1º-12º ano), num meio social suburbano de Lisboa, aprendi a escrever, a fazer contas, aflorei a história de Portugal, foi-me dado a conhecer alguns conceitos geográficos, apreendi conceitos básicos de física e química e biologia, rascunhei uns traços artísticos, moldei umas coisas em gesso, fiz projectos com madeira e electricidade e foi-me transmitida a importância do exercício físico.

Claro que me esqueci de algumas coisas durante a vida. Motivos? A falta de jeito? O desinteresse? A preguiça? Provavelmente um mistifório dos três…

No entanto, o essencial está cá. Sei escrever, sei matemática básica (somar, subtrair, multiplicar e dividir e mais algumas contas de três simples), sei que quem não sabe o que significa 1143 não é português e sei mais uma quantidade de coisas que apenas serviriam para engrandecer o meu pequeno ego e o vosso enfado…

Por outro lado, muitas das pessoas que conheço ficam especadas a olhar para mim quando invoco conceitos tão simples como uma metáfora ou como o PIB, nomes tão famosos como o Condestável ou como o Infante D. Henrique ou datas tão importantes para Portugal como 1755 e 1974.

Os olhos arregalam-se, as sobrancelhas acanham-se e alguns, os mais envergonhados, têm o cuidado de me pedir que explique do que estou a falar. Os mais arrogantes preferem remeter-se ao silêncio e passar por burros silenciosos – não percebem que os olhos em baixo, os queixos tímidos e os ombros encolhidos falam tanto como uma boca fechada.

Claro que certas perguntas me dão uma vontade desesperada de lhes perguntar o que andaram a fazer na escola comigo. Contudo, o que me tira do sério é, em primeira instância, a arrogância de nem sequer admitir que um dia lhe foi ensinado aquilo que eu também tive oportunidade de aprender e, num segundo momento, a preguiça de nem sequer terem instalada a aplicação da Wikipédia naquele precioso smartphone colado às mãos.

Com tudo isto em mente, tornemos a pensar na escola pública e na razão de ser do ensino público ser mau.

Em primeiro lugar, quem a compõe? Conselhos Directivos, que normalmente já foram Professores e, por sua vez, também Alunos; Professores que já foram Alunos;  Funcionários que já foram Alunos; Pais que já foram Alunos; e Alunos que nunca foram mais nada.

Assim sendo, temos que analisar esta hierarquia.

Começando por cima: como pode um Conselho Directivo ser bom? Provavelmente, deve ter um propósito muito concreto que é o de elevar a média geral das notas de todas as turmas da escola e fazer dos seus meninos cidadãos com valores bem definidos. Contudo, deve fazê-lo consciente dos recursos e limitações que dispõe. Uma escola, hoje dia, não funciona sem professores, sem electricidade, sem casas-de-banho, sem secretarias e tesourarias e outros componentes em que não me quero alongar. Qualquer Conselho Directivo deve providenciar todos estes recursos mínimos.

Desconfio que dez porcento da minha geração possa dizer que lhe faltaram durante 12 anos seguidos qualquer um daqueles componentes. As médias podem não ter subido, mas a culpa de tanta falta de cultura em adultos será do Conselho Directivo depois de 12 anos com o rabo sentado na cadeira?

Em segundo plano, os professores. Sempre existiu e sempre haverá de existir uma classe de bons profissionais e outra de maus profissionais. O que se exige é que tenhamos mais quadros bons do que quadros maus. Pergunta: será que maior parte da populaça só teve professores maus?!?!? Desculpem, mas não me parece…

Não falemos dos pobres funcionários, que pouco contam ainda que façam muito pelas escolas.

Falemos dos alunos.

