Category Archives: Críticas

Crítica Justice League

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Justice League

de

Zack Snyder

Acabei agora de ver um dos filmes mais esperados do ano e sinceramente não posso dizer que esteja desiludido. Antes pelo contrário, posso dizer que excedeu as minhas expectativas.

Infelizmente, a tragédia pessoal que assolou a vida de Zach Snyder e provocou a intervenção de Joss Whedon veio a resultar numa simbiose quase perfeita entre a visão cinematográfica bastante estilizada de Snyder e a importância que Whedon dá às personagens no roteiro de um filme.

E não me interpretem mal, continuo a achar que o filme BvS: Dawn of Justice continua muito bom, sombrio, tal e qual um filme sobre a morte de um símbolo de esperança deve ser. Se alguém quer matar o Superman no grande ecrã, tem que ter um tom agreste, horrível e carregado de trevas.

No entanto, na senda de Wonder Woman, que nos falou da importância da paz e na extrema urgência de de lutar contra a guerra num tom muito próprio, este Justice League tem também o seu tom mais luminoso, com uma mensagem de esperança ainda mais forte.

Dirão alguns que todos os filmes da DCEU deviam ter este tom.

Eu discordo.

Cada filme é um filme e deve ter o tom que melhor se adequa à narrativa e à mensagem que merece ser passada. Man of Steel teve um tom mais épico,
BvS: Dawn of Justice teve outro tom mais negro, Wonder Woman iluminou um pouco as coisas e este Justice League veio dizer-nos para continuarmos a acreditar, para continuarmos a olhar para o céu.

E haveria tanto mais para dizer quanto ao tom, mas fiquemos por aqui…

Quanto ao argumento em si, após a chamada de Lex Luthor, Steppenwolf respondeu ao chamamento e regressou à Terra para lançar o inferno primordial sobre o nosso planeta. Compete agora ao Batman e à Wonder Woman juntar uma equipa de seres fenomenais de modo a travar as intenções do vilão. É a típica história de quadradinhos relativamente a um grupo de super-heróis; nada mais simples e que, cumprindo a fórmula, resulta na perfeição.

Claro que ao contrário dos filmes da Marvel (comparação inevitável), acontece a necessidade de conhecermos uma data de gente nova: Flash (numa versão mais cómica e ligeira que o da série televisiva), Aquaman (o mais badass de todos) e Cyborg (aflito com a possibilidade de deixar de ser uma pessoa e passar a ser uma máquina).

E o que dizer mais destes três?

Que são formidáveis, verdadeiramente formidáveis!

O roteiro passa apenas a mão sobre a superfície da água e não mergulha de todo nas suas profundezas, nas suas complicadas histórias pessoais. Tal fica para outras núpcias a solo e muito bem. Vale por dizer que se releva o essencial das suas personalidades, os seus desejos, os seus problemas e os seus poderes.

Mais pontos fortes, explorando o sentimento de culpa de Batman quanto à morte do Superman e o luto que a Wonder Woman ainda carrega após ver Steve Trevor morrer dá-nos um sentimento de continuação em relação aos outros filmes. Ademais, é óptima a química que continua a acompanhar o morcego e a amazona.

Quanto ao Superman, o seu regresso é poderoso e significante; algo que vai muito além do simples “S” que traz ao peito. Superman nunca esteve em tão boa forma como com Henry Cavil. Claro que olhos mais atentos vão reparar no bigode removido, mas os olhos menos atentos vão deixar passar… No entanto, não é tanto por aquilo que o Superman faz, mas por aquilo que conseguiu junto de Batman. Não é fácil tocar o Cavaleiro das Trevas, não é mesmo nada fácil. Todavia, o Último Filho de Krypton conseguiu-o e por isso merece palmas.

Quanto às personagens secundárias, Alfred continua em óptima forma, Lois tem um papel reduzido – e ainda assim muito importante para a história – , Martha serve de memória e Silas Stone, Mera, Jim Gordon, Henry Allen e outros que não vou relevar apresentam-se em muito boa forma também. Especialmente os novos actores deixam-nos ansiosos pelos filmes a solo de Flash, Aquaman e Cyborg. Há tanto potencial nestes filmes que até dói sabermos que ainda vão demorar a sair!

