Category Archives: Explosão de personalidade

Turtles All The Way Down

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Turtles All The Way Down
de John Green

Primeira imersão na obra deste Autor que me chamou a atenção pelas histórias que serviram de base aos filme  The Fault in Our Stars (que apesar de muito bom não pretendo voltar a ver tão depressa…) e Paper Towns.

E o que achei?

Bem, quanto ao argumento, tem um fio condutor narrativo pequeno pequenino: O que sucedeu ao pai milionário do interesse amoroso de Aza Holmes. O que se passou? E é basicamente isto.

Claro que tal enredo pequeno pequenino é de propósito, uma vez que o objectivo do Autor é dar-nos a conhecer Aza Holmes, ou Holmesy (como carinhosamente é tratada pela sua melhor amiga…); uma miúda aparentemente normal que vive com um transtorno obsessivo compulsivo bastante inquietante.

Através da própria experiência do Autor, tomamos contacto do modo como esta doença se manifesta silenciosamente mesmo que à vista de todos, os diversos problemas que esta doença causa e os perigos que representa para quem dela sofre. Os rituais exaustivos sempre obrigatórios, os problemas relativos ao isolamento, a capacidade de não conseguir revelar o que se passa mesmo quando quer, o sofrimento causado pela consciência da presença da loucura e, por fim, o risco para o próprio corpo.

O Autor aborda bastante bem este problema e através de metáforas objectivas e certeiras consegue-nos mostrar um pouco da aflição com que algumas pessoas se debatem diariamente.

E está muito bem conseguido até aqui.

E digo até aqui porque em certo ponto, bastante perto do final, percebemos que alguém conta a história mas de uma forma algo atabalhoada. O Autor era capaz de ter um pouco mais para dar na minha humilde opinião e tal não tornaria o livro demasiado cansativo.

Aza Holmes é uma menina que fica nos nossos corações.

PS: Uma breve nota de rodapé para a minha discordância quanto ao título dado pela editora portuguesa à tradução da obra. Ainda que perceba perfeitamente o título Mil Vezes Adeus preferia uma tradução mais aproximada de Turtles All The Way Down; algo como É só Tartarugas Por Aí Abaixo ou Tartarugas Até ao Infinito ou Tartarugas e Tartarugas e Tartarugas. É que a primeira é uma possível interpretação de um leitor; o título original remete-nos para o que é realmente importante nesta história: o problemático eu interior de Holmesy.

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Mission Impossible: Fallout

Depois de ver o último trailer de Mission Impossible: Fallout, confesso, até fiquei com arrepios. Saber que Tom Cruise até partiu o próprio tornozelo e continuou a filmar ajuda, mas, vamos ser sinceros, saber que Ethan Hunt tem mais uma missão impossível mexe com tudo o que de geek há em mim.

Desta vez, parece-me, a missão de Hunt (caso decida aceitá-la) é a de derrotar o próprio Superman.

Impossível?

Não me parece…


O Grande Bazar e outras histórias

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by 1001 Mundos

O Grande Bazar e outras histórias

de Peter V. Brett

O Ciclo dos Demónios de Peter V. Brett é uma das minhas obras preferidas de fantasia. O Homem Pintado, A Lança do Deserto e A Guerra Diurna foram sempre espectaculares, infalíveis e guardo dessas leituras as melhores recordações. A história parte de uma premissa simples, a noite está cheia de demónios que pretendem o fim da humanidade e esta tenta sobreviver a todo o custo. Contudo, no seu centro, a história é tudo menos simples. Existe conflito entre as ideias do pai e as ideias de um filho, explora-se o conflito entre os costumes sociais e as escolhas pessoais do individuo, prima-se pela ausência de personagens totalmente boas e pela ausência de personagens totalmente más, temos a tragédia, o trauma, a esperança, a intriga e… estava aqui o dia todo.

Entrando na obra em si, é uma antologia de três contos.

Os dois primeiros exploram as primeiras aventuras de um dos maiores protagonistas do Ciclo dos Demónios antes de ser ter tornado o herói que actualmente é no final d’A Guerra Diurna. Mostram-nos que a coragem não vem sozinha, vem sempre acompanhada por conhecimentos, espertezas e princípios; tudo o resto é vão. Para quem admira Arlen Bales (Arlen Fardos, nome muito mais bonito na tradução portuguesa…) e também um conhecido mercador krasiano, são dois contos que nos fazem admirar ainda mais estas duas personagens.

Quanto ao terceiro conto, o mesmo é interessante, explorando tanto uma nova personagem, o Lamacento Bryar Damaj, nascido de uma tragédia, e o velho padrinho de Arlen, o Mensageiro Ragen. O enredo prende-se com um resgate, mas, situando-se o seu final nos momentos imediatamente seguidos (ainda que bastante afastados) ao epílogo d’A Guerra Diurna, quero crer que não é verdadeiramente um conto, mas sim uma iniciação a’O Trono dos Crânios.