O que é um bom aluno? É aquele que escuta calado nas aulas, se diverte nos intervalos, aprendendo por vezes coisas como a amizade e o amor, e estuda, a sério, quando é necessário. Tão simples quanto isso… O problema é que, com muita certeza, existem vezes em que a juventude prefere aprender outro tipo de coisas da vida (amizade, namoradas e futebol) durante as aulas em vez de estar calado a ouvir o professor, seja este bom ou mau… Como podem depois estes últimos não arregalar os olhos e bater as pestanas espantadas quando ouvem falar de Fernando Pessoa e não o sabem distinguir do tipo que escreveu Os Lusíadas.

Por fim: os pais. Ao contrário do que se pensa, são os pais a base da pirâmide. A escola ensina conceitos, mas raramente valores. Não tem tempo para ensinar valores. Em consequência, é aos pais a quem compete ensinar palavras como a bondade, a amabilidade, a honestidade, o respeito e seus limites, bem como os modos de cortesia e de viver em sociedade. Não basta indicar aos filhotes as cores do clube que devem seguir cegamente. É importante, todos os dias, serem o professor do jovem coração a que deram fôlego, o exemplo do ser social que o uma pessoa é e, mais importante de tudo, saber pedir desculpas aos filhos quando se erra – porque aos pais também é permitido errar.

Quer-me com isto parecer que, chegados aqui, estamos já habilitados a perceber uma coisa que falha muito ao cidadão: A casa faz parte da escola (pública ou privada).

Logo, se há algo que falha na escola pública, não é apenas a escola essencialmente a culpada pelo estado do ensino público. No núcleo central do problema está a casa e quem manda nela! Os pais, os avôs, os tios, os tutores, os representantes legais e o diabo a nove! Se os alicerces da casa não forem fortes, quem lá vive corre o risco de que o tecto lhe desabe em cima da cabeça!

(Não aproveitem os professores e os sindicalistas para se eximirem das suas responsabilidades, pois que cada mau professor é uma falha do Estado e dos seus cidadãos!!!)

Todavia, se um filho aprender em casa valores, aprenderá também na escola os conceitos, mas não só na escola. Aprenderá em cada recanto conceitos e experimentará sem medos tudo aquilo que a vida tem para lhe oferecer. Deixará de precisar de professores.

Por outras palavras, aprenderá a pescar sozinho porque lhe ofereceram a cana-de-pesca, a linha e o anzol.


Falta de Palavras

Já repararam na quantidade de palavras que existe para dizer, tão pura e simplesmente, morte? Uns quantos exemplos? Pois não: falecimento, óbito, perecimento, finamento, passamento, extinção, decesso, ortotanásia, exício… e alguns mais, muitos mais.

Pelo contrário, a palavra beijo tem poucos sinónimos. Mais uns quantos exemplos? Existe ósculo (Mais horrível só mesmo o verbo oscular ou o acto, quase cirúrgico, de osculação!!!) e existe selo (Sendo que o selinho fica muito melhor). Tirando estas duas palavras? Mais nada… ou talvez só uns poucos recursos estilísticos como toque/roçar de lábios, enlace de línguas

Tristeza…

Como é que o mundo pode andar direito se temos mais palavras para o fenómeno funesto da morte do que palavras para o evento edénico que é um beijo?

Deste modo, não admira que os poetas portugueses, na generalidade, sejam pessoas tão tristes e trágicas…

Todavia, para colmatar a falha, existe uma quantidade infindável de conjugações com a palavra beijo: podemos dar um beijo longo (que é igual a dar um beijo francês, um beijo de língua ou um beijo apaixonado); temos ainda a possibilidade do simples beijo na boca, uma beijoca graciosa, um carinhoso selinho (em Portugal, um metálico bate-chapas…) ou um amigável beijo na cara.

Não tão aprazível é já o beijo de Judas

Há, portanto, poucas formas de dizer beijo, ainda que haja felizmente, em Portugal e no mundo, bastantes formas de beijar, já que cada ser tem a sua forma de beijar…

Enfim, para acabar em grande, lembrei-me agora de me despedir de todos, não com um beijo de despedida, mas com um grande beijo com desejos de feliz ano novo!

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