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Advogado do Diabo

Eu queria não ser aquele tipo que se preocupa em enviar emails a jornalistas, dando conta, de forma objectiva, que detectei imprecisões claras no texto deles.

Eu queria não ser aquele tipo a quem devolvem uma gentileza com acusações de iliteracia e que eu não percebo nada daquilo que leio.

Eu queria não ser aquele tipo cuja opinião sobre jornalistas é exatamente a mesma que tenho pelos políticos e por todos os outros que adoram ser preguiçosos ao mesmo tempo que proactivam a sua qualidade de papagaios.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que:

  1. Os jornalistas imprecisos vão permitir
  2. Que os corruptos políticos tomem o poder
  3. Aos injustos procuradores justiceiros,
  4. Aos relaxados e soberanos juízes que actuam como funcionários públicos
  5. E ao inerte povo sem ideias.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que ninguém respeita advogados; já que terei que ser eu, advogado, a escrever pelas vitimas, a alegar pelos inocentes, a clamar por justiça, a lutar contra a injustiça, a ir preso por ser um cidadão exemplar e a ser saneado publicamente de modo a recordar às pessoas o que é o Estado de Direito Democrático.

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Sem pensar muito…

Quando o dia ’tá errado
Quando o clima ’tá pesado
E quando tudo ’tá ferrado,

Respira fundo, muito fundo,

E solta deliberadamente,
Calmamente e precisamente
Um grande: FODA-SE GENTE!!!

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Correr de Verdade

Forasteiro, tu, que és de fora por agora,
Tu, que vens donde só se fulmina o céu,
Não sabes o que é correr, correr, correr
Nem o que é correr para fugir de verdade
E para lá, bem para lá, do finado fôlego.

Forasteiro, tu, que não és cá de perto,
Tu, que vens lá de longe, muito longe,
Não sabes o que é correr zunindo tiros
Nem o que é correr de balas perdidas
Por entre o caos, o terror e a agonia.

Forasteiro, tu, que ainda te fartas de rir,
Tu, que desconheces o azar de aqui vir,
Não sabes o que é correr da vizinha morte
Nem sabes o que é correr para continuar
Vivendo nas ruas e ruelas destas favelas.

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favela_by_martinduggan

PS: A tentativa lírica de cima é em honra de todas as pessoas que me são queridas e que vivem num dos países com mais recursos do mundo, mas onde impera ainda a pobreza de espírito, o crime e a fraqueza política.

Fica aqui o meu presente para vocês, meus queridos corajosos.

Que Deus não vos falhe a vós e não falhe também aos vossos queridos.


Conhecer a pessoa…

Se souberes o que uma pessoa recorda, se souberes o que dói a uma pessoa e se souberes os medos que a pessoa tem, parabéns, conheces a pessoa por completo…


De Cicatriz em Cicatriz…

Na vida, sempre um aprendiz
Buscando formas de ser feliz,
Mas, como Dante por Beatriz,
Vivo de cicatriz em cicatriz

E, mais que muito machucado,
Continuo à busca dum ducado,
Dum paraíso obscuro, intocado
E talvez de defeito delicado.

E não, não estou aqui doente,
Só que dói como um sol poente
Em dia de Inverno prepotente,

Dói como faca cravada no peito,
Dói como todo o feito defeito
Deste sujeito sempre imperfeito.

 

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African man with scars by Christian Luneborg


Frio…

Aqui, perdido e vazio,
Sentindo o lado frio
Da cama, estendo sombrio
A minha mão e esvazio-me

De esperança! Não resta
Mais nada aqui nesta
Hora em que esta besta
Tenta só dormir a sesta?

E sem o calor do sol além,
Será que tens frio também?
Ou será que já tens alguém
E eu passei a ser ninguém?

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Antecedentes…

Quanto de mal tem mal
Quando a maldade surge
Da memória do passado
Da mágoa do presente
E do medo do futuro?

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