Ainda assim, o Autor continua a mostrar porque é um dos melhores criadores de personagens fantásticos da actualidade.

Como se o Homem Pintado, a Renna, a herbanária Leesha, o jogral Roger, o Shar’Dama Ka Jardir ou a sua mulher, a Damaji’ting Inevera, não bastassem para nos retorcermos todos à procura de um motivo para escolher por qual delas torcermos, agora ainda temos o Lamacento Briar…

E tudo num conto fantástico sem espadas, apenas lanças e magia, muita magia.


O Trono dos Crânios

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by 1001 Mundos

O Trono dos Crânios

de

Peter V. Brett

Há livros e histórias que não cansam e o Ciclo dos Demónios é uma dessas obras. Mais umas oito centenas de páginas, e continuo a ansiar por mais. Quero, quase desesperado, saber como acaba esta história. Infelizmente, só para Maio (se tudo correr bem…) é que devo ter acesso ao referido capítulo final da história.

Mas, enquanto o último livro não sai, o que há para dizer deste Trono dos Crânios?

Que é um livro essencialmente focado nos “protagonistas secundários”. Os conhecidos Leesha, Roger, Inevera, Abban e Briar têm um merecidíssimo destaque nesta obra; ao contrário de Arlen (agora seguido para todo o lado pela sua Renna) e de Jardir, que conseguem um grande feito, mas pouco mais deles se sabe. Destaque também para personagens secundários como as esposas krasianas de Roger, Amanvah e Sikvah, para os dois filhos mais velhos do Libertador, Jayan e Asome, e para a corte de Angiers com o conde Thamos à cabeça. Contudo, neste livro, temos uma nova protagonista incluída, Ashia, e, talvez por ser nova, foi a que mais me chamou à atenção neste livro.

Quanto ao enredo, ficou algo parado no que há história de Arlen diz respeito e quanto ao que há a descobrir quanto aos demónios (ficamos com água na boca para saber mais sobre o Consorte e seus amigos, mas é tudo…). Contudo, quanto a batalhas diurnas, batalhas noturnas, batalhas políticas e batalhas familiares é uma fartura açucarada. Conflito, conflito, conflito aos montes; tal como se quer num bom livro!

Por fim, há que referir a capacidade do Autor para contar histórias sem perder grande tempo com miudezas. Claro que neste quarto livro já não há muito a saber sobre passados e segredos ocultos, o conflito é constante, o drama também e a magia reverbera por todos os lados na prosa concisa, simples e leve do Autor. Não há descrições capazes de cortar o ritmo da história!

É simplesmente fascinante, inteligente e maravilhoso este Ciclo dos Demónios.

Venha o último capítulo!


Febres Passageiras

A comunicação social, as redes sociais, as políticas de comunicação de instituições públicas e privadas muito têm contribuído para as explosões febris, diarreias verbais e gestos revoltados que por vezes nos tomam.

Bandido! Incompetente! Burro! Corrupto!

Tudo sentenças sumaríssimas, tudo saques de gatilho rápido e, como é óbvio, tudo injusto.

Hoje estava a ver o meu clube jogar, em certo momento o clube adversário marcou um golo e eu chamei os nomes todos aos meus jogadores até findar a primeira parte e ainda durante o intervalo. Mais tarde, a minha equipa empatou e venceu por quatro golos de diferença.

Findo o encontro, volto a olhar para trás, recordo a primeira parte e percebo que fui algo precipitado e injusto. Estava temporariamente febril, atacado por uma imprópria linguagem e até os meus amigos assustei com os meus modos, admito.

Dir-me-ão que é futebol, que acontece; mas eu não gosto de desculpas.

ERREI!

Preciso de ser mais forte, mais ponderado. Preciso aprender a engolir mais um pouco deste coração tonto que me quer saltar pela boca e obrigar esta cabeça serena a devolvê-lo ao seu lugar, no centro do peito, levemente descaído para a esquerda.


O Desolado

Segue o Desolado seu desfado
E não se ouve o passo arrastado,
Só o esbafo do cavalo cansado
E o abutre faminto e assustado.

Já a pé, rompe o céu e a bota,
Molha-se a meia até ficar rota
E das bolhas rompe uma gota
Triste pelo avistar da derrota.

Ruíram e arderam todas as obras,
Já nem no lixo restam as sobras
E só o perseguem agora as cobras.

Diz Desolado, a que te agarras
Tão derrotado e com as garras
Gastas? A que tanto te amarras?


Luz Eterna…

E vindo o Fim do Mundo
Em fogo, gelo e destroços
Mergulhados neste fundo
Do abismo cheio de ossos,

O amor, sincero e profundo,
Resistiu, aliando esforços,
Floriu, mesmo sujo e imundo,
E gerou frutos como reforços.

Ah! que luz eterna, brilhante
E das estrelas mui semelhante
Ligando todo o perdido distante.

Ah! que luz tão quente e forte
Desafiando os filhos do desnorte
E amparando-os até à morte!