Category Archives: Distância

Frio…

Aqui, perdido e vazio,
Sentindo o lado frio
Da cama, estendo sombrio
A minha mão e esvazio-me

De esperança! Não resta
Mais nada aqui nesta
Hora em que esta besta
Tenta só dormir a sesta?

E sem o calor do sol além,
Será que tens frio também?
Ou será que já tens alguém
E eu passei a ser ninguém?

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Cachorro Abandonado…

Quero apagar tuas músicas
E jogar fora essas melodias e
Essas letras que me fazem
Lembrar de ti a dançar e a
Balancear sorrindo sem jeito.

Quero queimar as tuas fotos
E jogar fora todas as imagens
E montagens que me fazem
Lembrar das noites infindas
A sorrir por te ter comigo.

E quero romper esta pulseira
E jogar fora todos os presentes
E todas as ofertas que me fazem
Lembrar de quando te lembravas
Deste cachorro abandonado…

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Só quero que te vás…

Acabou, morreu, é o fim…
Não tem mais como nem
Quando nem porquê…
Terminou, estou farto da
Dor, de sonos penados
E dos choros decorados…
Afasta-te, corre e sai só
Senão eu empurro-te
E jogo-te para longe
E eu não quero isso
Só quero paz, alguma paz,
Só quero que te vás…


Dar um tempo…

Quiseste dar um tempo
A este pobre vagabundo
E eu, com tanto tempo,
Cai e bati neste fundo

Onde nenhum passatempo
Me facilita cada segundo,
Onde cada vil contratempo
Me agonia e fere profundo

Como um destino sem frutos
E onde sinto estes minutos
A arranhar-me, bem brutos,

Enquanto oiço bater a hora
No relógio que também chora
E anuncia que nada melhora…


Perdido…

Estou perdido…
E não me acho a mim…
Nem te acho a ti…
Não sei onde andas…
Nem o que sentes mais…
Só sei que continuo aqui…
Mas está ficando difícil…
Está custando muito…
Está doendo muito…
E não ajudas muito…
E eu não sei mais como…
Eu não sei, não sei, não sei…
Como parar este vazio…
Como parar este remoinho…
E como manter-me de pé…
Perante essa distância…
Perante essa confusão…
Perante essa frigidez…
Estás mais distante que nunca…
E eu bem tento…
Tento chegar-me…
Tento aproximar-me…
Tento acercar-me…
Mas foges e esgueiras-te…
E escondes-te e quebras-me…
Quebras-me as forças…
Nas pernas, nos joelhos, no estômago…
Nas mãos, nos braços, no peito…
E estou cansado, quase esgotado…
De correr, de puxar, de lutar…
Só, sozinho, solitário…
E, se não dá mais, diz…
Ou grita…
Grita com força…
Grita com raiva…
GRITA-ME, MERDA!…
Grita-me até que oiça tudo…
Pois se precisas de lutar…
Para te lembrares…
Para te importares…
Se precisas de lutar…
DE LUTAR…
Para me amar…
Talvez não esteja só eu…
Perdido…
Talvez já esteja tudo…
Perdido…

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Vida Confusa

Ah!, vida confusa,
Que te intrometes
Nesta grande causa
E que nos submetes

A milhas de obtusa
Distância, prometes
Que à minha musa
Não picam alfinetes

De dor e incerteza?
Eu cá juro braveza
E também a firmeza

De galgar céu e mar
Até se me acabar o ar,
Tudo só para a amar…


O Arco-íris

Quando éramos crianças, o arco-íris tinha sete cores,
Mas parece-me hoje que ele perdeu alguma tira de cor
Ou será apenas a névoa que ficou mais forte?
Talvez o tempo tenha passado e mudado o arco-íris
Tal como me mudou a mim, mas não mudou o facto de
Eu continuar apenas à tua procura e
Continuar a não te encontrar em lugar nenhum.

Fecho os olhos, olho para dentro,
Escuto o bate-bate do meu coração ecoando o teu nome,
Uma e outra vez, uma e outra vez, e
Peço-lhe com cuidado que aguente até te conseguir ver novamente,
Esperando igualmente que, ao contrário de mim, nada te tenha mudado…
Nem mesmo o tempo neste moribundo mundo cinzento,
Com esta maldita névoa que desaparecerá algum dia e,
Como deveria ser, devolverá o que nos roubou.

Em seguida, esbracejo e grito de tanto vazio que aqui vai
Enquanto por dentro se desarrumam, caóticas e sem ordem,
Uma data das mais desconsoladas questões:
O que perdi? O que perdemos?
Será que ainda te posso dar mão?
Ou será que já tens as mãos fechadas para mim?
Não sei… só sei que vai escurecendo a névoa.

A noite entrevada vai esbulhando, à vez, cada matiz do incompleto arco-íris e
Quando, finalmente, as trevas o apagam por completo do céu,
Envolvo-me no negrume, sozinho com os meus passos e
Só com uma gélida sinfonia: a dos pingos da chuva caindo e
A das minhas lágrimas castanhas escorrendo cheias dúvidas:
E se eu não tivesse vindo por aqui?
E se eu tivesse tomado outro caminho?

Abrando… e abrando porque não quero chegar ao fim desta ponte sem ti
Quero encontrar-te antes do final deste passadiço em que vou caminhando e
Quero encontrar-te bem, inteira, perfeita, raiando luz,
Talvez trazendo as sete nuances que faltam ao arco-íris no sorriso,
Talvez pronta a abraçares-me com carinho e,
Só depois, beijamo-nos e beijamo-nos e beijamo-nos
Até, já cansados de beijos, devolvermos juntos as setes cores que faltam ao céu.

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by kevinflemming88