Category Archives: Literatura

Estrelinhas

Demorada, achou esta vista
Morando na tua pele morena
Uma dezena de pintas à vista:
Uma subtil constelação terrena

De estrelas negras à conquista
Do bronzeado da extraterrena
Divindade que, algo imprevista
E surrealista, tanto me serena.

Quantos e quantos zodíacos
Se espreguiçam demoníacos
Nesses declives paradisíacos

Onde se acaba o mundo ruim?
E quantos olham só para mim
E me convidam a ir até ao fim?

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Inferno

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by Bertrand

 

Inferno

de Dan Brown

Tendo-me demorado uns bons três meses da minha vida a apreciar a Divina Comédia de Dante Alighieri (a tradução do falecido Vasco Graça Moura), e sendo basicamente esta obra de Dan Brown um livro sobre outro livro: o Inferno (primeiro volume da Divina Comédia), confesso que estava um pouco receoso de pegar nesta obra. Contudo, o livro não me custou dinheiro, foi emprestado, apetecia-me algo leve… e lá acabei por o abrir.

Primeiramente, calando a cambada, não sou um inimigo convicto dos escritores comerciais. É que, bem vistas as coisas, Dante foi um poeta que escreveu para as massas no dialecto toscano (que representa a base da língua italiana actual) e não em latim como era apanágio na época. Claro que hoje em dia não há quem negue o génio deste poeta de massas. (Acabei de comparar Dan Brown a Dante Alighieri?!?!?!? Vou cortar os pulsos e vou direito para uma das divisões do Malebolge…)

Adiante, ler Dan Brown pode ser entediante por vezes com tantas discrições de tantos edifícios e com tantas histórias relativamente aos mesmos, mas a verdade é que este Autor sabe construir uma história, tem uma linha narrativa certinha, tem personagens interessantes e as suas histórias têm sempre umas reviravoltas muito engraçadas e surpreendentes (o que vai rareando para este atento leitor…)

E Inferno tem isto tudo.

Quanto ao argumento, o mais conhecido herói de ocasião Robert Langdon embarca numa corrida contra o tempo para superar a sua perda de memória e salvar o mundo duma pandemia (aproveitando, entretanto, para passear por cidades históricas, pelos mistérios da história e da arte e por dar a conhecer um pouco de ciência…), tudo no conhecido ritmo alucinante que já caracteriza a obra do Autor.

Quanto a personagens, há muito que me deixei de preocupar com Langdon. O Código Da Vinci foi um grande livro, mas uma coisa é pôr o professor de Harvard a tentar desvendar um mistério histórico como uma eventual linhagem de Jesus Cristo; outra é pô-lo a tentar impedir uma pandemia. Ou então talvez Robert Langdon tenha contraído Síndrome de Sherlock Holmes: “Nenhum herói pode ter tantas aventuras na sua vida sem que as pessoas se fartem do facto dele ser sempre o sacana do protagonista que vence tudo e todos…!” (Acabei de inventar isto…)

Enfim, quanto a personagens secundárias da história, o Autor marca pontos. A hiperdotada Sienna Brooks é talvez a personagem de que mais gosto a par do tatuado Mal’akh d’O Símbolo Perdido e do Camerlengo Carlo Ventresca de Anjos e Demónios.

Mais, a visão do vilão gera empatia (ainda que a sua obstinação por Dante não me agrade de todo) e o seu projecto pandémico não deixa de ser uma ousadia tremenda, especialmente pelo modo como o Autor resolve as coisas no final.

Finalmente, o maior mistério da história: o “Consórcio” e o seu líder: o preboste.

O Autor diz-nos logo antes de entrar na história que esta organização de poderosos mercenários, que presta favores de todos os tipos a governos, empresas e milionários, existe e tem sede em pelo menos sete países deste mundo, mas a verdade é que esconde o verdadeiro nome do “Consórcio” por motivos de segurança. Será uma brincadeira do Autor? Até já há vídeos na internet de tipos a dizerem que Dan Brown se inspirou neles…


Letras Pequenas

Há dias em que temos menos paciência do que outros, é um facto. Hoje tenho ainda menos paciência do que nesses mesmos dias, mais um facto. Estou lixado, lascado e fudido com certas pessoas do mundo.

É triste quando certos trastes que fazem mal a um grupo gigante de pessoas, muito competentes em incompetentar os outros e ainda mais competentes em gerar ódio, alcançam determinados cargos que lhes proporcionam visibilidade e facilitam ainda mais o seu trabalho de publicitar a raiva, o nojo e o ódio.

Uma dessas “pessoas” tem por nome nuno saraiva (as minúsculas, como devem reparar, são propositadas) e é “director de comunicações” do Sporting Clube de Portugal.

