Monthly Archives: Junho 2017

Vinte Anos de Harry Potter

Ainda que longe de ser uma das minhas séries preferidas de livros, a verdade é que a magia de J.K. Rowling me encantou durante os breves anos da minha adolescência. A febre era tal que consegui ler a Ordem da Fénix (o maior livro da saga) nuns rápidos e necessários três dias e meio (talvez quatro, vá…).

Quando me perguntam o que acho da saga de Harry Potter ainda hoje digo o seguinte: bons prólogos, alguns demasiados sombrios para o seu público alvo, um vilão carismático e sete livros cheios de problemas atrás de problemas de três adolescentes mágicos que, num verdadeiro caminho sinuoso, se tornam adultos no final do sétimo livro. Claro que haverá mais por dizer, bastante mais…

Contudo, hoje quero mesmo é prestar uma pequena homenagem a uma das poucas sagas de livros que, ainda que tenha os seus defeitos, encantou várias gerações e nos devolveu a magia das letras e a fantasia da nossa imaginação ao glorioso panteão da Grande Literatura.

E no que a mim me diz respeito cumpre também referir, com alguma nostalgia à mistura, que conheci os corredores da minha própria escola enquanto ia também descobrindo os corredores Hogwarts, joguei futebol ao mesmo tempo que ia dando conta do que era o quidditch e experimentei o meu primeiro beijo no mesmo ano que Harry beijou Cho Chang.

Talvez haja ainda mais que vos possa contar, mas perderia a magia…

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by Bloomsbury Publishing


Se eu fosse seu…

Se eu fosse seu teria de limpar
O quarto, fazer a cama e arrumar
Um trabalho só para ficares feliz.

Se eu fosse seu não seria poeta
Pois teria que poupar as palavras
Escolhendo entre moedas e verbos.

Se eu fosse seu não seria livre
Nem teria latejando a liberdade
Desta jovem e sexual idade.

Se eu fosse seu seria um pigteu (*)
Se eu fosse seu nunca seria eu
E se eu fosse seu nunca seria meu.

 

 

 

(*) Inicialmente era para colocar “pigmeu”, mas enganei-me, saiu erro e, como acontece muitas vezes a quem escreve, achei que se adequava melhor uma espécie de neologismo chamada “pigteu“; algo que não vem no dicionário mas que fica entre o conceito fofinho de “pigmeu” e um conceito emporcalhado de “porco teu”. Se alguém achar estúpido, não peço desculpa…

 


Nomes Enlameados

Infelizmente, vivo num país, talvez num mundo, em que o verbo em destaque é «corromper» e os adjectivos preferidos são o «corrupto», o «corruptor» ou o «corrompido». Não se chama incompetente a quem o será, não se chama ignorante a quem o foi e nem tampouco se chama anormal a quem o é. A palavra que importa reter é sempre a mesma: corrupção.

A todas estas pessoas que jogam para a lama o nome dos outros, um pedido: sejam um pouco mais originais.

Já todos sabemos que a corrupção passiva existe quanto o funcionário que por si, ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, solicitar ou aceitar, para si ou para terceiro, vantagem patrimonial ou não patrimonial, ou a sua promessa, para a prática de um qualquer acto ou omissão contrários aos deveres do cargo, ainda que anteriores àquela solicitação ou aceitação.

Igualmente, já todos sabemos que a corrupção activa existe quando quem, por si ou por interposta pessoa, com o seu consentimento ou ratificação, der ou prometer a funcionário, ou a terceiro por indicação ou com conhecimento daquele, vantagem patrimonial ou não patrimonial para a prática de um qualquer acto ou omissão contrários aos deveres do cargo, ainda que anteriores àquela solicitação ou aceitação.

(Cfr. Artigo 373º e 374º do Código Penal Português)

Existem mais crimes no nosso regime penal!

Dos artigos 131º ao 389º é sempre a abrir!

Já estamos todos fartos de andar a chamar corruptos a uns e a outros…

 


Homens e Mulheres…

Penso que este homem seja feito
De mais roupas do que de carnes,
De mais rimas do que de palavras.