Por fim, o vilão: Steppenwolf.

Sinceramente, acho que a voz de Ciaran Hinds se adapta perfeitamente, mas tudo o resto é algo que percebemos ser digital. Talvez uma maquilhagem à base de próteses como a de Apocalipse no último filme dos X-Men ou a técnica Darth Vader (voz de um actor, actuação física de outro…) se adequava mais a este tipo de filme. O CGI consegue coisas formidáveis, mas por vezes ainda deixa muito a desejar. É o único ponto verdadeiramente negativo que encontro neste filme.

Tudo demais faz Justiça ao nome!

 

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A propósito dos falados assédios e das suas vítimas…

O que vou contar a seguir é uma história verídica que se passou à minha frente:

Num antigo trabalho, tive uma Colega que em certo dia, enquanto procedia sentada a fazer o seu trabalho à frente de sensivelmente dez clientes (dava cartas numa mesa de póquer), teve o meu director agarrado às costas da sua cadeira a fazer movimentos pélvicos, quase como um cão com cio… só faltava babar-se e relinchar como um cavalo ejaculante!

Os clientes viram, nós, colegas de trabalho, vimos, as câmaras de segurança viram e quem quer que estivesse ali por perto também viu a minha Colega a ser alvo de uma “simples brincadeirinha” do director.

Alguns minutos depois, saída da mesa, a tal minha Colega veio bamboleando-se para junto de mim e de mais alguns colegas e, muito ofendida, refilava: “Vocês viram o que o fulano sicrano me fez? Parecia um cão agarrado à cadeira! Que nojo…”

Ora, ingénuo demais na altura e preocupado com uma colega de trabalho, perguntei-lhe revoltado: “Porque não disseste nada em frente a todos os clientes?” e acrescentei: “Tinhas envergonhado o cabrão em frente a toda a gente…”

E a minha cara Colega respondeu a sorrir: “Oh, ele é o director, não posso fazer nada…”

Sinceramente, com esta moda recente de apontar os dedos, ainda estou à espera de a ver vir para algum jornal a denunciar o porco do meu director…

Terá coragem agora quando não teve há alguns anos em que tinha montes de pessoas prontas a testemunhar a seu favor? Quando tinha câmaras de segurança a filmar o sucedido?


NADA

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by Bertrand

NADA

de

Janne Teller

Tenho sempre algumas reservas quando me sugerem livros advindos do norte da Europa. Talvez seja um gosto adquirido essas leituras nórdicas, ou talvez não no meu humilde caso. Sucede que há já algum tempo que acho que os autores nórdicos são algo álgidos e com temáticas dignas de causar transtornos psicológicos ao mais preparado dos seres; algo em que, sinceramente, não me apetece mergulhar com grande regularidade (já me basta a nossa realidade…).

Sucede que me tinham falado demasiado bem deste livro e, chegado a certo ponto, não deu para resistir à sedutora publicidade “Proibido na Dinamarca”. Sim, num país cheio de liberdades proibir um livro…? (Whiskey Foxtrot Tango?!?!?). Tenho mesmo que ler isto senão nunca vou saber o que…

Enfim, comprei-o, li-o em pouco mais de umas cinco horas (treze euros de letras para estourar em trezentos minutos…) e, para não fugir à regra, a Autora (dinamarquesa) quase me deixava com fobia de crianças (pedofobia). Lá está, talvez o grande objectivo destes autores nórdicos completamente ensandecidos da pena seja mesmo este: levantam-se a pensar na forma de contar uma história que deixe os leitores transtornados. (Vai lá, vai…)

Mas quanto ao livro:

Primeiramente, este Nada é um simples ensaio em que se encontra presente uma grande dicotomia entre as ideias que se esvaziam no nada e as inúmeras significâncias (ou insignificâncias) que carregam a vida absolutamente senescente de cada ser humano.