Entre outros casos infelizes desta personagem seguida por um vasto bando de ignorantes, vejamos o caso de hoje:

Após o Sport Lisboa e Benfica convidar o rival Sporting Clube de Portugal para homenagear os jogadores portugueses, campeões europeus de futsal com todo o mérito, levou com esta resposta do “director de comunicações”:

“O Sport Lisboa e benfica fez um convite ao Sporting Clube de Portugal para, no dérbi de futsal do próximo sábado, homenagear os campeões europeus da modalidade, entre eles, 4 atletas do Sporting Clube de Portugal.
Por considerarmos que este é um gesto de total hipocrisia, o Sporting Clube de Portugal recusa participar em qualquer acção conjunta com um clube que não partilha as regras e valores pelas quais nos regemos, designadamente, a promoção da verdade desportiva, a transparência e a dignificação e credibilização do desporto português.”

O que há para dizer deste traste quando começa o seu post por escrever o “Sport Lisboa e benfica” (com letra pequena…). Podemos dizer que é uma daquelas habituais faltas de respeito de taberneiros que passam a vida nos cafés a ler pasquins e jornais da bola ou podemos dizer que ele simplesmente merece uma resposta à altura:

nuno saraiva,

Tu sabes que não passas dum anão barrigudo e, por isso, é que é tão fácil para ti desceres tão baixo!

Resposta dada ao anão barrigudo, passemos ao que verdadeiramente me chateia:

A democracia, quando exercida em maioria por um povo ignorante e sem valores, torna a restante minoria honrada e esclarecida numa vítima perfeita de ditadores eleitos.

É um FACTO! e é um FACTO! que me chateia, que me irrita e que me revolta!

Até quando temos que levar com personalidades como Trump? Como Bruno Carvalho e nuno saraiva? Como Cavaco Silva? Como Maduro? Como Lula da Silva e como Dilma Roussef? Ou com tantos outros idiotas que são eleitos para cargos de associaçãos privadas ou para cargos públicos pelos nossos vizinhos idólatras e populistas?

Resposta:

Até que se tome consciência que é preciso ler bons livros! Até que se tome consciência social que, lá por dar audiência, não se pode passar todo o tipo de programas televisivos! Até perceber que a cultura exige respeito! Até se perceber que é no respeito pela nossa pessoa e pelo respeito pelos outros que se encontra a pedra angular de qualquer sociedade! Não é no ódio dos minorcas…


Obsessivo Compulsivo

Sim… eu sei que não devia
Ter seguido na sinistra via
Em que mal me via, todavia
As vozes que em mim ouvia –

Doidas retorcidas e doidas
Incontidas – pediam devidas
Medidas, exigiam insupridas
Praxes e reclamavam ávidas

Um eterno silêncio resoluto
Enquanto o mal com que luto
Alastrava e, bem convoluto,
Me desarmava em absoluto…

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Turtles All The Way Down

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Turtles All The Way Down
de John Green

Primeira imersão na obra deste Autor que me chamou a atenção pelas histórias que serviram de base aos filme  The Fault in Our Stars (que apesar de muito bom não pretendo voltar a ver tão depressa…) e Paper Towns.

E o que achei?

Bem, quanto ao argumento, tem um fio condutor narrativo pequeno pequenino: O que sucedeu ao pai milionário do interesse amoroso de Aza Holmes. O que se passou? E é basicamente isto.

Claro que tal enredo pequeno pequenino é de propósito, uma vez que o objectivo do Autor é dar-nos a conhecer Aza Holmes, ou Holmesy (como carinhosamente é tratada pela sua melhor amiga…); uma miúda aparentemente normal que vive com um transtorno obsessivo compulsivo bastante inquietante.

Através da própria experiência do Autor, tomamos contacto do modo como esta doença se manifesta silenciosamente mesmo que à vista de todos, os diversos problemas que esta doença causa e os perigos que representa para quem dela sofre. Os rituais exaustivos sempre obrigatórios, os problemas relativos ao isolamento, a capacidade de não conseguir revelar o que se passa mesmo quando quer, o sofrimento causado pela consciência da presença da loucura e, por fim, o risco para o próprio corpo.

O Autor aborda bastante bem este problema e através de metáforas objectivas e certeiras consegue-nos mostrar um pouco da aflição com que algumas pessoas se debatem diariamente.

E está muito bem conseguido até aqui.

E digo até aqui porque em certo ponto, bastante perto do final, percebemos que alguém conta a história mas de uma forma algo atabalhoada. O Autor era capaz de ter um pouco mais para dar na minha humilde opinião e tal não tornaria o livro demasiado cansativo.

Aza Holmes é uma menina que fica nos nossos corações.

PS: Uma breve nota de rodapé para a minha discordância quanto ao título dado pela editora portuguesa à tradução da obra. Ainda que perceba perfeitamente o título Mil Vezes Adeus preferia uma tradução mais aproximada de Turtles All The Way Down; algo como É só Tartarugas Por Aí Abaixo ou Tartarugas Até ao Infinito ou Tartarugas e Tartarugas e Tartarugas. É que a primeira é uma possível interpretação de um leitor; o título original remete-nos para o que é realmente importante nesta história: o problemático eu interior de Holmesy.


