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Pesadelos e Sonhos

Haverá melhor sensação do que acordar em sobressalto e, já depois de percebermos que era só um pesadelo, voltarmos a cair na almofada suspirando de descanso?

Era só um pesadelo, já passou…

Vai ficar tudo bem, não tenhas medo…

Vamos voltar a dormir e desta vez sem cobras, aranhas, labirintos, cordas, doenças, defuntos em decomposição avançada, demónios, morte… portanto, desta vez sem pesadelos!

Haverá muitas sensações como esta? Acho que não…

Naquele momento em que suspiramos, damos graças por estar tudo bem, agradecemos à providência divina por nos livrar do mal mais um dia e, mesmo antes de regressarmos ao reino dos sonos, damos por nós gratos por termos percebido o quão sortudos somos por ter pesadelos…

É que se não fossem os pesadelos, como poderíamos nós dar valor aos nossos sonhos?

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Morfeu, deus grego dos sonhos…

 

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Cachorro Abandonado…

Quero apagar tuas músicas
E jogar fora essas melodias e
Essas letras que me fazem
Lembrar de ti a dançar e a
Balancear sorrindo sem jeito.

Quero queimar as tuas fotos
E jogar fora todas as imagens
E montagens que me fazem
Lembrar das noites infindas
A sorrir por te ter comigo.

E quero romper esta pulseira
E jogar fora todos os presentes
E todas as ofertas que me fazem
Lembrar de quando te lembravas
Deste cachorro abandonado…

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Só quero que te vás…

Acabou, morreu, é o fim…
Não tem mais como nem
Quando nem porquê…
Terminou, estou farto da
Dor, de sonos penados
E dos choros decorados…
Afasta-te, corre e sai só
Senão eu empurro-te
E jogo-te para longe
E eu não quero isso
Só quero paz, alguma paz,
Só quero que te vás…


Sem paciência…

Sem paciência para o drama
Da moça que não sei se me ama
Ou se prefere ser solta dama,
Hoje só quero sair desta cama
E esquecer tudo, toda a grama
Deste peso vazio que me trama…


Abelhinha…

Voando e zumbindo pelo ar,
Vieste pousar no meu peito,
Abelhinha, e foi nesse lugar
Que aprendi sem preconceito

A loucura melíflua de amar
Teu perfume e o teu perfeito
Beijo e, já perdido, a imaginar
O meu doce desejo satisfeito.

Mas, Abelhinha, tu tens ferrão
E ferraste-me agora e sem razão,
Inchando de pronto este coração

Com dor, impotência e um vazio
Que, por causa desse teu desvio
Sombrio, é o maior que já se viu!


Dar um tempo…

Quiseste dar um tempo
A este pobre vagabundo
E eu, com tanto tempo,
Cai e bati neste fundo

Onde nenhum passatempo
Me facilita cada segundo,
Onde cada vil contratempo
Me agonia e fere profundo

Como um destino sem frutos
E onde sinto estes minutos
A arranhar-me, bem brutos,

Enquanto oiço bater a hora
No relógio que também chora
E anuncia que nada melhora…


Perdido…

Estou perdido…
E não me acho a mim…
Nem te acho a ti…
Não sei onde andas…
Nem o que sentes mais…
Só sei que continuo aqui…
Mas está ficando difícil…
Está custando muito…
Está doendo muito…
E não ajudas muito…
E eu não sei mais como…
Eu não sei, não sei, não sei…
Como parar este vazio…
Como parar este remoinho…
E como manter-me de pé…
Perante essa distância…
Perante essa confusão…
Perante essa frigidez…
Estás mais distante que nunca…
E eu bem tento…
Tento chegar-me…
Tento aproximar-me…
Tento acercar-me…
Mas foges e esgueiras-te…
E escondes-te e quebras-me…
Quebras-me as forças…
Nas pernas, nos joelhos, no estômago…
Nas mãos, nos braços, no peito…
E estou cansado, quase esgotado…
De correr, de puxar, de lutar…
Só, sozinho, solitário…
E, se não dá mais, diz…
Ou grita…
Grita com força…
Grita com raiva…
GRITA-ME, MERDA!…
Grita-me até que oiça tudo…
Pois se precisas de lutar…
Para te lembrares…
Para te importares…
Se precisas de lutar…
DE LUTAR…
Para me amar…
Talvez não esteja só eu…
Perdido…
Talvez já esteja tudo…
Perdido…

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