Claro que há um enredo: um pequeno jovem gritando do alto de uma árvore que nada tem significado porque vamos todos morrer e uma turminha de adolescentes tresloucados tentando demonstrar ao primeiro, até às últimas e finais consequências, que existem muitas coisas com significado na vida de cada pessoa. Tipo, uns sapatos verdes, uma bicicleta, um par de luvas de boxe, alguns objectos de culto religioso, uma virgindade, um cadáver de um bebé e até mesmo um dedo de um aspirante a guitarrista… como podem ver, tudo converge para um fim extremamente engraçado…  isto se tiverem um daqueles refinadíssimos humores negros.

Sinceramente, penso que este enredo era bom para explorar sob inúmeros pontos de vista. Dava para criar um melodrama juvenil (aquilo por que eu, esperançosamente, esperava quando li a sinopse do livro), dava para criar um tomo densamente filosófico sobre o conflito material versus imaterial, dava para criar uma história sobre a existência ou inexistência inata de limites nos adolescentes e dava para criar uma absoluta confusão de historietas secundárias com tantas personagens que a Autora criou.

Contudo, a Autora não quis ir por aí; preferiu trilhar por um caminho mais frio, trágico e bastante perturbado; levantando bastantes perguntas pelo caminho e no final (daqueles que não permitem grandes sequelas, louvado seja o Senhor…) ficamos apenas com uma daquelas doidas lunáticas monologando sem apresentar grandes respostas a todas as perguntas que se foram levantando ao longo de pouco mais de cento e cinquenta páginas.

Ainda assim, e porque é justo fazê-lo, aqui fica o que retirei deste livro: O que somos sem todas as coisas a que damos significado? Nada! O que somos com todas as coisas a que damos significado? Nada! E porque somos apenas Nada?!?!? Porque quando morremos continuamos a ser Nada, ora foda-se…

Percebem agora porque não gosto muito dos escritos boreais?

PS: A sério, Janne Teller, temo sinceramente que algum dia te confiem a missão de alegrares o teu gato, o teu cão, o teu companheiro de vida ou até os teus filhotes. “Oh coisinha fofa, sabes uma coisa? Não chores, não vale a pena. Mesmo com tudo, não temos nada! Vamos todos morrer…”


A Torre Negra

A Torre Negra

A Torra Negra- Livro 7

De Stephen King

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by Bertrand

A demanda pela Torre Negra terminou. Terá terminado como eu esperava ou gostava que terminasse? Acho que não. Acho que, tal como Roland diz, quando nos acercamos do nosso objectivo há sempre uma última onda que nos tenta afastar da margem; só que o problema foi mesmo esse. Não houve uma onda que sentíssemos verdadeiramente a tentar empurrar o Pistoleiro para longe da torre…

Quanto a vilões, a lista neste livro é interminável: Sayre, Dandelo, os taheens… tudo prontamente esquecível. A morte do Feiticeiro Negro, aquela que mais aguardávamos desde que o sacana deixara a porta entreaberta do quarto da mãe de Roland, foi a que mais desiludiu. Mordred, que até começou bem, revelou-se um fiasco tremendo, morto com uns poucos tiros e levando a coisinha mais fofa do mundo com ele. Finalmente, o Rei Rubro que de infernal nada teve no final. Tudo confrontos olvidáveis. A meu ver, o único vilão de jeito, foi mesmo o asqueroso Pimli Prentiss, cuja pontaria nos levou um membro muito querido quando já não estávamos à espera que tal acontecesse. A sério, um capítulo final a meu ver não deve ser apressado, mas, porra, tentar juntar todos os vilões no último capítulo não podia dar bom resultado…

Quanto ao ritmo da narrativa, o mesmo não se adequa de todo a um final; é completamente anticlimático. Roland torna a voltar ao nosso mundo para, mais uma vez, salvar King da merda de um atropelamento (que aconteceu mesmo), voltamos a uma viagem sem propósito à Tet-Corporation e aquela interminável parte das Terras Brancas… bem, digamos que me gelou a paciência. Depois ainda veio Patrick Danville no fim, um personagem em si bom, mas completamente deslocado da história… apenas e tão só para derrotar o vilão que todos esperavam que fosse o Pistoleiro, com uma única bala, a derrotar. Seria pedir muito?

