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Luz Eterna…

E vindo o Fim do Mundo
Em fogo, gelo e destroços
Mergulhados neste fundo
Do abismo cheio de ossos,

O amor, sincero e profundo,
Resistiu, aliando esforços,
Floriu, mesmo sujo e imundo,
E gerou frutos como reforços.

Ah! que luz eterna, brilhante
E das estrelas mui semelhante
Ligando todo o perdido distante.

Ah! que luz tão quente e forte
Desafiando os filhos do desnorte
E amparando-os até à morte!

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O Legado Skywalker

Há teorias que defendem que Star Wars é muito mais que a história da família Skywalker. Permitam-me discordar! A história de Star Wars pode ter muitos nomes, muitas famílias, muitos grupos, mas a verdade é que todo a galáxia Star Wars gira em torno da sua família principal: os Skywalker!

Luke Skywalker, com o seu lightsaber azul ou verde, é o maior herói da ficção científica de todos os tempos, Darth Vader (Anakin Skywalker), e a sua assustadora respiração, é o maior vilão de ficção científica de todos os tempos (talvez de todo o cinema) e, gostem ou não gostem, a Princesa Leia Organa (também uma Skywalker) será para sempre a princesa das princesas da ficção científica.

São marcos cinematográficos, são marcos do género e são marcos da própria cultura adepta de ficção científica!

Assim, foi com espanto que recebi a notícia que a Disney quer acabar com esta família. Perdoem-me, mas que merda de estratégia é esta? Querem lá pôr que famílias? A dos realizadores? O cavaleiro jedi Mickey? A princesa Minnie? O R2 – AÚÚ do Pateta?!?!?

Que raio de ideia é essa?

Pensar em Star Wars sem Skywalkers é pensar em Piratas das Caraíbas sem Jack Sparrow, em Transformers sem autobots, em Jurassic Park sem dinossauros, em Harry Potter sem Harry Potter, em 007 sem James Bond, em Indiana Jones sem Indiana Jones e por aí fora…

Não é estúpido, é um desrespeito completo!

E, vamos lá ver, eu não quero nem exijo que todos os filmes de Star Wars tenham um Skywalker como protagonista. Mas exijo, enquanto fã, enquanto consumidor de todo o tipo de produtos Star Wars, que não acabem com o Legado Skywalker!

No entanto, com o último filme que vi, temo que o Lado Negro da Disney ganhe!

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Alienação Parental…

Dizem que és meu pai,
Mas em ti não acredito,
Oh ser celeste maldito!
Um pai que é bom pai

Não faz abandonado
O filho nem se cala
Ou se esfuma da sala
Quando convocado.

Pai tenho o que minha
Mãe escolheu, não tu:
Sempiterna adivinha

Sem cara, sem nada
E de paradeiro não sito
Em parte determinada!


A Bebida…

Um dia o meu pai disse-me que cinco minutos de bebedeira podem deitar por terra a reputação de uma vida inteira. Como estava envergonhado e achei as palavras mesmo sábias, acedi com a cabeça e fiquei calado. (Bebera demais numa noite de festa, correra o risco de morrer para ali abandonado na casa de um parceiro de copos que não conhecia assim tão bem e envergonhara-me a mim próprio.)

Enfim, repetindo-me para o sublinhar, aceitei que o meu pai tinha razão.

De um momento para o outro, deixamos de ser o Zé, a Maria, o Chico ou a Joana e passamos a ser aquele tipo que bebeu demais e se vestiu de mulher (procurem o significado de hijra), adormeceu na sanita enquanto o vomitava por entre as pernas, correu despido à volta do hotel enquanto abanava a gaita ao passar por um casal de velhotes, acordou para lá das fronteiras num bordel espanhol de terceira categoria ou descobriu que afinal as algemas não eram nenhum fetiche de uma senhora, mas sim uma agente da polícia a constituí-lo arguido por ser levemente mais estúpido que os outros. Acreditem, a palavra envergonhar é um puro e brandíssimo eufemismo para as parvoíces que as leveduras do álcool nos levam a alcançar.

Mas o que vale é que todos temos a típica história borracha para contar aos filhos e aos netos.

Viva a Bebida!!!


A propósito dos falados assédios e das suas vítimas…

O que vou contar a seguir é uma história verídica que se passou à minha frente:

Num antigo trabalho, tive uma Colega que em certo dia, enquanto procedia sentada a fazer o seu trabalho à frente de sensivelmente dez clientes (dava cartas numa mesa de póquer), teve o meu director agarrado às costas da sua cadeira a fazer movimentos pélvicos, quase como um cão com cio… só faltava babar-se e relinchar como um cavalo ejaculante!

Os clientes viram, nós, colegas de trabalho, vimos, as câmaras de segurança viram e quem quer que estivesse ali por perto também viu a minha Colega a ser alvo de uma “simples brincadeirinha” do director.

Alguns minutos depois, saída da mesa, a tal minha Colega veio bamboleando-se para junto de mim e de mais alguns colegas e, muito ofendida, refilava: “Vocês viram o que o fulano sicrano me fez? Parecia um cão agarrado à cadeira! Que nojo…”

Ora, ingénuo demais na altura e preocupado com uma colega de trabalho, perguntei-lhe revoltado: “Porque não disseste nada em frente a todos os clientes?” e acrescentei: “Tinhas envergonhado o cabrão em frente a toda a gente…”

E a minha cara Colega respondeu a sorrir: “Oh, ele é o director, não posso fazer nada…”

Sinceramente, com esta moda recente de apontar os dedos, ainda estou à espera de a ver vir para algum jornal a denunciar o porco do meu director…

Terá coragem agora quando não teve há alguns anos em que tinha montes de pessoas prontas a testemunhar a seu favor? Quando tinha câmaras de segurança a filmar o sucedido?


Ébriando solitariamente…

Hoje à noite estava eu num bar
E, numa comichão, faltou-me o ar
Faltou-me o chão e faltaste-me tu,
Meu único par, para me amparar.

Estava só, rodeado de bêbados risos
E muitas piadas cheias de improvisos,
Mas, sempre em falta: os teus sorrisos
Amorosos e perfeitos e brancos e lisos.

Pior, as mesas do bar estavam cheias
Embriagando de alegria todas as veias
Mas, como um copo vazio e sem ideias,

Eu ia bebendo, bebendo e bebendo
Com mais a recordar do teu sendo
Do que para me ir de ti esquecendo.


A vida de um homem bom…

Não acreditava nada em missas
Nem nessas modas das castiças,
Preferindo furtar-se às preguiças
De acreditar cego em tais justiças.

Escuso de correr atrás dum centil
Brincava a sério e jogava-se infantil
Dum velho cantil para um novo cantil
Cantando ébrio e tocando gentil

Peitos ao sul e paixões ao norte,
Vivendo de espírito esperto e forte
Até que ricamente lhe faltou a sorte
E lhe chegou a pobre hora da morte.