Monthly Archives: Julho 2016

O Verão

O Verão chegou.

O calor já não nos deixa dormir, a brisa é quente e as pás das ventoinhas parecem ventoinhar apenas para não tornar o nosso descanso ausente de sono. Até os lençóis em cima queimam. Nem sequer há correntes de ar para nos refrescar os corpos desnudos ou pedras de gelo que não derretam logo junto dos nossos lábios secos e meio gretados.

O cabelo salgado e desgrenhado? Que agradável. Banhos no mar? Quero é sempre os calções de banho molhados de águas algarvias. E os chinelos e os pés descalços? Haverá algo que nos liberte mais que ter os pés frescos? Isto sim é a melhor parte do Verão.

Temporariamente, os turistas ou os emigrantes começam a convergir para este cantinho português. É altura de ver caras novas e abraçar outras que a procura do soldo afastou de nós. Há jonhies rubicundos pela falta de creme e bastantes doses de nostalgia carinhosa e fraternal. “Lembras-te quando fomos ali, fizemos assim e acabámos naquilo?”

O chocolate e os bombons derretem. Como não havemos de derreter nós também?A solução?  Lamber gelados com a língua e aproveitar os beijos das calipas e das soleras que em corpos morenos dançam sem parar os seus vestidos brancos. São sabores tropicais de veraneio em noites tão quentes como breves.

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O Mundo a Teus Pés

Expliquem-me, sucessores do resistente Viriato, do conquistador D. Afonso Henriques, do pai da língua D. Dinis, do bastardo D. João I, do santo defensor da pátria D. Nuno Alvares Pereira, do pioneiro Infante D. Henrique, do perfeito D. João II,  do descobridor Vasco da Gama, do Épico Luís Camões, do restaurador D. João IV e do Poeta Fernando Pessoa, o que se sente ao ter o mundo a nossos pés, mesmo que só um bocadinho?

É bom não é? E é indescritível.

Mesmo que a dupla Merkel-Schauble ou o Juncker venha hoje estragar a festa portuguesa, a sensação continuará a ser boa. E sabem porquê? Porque nós aguentamos, nós resistimos e, um dia, perto ou longe, daremos novamente o exemplo do que é ser melhor do que os outros.

Fomos pioneiros a explorar o mar, a dobrar o desconhecido descobrindo continentes ocultos, fomos os primeiros europeus a dizer basta à escravidão e fomos os primeiros a fazer uma revolução com simples cravos vermelhos.

Porque ser português não é apenas desenrascarmo-nos, não é apenas darmo-nos à melancolia e nem é sequer curvarmos perante os outros. É  ser oportunista, é festejar apenas quando há algo para festejar, é fazermo-nos de parvos como uma pomba e atacar vertiginosamente como um falcão. Por isso é que o mais idiota dos portugueses vinga em locais francos, germânicos, britânicos e no resto.

Os outros pensam que são bons, mas nós, portugueses, somos mesmo bons.

E, no fim, até os comemos!

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Alguns pensamentos sobre Portugal

O que se alcançou, ontem, no dia 10 de Julho? Algo inédito, um título desportivo que nos fugia há demasiado tempo. Um Campeonato Europeu de Selecções. Fantástico! Parabéns à equipa das quinas.

Tal conquista conseguiu catalizar alegria nesta eterna nostalgia que é o fado português? Sim conseguiu, sem sombra de dúvida.

Se é algo que fica para os anais da História? Até que o futebol seja substituído por outro desporto mais interessante ficará com toda a certeza.

Mas, entretanto, o prestígio de ver o nosso nome associado a uma conquista europeia nos noticiários de todo o mundo é um bálsamo. Normalmente, o nome Portugal surge sempre aparceirado a palavras como crises, défices e outras que tais. É bom ver o nosso nome ser novamente associado a palavras com conquista, vitória e lágrimas de alegria.

Não chorei, mas cantei bem alto o hino hoje.

E soube-me bem.

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Foto de Correio da Manhã