E quando ao final da história de Susannah Dean? Não podia ter terminado de forma tão chocha um personagem tão interessante. Estou quase a chegar à Torre com Roland, mas talvez seja melhor não. “É melhor voltar parta trás depois de ter chegado tão longe…”

Adiante, a Torre Negra, o último capítulo da demanda do Pistoleiro. O que havia no seu interior e no último piso? Tudo? Nada? Um ponto de chegada que será apenas uma nova partida? Foi bem conseguida essa parte, mas podia ter sido muito melhor se o Autor tivesse despejado melhor a sua arte nos três últimos livros da história (especialmente deste último).

 

***

Olhando para o conjunto da obra, não posso deixar de apontar algo que gostaria de ter visto e que não aconteceu de todo assim que o Ka-tet chegou a Calla Bryn Sturgis:

No quinto livro, após a Batalha de Callas, Roland e o ka-tet deviam ter ido imediatamente até Algul Siento e acabado o trabalho; poupando muito tempo do último capítulo. Teria muito mais força Mia ganhar o controlo do corpo de Susannah se esta tivesse ai visto a morte que lá ocorreu…

N’A Canção de Susannah, porque não ter logo inserido a tão desejada batalhada entre Roland e Walter que nunca chegou a acontecer? Será que havia melhor agente do Rei Rubro para tentar acabar com a vida a Stephen King? Porque não colocar Roland frente a frente com o homem que lhe papou a mãe, foi o responsável pela ruína da sua casa, lhe matou o melhor amigo e o molestou durante tanto tempo?

Dandelo, Mordred e o Rei Rubro no último livro podiam ter sido tão, mas tão melhor usados; um para cada membro do ka-tet. Porque não começar por colocar o ka-tet a enfrentar uma criatura como o Dandelo logo no início da história e Susannah o puto-aranha? Se tivesse ido bem mais longe do que foi no quinto livro, haveria muito por onde escolher, mas não…

Porque não permitir que Dandelo apagasse mais um membro do grupo logo no início e não dar a Jake uma morte como a que deram? Atropelado? Por amor de Gan!!!

Porque não permitir a um membro do ka-tet alcançar a torre na companhia de Roland?

Porque não colocar Roland numa mesma situação idêntica ao do primeiro livro? Numa situação em que tivesse de escolher sobre a sua torre e um dos seus companheiros? Roland evoluiu ou não? Provavelmente, não e tal seria o perfeito fechar do círculo, algo que se pretende sempre… e depois sim podia vir o twist final.

É que assim, fosse a escolha de Roland qual fosse, tudo daria um sentido ainda mais forte à definição final da história. Voltaria atrás com um propósito melhor ainda, maior ainda… tudo faria mais sentido. Assim é um final que, não sendo mau, deixa muito a desejar.

***

E pronto, fiquei tão desiludido com o final da história que não pretendo voltar a ela tão depressa. Empurrei a A Lenda do Vento para a pilha dos livros que vou ler daqui a uns anos.


A Canção de Susannah

A Canção de Susannah

A Torre Negra – Livro 6

De Stephen King

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by Bertrand

Finalmente, depois do sensaborão quinto livro da saga, temos um livro que nos volta a encher de vontade de virar páginas até ao seu término. Claro que não é tão bom como o primeiro livro, mas é tão bom como a segunda obra da série. Ou seja, é muito bom.

Depois do sucesso do confronto com os robóticos lobos, Mia apodera-se do corpo de Susannah e atravessa uma porta para um certo ano de 1999 de Nova Iorque, roubando a Treze Negra e dificultando a travessia de mundos. Contudo, claro está, o ka-tet, encontra uma possibilidade de atravessar os mundos dentro da impossibilidade que ao princípio surge na desesperada alma de Eddie Dean. Sucede que quando o grupo, agora com a companhia do padre Callahan, atravessa a porta se divide: Eddie e Roland para o quando de Calvin Tower e Jake, Oi e Callahan para o quando de 1999.