Lógico que palavras machas dizem
Aquilo que diz qualquer dicionário
Mas também dizem menos, muito menos!

Já a mulher não precisa de palavras,
Tem os olhos e os lábios e os ombros,
Tudo a falar num silêncio mui calado.

Sem frases, sem verbos e sem desculpas
Para a preguiça de não realizar e fazer,
A mulher fá-lo: constrói esse homem!


Wonder Woman

Wonder Woman

de Patty Jenkins

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By DC Comics & Warner Brothers

Wonder Woman é um bom filme acerca de uma super-heroína; ou seja, mais um filme saído do panteão dos quadradinhos que os americanos gostam de endeusar. No entanto, e sem sombra de dúvida alguma, tem uma mensagem anti-guerra bastante bem explorada. Deste modo, é fácil dizer que não é apenas um mero filme sobre uma super-heroína saltando de telhado em telhado e disparando raios com  os olhos para deter uma vilão lunático. É muito mais que isso. É um filme sobre guerra, sobre o sacrifício de muitos para salvar a maioria e sobre os fantasmas que a guerra traz com todos os seus tiros e bombas…

Ao contrário dos filmes de pistoleiros mascarados da Marvel (que literalmente ao jeito americano se estão a cagar para a quantidade de gentes que “matam”…), o universo cinemático da DC Comics sempre ofereceu uma maior preocupação em termos de mensagem e moral. Por exemplo, quer com o Batman de Nolan, quer até mesmo com o Superman de Snyder, as consequências nefastas da opção matar estão lá sempre bem visíveis. Claro que isso lhes valeu um tom mais sombrio que por vezes chateia as pessoas que não gostam tanto assim de ser confrontadas com a realidade sem que uma única piada alivie o ambiente… enfim, enfim!

Deste modo, estranho seria se Patty Jenkins, directora do filme, colocasse este sentido ético de parte e deixasse de dotar a sua obra com uma data de mensagens importantes, especialmente quando o argumento também pertence ao infame Zack Snyder. A directora deu cartas  e nem sequer foi preciso socorrer-se de nenhum after-credits para se ligar ao resto do mundo DC (mais um ponto positivo…).

Entrando em concreto no filme:

Wonder Woman, ainda que num tom mais ligeiro do que o habitual “noir azulado” de Snyder e preocupada em solicitar algumas gargalhadas através da ingenuidade sabida de Diana e dos conhecimentos deturpados de Steve Trevor, explora também uma vertente importante do mundo: a origem da guerra.

Porque lutam os homens? O que leva os homens a matar? Quem é o tirano divino por detrás de tantas guerras? São tudo questões que o filme aborda pelos olhos de uma ingénua Diana que vai aos poucos e poucos dando conta que a vida não é tão simples como ela primeiramente pensava. Nem tudo é preto e nem tudo é branco…

Este filme – bastante bem pensado, diga-se –  tem a I Grande Guerra Mundial como pano de fundo; um tempo histórico onde se usaram e abusaram das armas químicas, assim como da crueldade, até não se poder mais. E é neste teatro de horrores que a Wonder Woman brilha como princesa rebelde, como princesa curiosa, como princesa carismática, como princesa guerreira e brilha até como a deusa apaixonante que é…

Quanto à história, breve nota de como fazer um boa apresentação de um povo e de uma menina que cresce e vira adulta – tudo em pouco menos de cinco minutos – e ainda o fim de um primeiro acto que tem como vítima uma das pessoas mais importantes para Diana. Depois é o habitual, uma missão cumprida…

Finalmente, quanto à interpretação:

Gal Gadot é feroz, linda, inteligente, carismática e apaixonante. A bem da verdade, só lhe faltam uns lindos olhinhos azuis iguais aos dos quadradinhos; mas isso não chega sequer para macular a sua graça, especialmente quando esta última se cruza com o seu tema selvagem e mágico, criado por Hans Zimmer e Junkie XL

