Category Archives: Tolices

Desinspiração

A chuva cinzenta não
Borrou a tinta destas
Rimas nem destes versos;
Faltam-me os verbos e
Não, não foi o vento
Que levou minha arte.
Fugiram-me do peito a
Musa morena e os nomes
E os pronomes, todos eles
Fugiram, como um moscardo,
A este bardo, deixando-me só
Desinspirado e desvairado.

 

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Podes ir, fico aqui…

Podes ir, fico aqui
Até vires e voltares,
Mas, se conseguires –
E não importa se é caro –
Volta no vôo mais rápido,
Na lancha mais veloz,
E pela trilha mais curta.

Podes cortar por um atalho,
Saltar por cima dos muros
E escalar lesta até as fragas
Deste distanciar que aqui
Vem, mas, por favor, corre só
De volta para este coração aqui
Guardado e só por ti aguardando.

 


Inspiração…

Amor, quando me conheceste
Eu era um tonto sem inspiração
Que não sonhava ser o poeta
Que hoje sou de alma e coração.

Sem versos e sem rimas, este
Eu era só mais uma decepção
À procura de algo sem emoção
Em vez da mais segura direcção.

Felizmente, advindo do sudoeste,
Esse beijo quente e a nossa relação
Ensinaram-me em jeito de revelação
Que o amor não existe só na ficção.


The Dark Tower – Filme

The Dark Tower

de Nikolaj Arcel

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Trocadilhando com sotaque brasileiro, um baseado é um pedaço de droga enrolada em mortalha. E este filme, baseado na obra de Stephen King, é apenas e tão só isso mesmo: um baseado de merda.

Aproveitam-se os nomes, aproveitam-se alguns números e algumas ideias, dá-se-lhes uma cor nova (como sucedeu no caso do Pistoleiro) e vamos lá começar a escrever um guião parecido com aquela treta de saga que, só por acaso, é a obra predilecta desse escritor tão pouco conhecido que é o Stephen King.

FODA-SE! Devolvam-me o meu dinheiro, por favor!

Não há um único ponto forte neste filme e até o super Matthew McConaghey se mostra sofrível e… enfim… no papel de uma personagem unidimensional.

Ahhh!!! Que diabos levam alguém como essa amostra de argumentista chamado Akiva Goldsman (vejam aqui o que já escrevi sobre ele), cujo sucesso até à data é relativo, a achar que pode mudar por completo a saga The Dark Tower?

Sinceramente, como se a história de Idris Elba vestir a pele do Pistoleiro não desse já azo a desconfianças, muda-se também a gênese do personagem? É o meu Roland, dirá Akiva… e nós dizemos: vai-te foder, Akiva!

Roland Deschain busca a Torre Negra, não busca vingança! Como é possivel inverter até o essencial das coisas neste filme baseado de merda? Nem sequer há a grande decisão do livro ou outra qualquer digna de nota. Nem sequer as cenas de pistoladas são boas…

Um amigo meu comentou em jeito de brincadeira que esta versão de The Dark Tower deve ser uma versão do outro onde e quando de Akiva Goldsman. Sinceramente, espero nunca vir a conhecer o mundo deste idiota armado em defensor da igualdade de raças… Deve ser só trevas e fogo…

Em suma, este filme é apenas uma punheta sofrível, gratuita e medíocre (acho que nunca avaliei tão pobremente  um filme); pelo que merece certamente ser esquecido o mais depressa possível. Aliás, já!

Vou voltar ao sétimo livro da saga e acabar de ler essa maravilhosa obra original de Stephen King…

PS: A sério, será que ninguém vê Game of Thrones? Isso sim é uma obra de arte baseado numa grande obra literária.

 


A minha única lei

Em sorrisos de largura amena
Minhas mãos e a sua dezena
Acarinham essa pele morena

E, sem verbos, mas com o eco
Dum silêncio inquieto, eu peco
Mais que mil ladrões num beco.

Beijo-te muito e por todo o lado
E tu, às tantas, num sonoro brado
Pedes-me alto: só mais um bocado!

Nesse momento, serei eu um rei?
Talvez sim, talvez não; não o sei,
Só sei que o amor é minha única lei.


Indiferente

Estás cega? Não vês que me sufocas com o tanto que as tuas mãos me apertam e os teus braços me seguram? Tens medo? Sim, talvez tenhas medo daquilo que não controlas e talvez teu maior medo seja mesmo o de não me poderes controlar. Contudo, desculpa-me: não aguento perder mais um segundo aqui contigo! Tudo aquilo que pensaste que eu podia ser caiu do céu e morreu na terra, tal como a primeira pessoa do plural morreu contigo e bem à tua frente!

E porquê?

Porque estou cansado de ser o que queres que eu seja! Porque estou cada vez mais descrente nisto nosso que já não é bem nosso! Porque me afoguei perdido neste mar agitado e voltei à tona boiando ainda mais perdido! E, por fim, porque não sei o que esperavas de mim ao exigires-me com tanta força para que seguisse caminhando com os teus sapatos, com as tuas botas e desfilando até dentro das tuas saias.

E o pior?

O pior é que cada passo que dava era só mais um passo errado noutra direcção, um trilho enganado ou certamente um fado equivocado e sem sentido. Errei, em ti, tantas vezes que meu erro se tornou indiferente e nessa indiferença de erros rotineiros me indiferenciei de ti até ao ponto de se me esgotar  o excessivo tanto que amava em ti. Finalmente, um pouco mais em mim, despertei ciente do que era realmente preciso: ser menos como tu, ser mais como eu.

Vou falhar?

Sim, eu sei que posso acabar falhando também. Sei que posso cair num buraco, pisar uma armadilha ou mergulhar num abismo ainda mais profundo que este. Todavia, por favor, não ignores que és apenas como eu: um alguém com outro alguém tremendamente desapontando, francamente desiludido e agradavelmente desenganado.

Estou diferente?

Não, estou apenas… indiferente!

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Mind Devour by Sebastian Eriksson


Roseira Brava

Uma roseira brava, outrora cheia de espinhos, viçosos e aguçados,foi ficando uma rosa amestrada, complacente com a tesoura que lhe podava o carácter e a alma; tudo porque queria de si mesma apenas o perfume aveludado das suas pétalas vermelhas.

Como uma desconhecida que se desconhece a si mesma, foi-se desapegando das raízes como se o leite que o ventre da mãe-terra lhe deu não fosse a seiva que lhe empurrou o verdíneo caule para cima, para crescer, ainda que torto.

Sempre a troco do melhor lugar ao sol, foi ignorando a roseira a falta de espinhos e o cair das suas próprias folhas, o cair das unhas e dos pulmões, até que em vez da elegante tesoura de podar veio a última serra findando assim a sua pobre história.