Certas divisões podem, por vezes, quebrar e desacelerar o ritmo de uma obra. Todavia, não é este o caso. Mia e Susannah e Detta formam um trio de personagens no mesmo corpo, pormenor delicioso, que aprofunda alguma da história do Rei Rubro, suas intenções, e o objectivo do filho demoníaco de Mia e Susannah. Roland e Eddie põe finalmente um ponto final naquela história burocrática, e secante, da compra e venda do terreno onde existe a rosa e depois vão ao encontro de um escritor que só por acaso se chama Stephen King e está à procura de ideias para continuar A Torre Negra. Por fim, temos Oi e Don Callahan liderados por Jake à procura de Susannah.

Claro que o livro mais difícil de escrever para o Autor talvez tenha sido este. Uma coisa é o final da história, às vezes pensada há muito tempo, outras nem tanto; e outra coisa é o livro que prepara esse final. Mas mesmo sendo difícil, lá o Autor trouxe à história um suculento e interessante livro que me deixa ansioso pelo capítulo final da saga.

Talvez aproveite para ler A Lenda do Vento, o livro 4.5 dos sete livros que inicialmente compunham a série, enquanto espero que a Bertrand se lembre de publicar o último livro desta obra; até porque a mesma já veio dizer que o livro final está na forja para este ano. Quero acreditar que lá para Agosto, no máximo, devo voltar a esta série para um final que espero digno.


It – Chapter I

It

de Andy Muschietti

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by New Line Cinema

Ainda que atordoado com a péssima adaptação de The Dark Tower, o factor Stephen King (e os rumores de uma adaptação mais fiél…) levaram-me a dar mais uma oportunidade aos sacaninhas de Hollywood.

 

E pronto! Desta vez foi bom.

Eu, que me por norma fujo aos filmes de terror (temos que admitir que há muitos mais filmes de terror péssimos do que bons…), achei o argumento fiel ao original, ainda que com algumas mudanças desnecessárias, mas não desadequadas de todo. A cena inicial é fortíssima, o desenrolar flui a um ritmo agradável e o epílogo deixa-nos a ansiar por mais (talvez na semana seguinte, e não imediatamente a seguir… por causa dos problemas de coração!)

Quanto ao tom (leia-se sustos…), importa referir que It não é um filme de terror puro e duro. Tem uma componente dramática relativamente à maior parte dos personagens que integram a estória, tem uma componente cómica (ou não tivesse o filme palhaços…), tem uma componente mais sanguinolenta (o tal “gore”) e tem alguns momentos que nos levantam da cadeira (A mim só me levantou uma vez 🙂 , mas acredito que existam cenas capazes de levantar muitos mais rabos da cadeira…)

Quanto ao ponto forte: bons argumentos apresentam sempre boas personagens: há o palhaço (filho da puta, cabrão… e todos os nomes que me lembrei de lhe chamar quando o sacana me assustava…), os bullies (sendo um deles um completo sociopata…) e, como ex-libris, há o grupo dos Falhados: o gago (o centro da estória), o gordo (o culto), o caixa-de-óculos (o linguarudo…), o preto (o forte), o medricas (o amigo), o hipocondríaco (o esperto) e a moça abusada e cheia de “famas” (a rebelde).

Quanto aos efeitos sonoros, estão muito bem conseguidos (ou não fosse um filme de terror…) e as músicas que surgem servem apenas para prolongar os nossos medos ou convencer-nos do quanto os miúdos eram uns verdadeiros falhados.

Depois há aquela mensagem sublime: há que ter medo dos monstros, mas há que os enfrentar uma e outra vez até finalmente os vencermos…

Aguarda-se o capítulo 2…

 


Pequeno, pequenino…

Hoje sinto-me pequeno, pequenino,
Nada homem, muito menos homenzinho,
Só um idiota armado em engraçadinho.

E bem me podes castigar, mas castigado
Já eu estou só por teus olhos fazer chorar
Tanto que entre soluços te falta o ar.

Magoei o peito que não devia magoar
Feri o coração que nunca devia ferir
E entristeci quem nunca devia ficar triste.

Hoje sinto que sou torpe, sujo e imundo!
Sinto que sou só erros e vergonhas
E sinto que só sou culpas sem desculpas…

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