Nota positiva também para o Steve Trevor de Chris Pine (que parece  não conseguir fazer nenhum papel mau…). A personagem não é um mero interesse amoroso nem um mero sidekick; o que já é bem bom, na minha opinião num filme em que a super é heroína e não o contrário. O espião é divertido, heróico e suficientemente traumatizado com a guerra para saber que ela tem que acabar o mais rapidamente possível. Depois há aquela empatia entre Gal e Steve, a melhor de todas as que já vi até hoje num filme da DC Comics. (Lois Lane e Clark Kent têm aqui uma tarefa difícil para bater…)

Quanto aos vilões, os mesmos são bem trabalhados e apresentam-se cruéis quanto baste. Claro que o actor escolhido para interpretar o deus Ares podia ter sido alguém um pouco diferente. David Thewlis até pode ter aquela graça para agente manipulador, mas, na minha humilde opinião, falta-lhe um pouco a ferocidade  que se queria para o embate final entre Diana e o deus da guerra.

Nota finalíssima para uma credível ilha de Temiscira; imagem perfeita de um paraíso para onde todos os homens desejam ir e que esperemos tornar a ver…

Finalmente, não sendo um daqueles que odiou de morte o BvS (antes pelo contrário), espero que os críticos poupem este grande filme aos seus habituais gostos por filmes mais juvenis que a Marvel e a Walt Disney põe cá fora…


Ambiguando…

Ambígua é nossa procurada alma
E exígua é a permanente demanda
De saber mais, que sempre manda
Correr mais, perdendo-se a palma
Da mão por falta modesta de calma.

Tentamos abrir portas e portas,
Puxamos os puxadores das fechaduras
Mas são precisas chaves e branduras,
Faltando ainda desalocar as retortas
Correntes e os ferros das comportas.

Porque precisamos de tantas ceias?
Que ordem nos pulsa nas veias?
Que desordem nos corre nas artérias?
O que nos torna tão ricas misérias?
Feitos de mátérias e anti-matérias

Só porque adoramos ser contradição,
De ser e não ser, tendo e não tendo,
Filhos do Paraíso como vos entendo?
Sempre que não têm mais coração
Existe sempre um novo cirurgião!

Porque queremos tanto um brinquedo
Que nos assusta tanto como o medo?
Porque mergulhamos no desconhecido
E o acolhemos tanto como um querido
Vizinho que não queremos como valido?

Porque odiamos amar, mas precisamos
Amar mesmo odiando? Tantos amos
De que somos escravos, tanto amor
Quanto ódio, tanto ódio quanto dor,
Ainda assim faz-nos bem ouvir amor!

Maldita humana ambiguidade
De estar bem aquando do mal
E de estar mal aquando do bem
Apenas gera nossa vã grandiosidade
E a necessidade de infelicidade.


The Road Within

The Road Within
De Gren Wells

 

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Querem um filme para Óscar, Globo de Ouro e Bafta? Aqui o têm…

O desconhecido The Road Within com Robert Sheehan, Dev Patel e Zoe Kravitz é do melhor que vi da sétima arte nos últimos tempos. Tem uma viagem, tem uma história emocionalmente densa e tem três personagens que tanto nos conseguem fazer rir como obrigar-nos a chorar.

Senão vejamos: três doentes do foro psiquiátrico: um órfão de mãe cheio de tiques e incapaz de conter palavrões, o seu companheiro de quarto obcecado com limpezas e cheio de pulsões obsessivo-compulsivas e, como se estes dois não fossem suficientes, uma linda menina manipuladora que se acha sempre gorda ao espelho e que convence o trio a fugir de uma clínica médica e a embarcar numa louca roadtrip pela América fora…

Se não estão convencidos até aqui, não sei o que vos possa dizer mais.

Sendo sincero, o filme é mesmo espantoso. E não é só pelas interpretações do jovem trio de actores. Temos também os dois actores séniores: Robert Patrick e Kyra Sedgwick a adensar a história. Temos uma banda sonora sublime e apropriada. Temos um problema atrás do outro. Temos um propósito narrativo. Temos algum suspense…

Basicamente, tem tudo este filme.

Enfim, a bem da verdade, fico com pena de não saber mais sobre este trio de personagens após pouco mais de horinha e meia de filme que me agarrou desde a trágica cena inicial até ao final emotivo.

Filme bem melhor do que aqueles que têm ganho os prémios todos nos últimos tempos.