Altered Carbon

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by NETFLIX

Altered Carbon

De

Laeta Kalogridis

(1ª Temporada)

Baseado no livro com o mesmo nome, de Richard K. Morgan, esta série pescou-me logo pelo trailer. Depois, como se não bastasse a qualidade do trailer, tem um genérico do melhor que há. Dá-nos logo a ideia que esta série tem várias camadas, algumas artísticas, algumas negras e outras quase venenosas.

Passando ao enredo em si, a premissa da primeira temporada é muito simples: Num futuro em que os corpos são temporários e as almas das pessoas estão anexas a um disco que se insere na coluna, Takeshi Kovacs, um antigo Emissário (um soldado revolucionário), é trazido de volta ao mundo para solucionar o mistério do assassinato do seu próprio empregador. Simples e cativante, é preciso mais?

Quanto às personagens, o destaque principal vai para os vários actores encarregados de interpretar o protagonista Takeshi Kovacs. Claro que os actores Joel Kinnaman (na sua melhor forma depois de Robocop) e Will Yun Lee (sempre competente) têm o maior destaque, mas é claro como a água que também o miúdo Morgan Gao e o veterano Byron Mann se destacam; todos na pele do mesmo personagem. Maravilhoso…

Em termos de personagens secundários, destaque para a linda Martha Higareda a desempenhar o papel da sua carreira: Kristin Ortega, a corajosa e desbocada detective que tem o mundo inteiro contra si, mas que lá se vai aguentando como pode.

Quanto aos demais personagens, é melhor ficar por aqui sob pena de comprometer a história.

Mais, se Richard K. Morgan merece um honradíssimo destaque pelo mundo criado, há que dizer que Laeta Kalogridis não deixou nada por fazer.

Em termos visuais, quase parece que estamos perante um filme de Hollywood. As ruas da cidade, o submundo corrupto, o céu conquistado até às nuvens e mais além! Tudo espectacular!

E depois temos as perguntas inerentes ao mundo com as características de um mundo em que as pessoas têm a possibilidade de ser imortais; tudo a adensar ainda mais o enredo.

Concluindo, a primeira temporada de Altered Carbon é uma obra-prima da televisão e recomendo-o vivamente a fãs de Ficção Científica.

 


O Grande Bazar e outras histórias

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by 1001 Mundos

O Grande Bazar e outras histórias

de Peter V. Brett

O Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett é uma das minhas obras preferidas de fantasia. O Homem Pintado, A Lança do Deserto e A Guerra Diurna foram sempre espectaculares, infalíveis e guardo dessas leituras as melhores recordações. A história parte de uma premissa simples, a noite está cheia de demónios que pretendem o fim da humanidade e esta tenta sobreviver a todo o custo. Contudo, no seu centro, a história é tudo menos simples. Existe conflito entre as ideias do pai e as ideias de um filho, explora-se o conflito entre os costumes sociais e as escolhas pessoais do individuo, prima-se pela ausência de personagens totalmente boas e pela ausência de personagens totalmente más, temos a tragédia, o trauma, a esperança, a intriga e… estava aqui o dia todo.

Entrando na obra em si, é uma antologia de três contos.

Os dois primeiros exploram as primeiras aventuras de um dos maiores protagonistas do Ciclo dos Demónios antes de ser ter tornado o herói que actualmente é no final d’A Guerra Diurna. Mostram-nos que a coragem não vem sozinha, vem sempre acompanhada por conhecimentos, espertezas e princípios; tudo o resto é vão. Para quem admira Arlen Bales (Arlen Fardos, nome muito mais bonito na tradução portuguesa…) e também um conhecido mercador krasiano, são dois contos que nos fazem admirar ainda mais estas duas personagens.

Quanto ao terceiro conto, o mesmo é interessante, explorando tanto uma nova personagem, o Lamacento Bryar Damaj, nascido de uma tragédia, e o velho padrinho de Arlen, o Mensageiro Ragen. O enredo prende-se com um resgate, mas, situando-se o seu final nos momentos imediatamente seguidos (ainda que bastante afastados) ao epílogo d’A Guerra Diurna, quero crer que não é verdadeiramente um conto, mas sim uma iniciação a’O Trono dos Crânios.

Ainda assim, o Autor continua a mostrar porque é um dos melhores criadores de personagens fantásticos da actualidade.

Como se o Homem Pintado, a Renna, a herbanária Leesha, o jogral Roger, o Shar’Dama Ka Jardir ou a sua mulher, a Damaji’ting Inevera, não bastassem para nos retorcermos todos à procura de um motivo para escolher por qual delas torcermos, agora ainda temos o Lamacento Briar…

E tudo num conto fantástico sem espadas, apenas lanças e magia, muita magia.