Monthly Archives: Setembro 2016

Falando sobre Ele…

Se um humano fica a ver outro morrer e lhe denega auxílio é condenado pelos doutos tribunais criminais. O Máximo Divino, na sua alegada omnipotência e omnipresença, nega-se a intervir, deixa sofrer e, no final, é adorado pelo rebanho.

Bendita Eva que Lhe comeu a maçã preferida… havia de ter era comido o pomar inteiro!

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Cowboyadas…

Mais um filme sobre cowboys, mais um filme superbo para os ianques, mais seis euros e sessenta que gastei mal gastos.

Sinceramente, gostava de ser irónico e poder brincar um pouco… mas não consigo.

Este filme cheio de acção, vulgo tiros, explosões e chapéus a saltar por entre as relinchadelas dos cavalos, é apenas isso. Cenas de três em três segundos a pularem para dinamizar a história… digna de fazer invocar os notáveis Mercenários de Stallone. Não tem mais nada…

Mas é isto que a América gosta.

Tiros e pistolas a defender a própria casa e a própria terra sem sentido nenhum, maridos mortos e viúvas com fartura e, no fim, a revelação de uma vingança pouco sentida, tal como o personagem principal.

História simples, muitas munições e uma data de piadas sem piada.

Os americanos não ligam nem querem saber a merda que lhes enfiam pelos olhos, pelos ouvidos e pela boca abaixo. São coniventes com a merda de filmes, de músicas e com a merda de mundo que eles ajudaram a criar com esta idolatria cobarde a meros bandidos, vulgo “cowboys”…

Talvez uma Alepo ali para os lados do Texas os ajudasse a perceber o quão fúteis são enquanto nação, o quão tristes são em termos políticos e o quão hipócrita é o regime a que chamam democracia.

E depois dizem mal do filme do Batman VS Superman ou do Robocop…

 

 


Quanto nos custa?

Eu gosto de futebol, gosto do meu clube encarnado e gosto de todas as coisas boas que a bola faz girar à sua volta. A alegria, a euforia e a amizade entre rivais são factores de mobilização que muitas vezes chegam ao extremo de salvar vidas. Como ignorar estas qualidades do mundo da bola?

Contudo, um pouco à margem da restante cultura mundial, criou-se um mercado, abriu-se as portas ao dinheiro, aos empresários e a toda a malta que talvez não fizesse muita falta. Aquilo que era apenas um domingo à tarde familiar, em que o adepto e a sua família conheciam o jogador e vice-versa, tornou-se num bilhete dispendioso para pagar toda a indústria que se colou a uns simples noventa minutos semanais. A indústria do futebol.

Atenção, fora de mim ser aqui um saudosista ou um retardado que prefere deixar sempre as coisas como elas estão. Não sou dado a tradicionalismos e percebo a necessidade de pagar salários, bolas, relvados e restante manutenção.

Todavia, após ouvir o empresário dum célebre marcador de livres directos, que até foi despachado para a Turquia, vir dizer que o seu agenciado, por não ter recebido durante um mês, teve que pedir dinheiro aos amigos para alimentar a filha quando o MISERÁVEL recebia 30 000,00€ mensais… não posso deixar de ficar indignado. Maior parte da malta em Portugal anda a contar os cêntimos do salário mínimo mensal e trabalha o quadrúpulo das horas desse degenerado.

Mas isso não é o que mais me chateia.

O que me chateia são as seguintes questões:

Donde vem o dinheiro para alimentar os vícios desses desgraçados que não conseguem passar mal um simples mês quando ganham nos outros treze 170 000,00€?

Como queremos pagar dívidas de Estado quando os maiores investimentos privados são feitos em meros jogadores da bola que, se não sabem eu digo-vos, têm como única e exclusiva missão entreter quem os vê… Portanto, investimento reprodutivo? Nenhum…

Investimentos de vinte milhões (quando não chegam à centena…) para criar apenas um posto de trabalho?

Investimentos de milhões quando naquele campo apenas relva se dá?

Investimentos de milhões para, sabemos nós, gastar o dinheiro sujo do petróleo?

Querem a minha opinião sincera?

Não vão ser os governos a dar cabo disto, não vão ser as empresas a dar cabo disto e não vão ser as pessoas a dar cabo disto. Vai ser o futebol que vai fazer esta malta toda explodir e, em consequência, explodir ele também…

 


Silêncios…

Melhor do que ouvir o barulho é saber escutar os silêncios…


Quando treze anos não passam?

Conseguimos falar bem e mal do tempo ao mesmo tempo quando calha, podemos ver sempre o dia de amanhã como o dia que se segue a este ou podemos considerar este presente como o resultado de ontem.Há quem diga que são os relógios que fazem o mundo girar, outros dizem que o tempo é relativo.

Tanto faz…

Os segundos não param, os minutos fazem as horas, os dias e até os anos avançar.

Simples memórias de ontem transformam-se em nostalgias de décadas e a saudade dilui-se por vezes em esquecimento. O oblívio, a maior maldição de qualquer alma, ataca-nos sem piedade ainda em vida. Lentamente, a sua manta sem cor nem tecido levanta um véu que, primeiro diáfano, se vai adensando até finalmente se tornar numa sólida muralha. Aquilo que está no outro lado, e que tão bem conhecíamos, deixa de ser lembrada, de ser pensada, de ser existida às tantas… maldito tempo.

Todavia, basta um olá.

Ou talvez baste só um olhar.

Um silêncio hesitante, mas feliz.

!!!BAM!!!

Rebentam-se as muralhas.

Esquece-se o próprio oblívio.

Lembram-se e recordam-se as memórias.

Um amigo de ontem é um amigo de hoje e amanhã.

Tu lembras-te disto, o amigo lembra-se daquilo, a própria conversa deixa de ser controlável, as regras do tempo quase se suspendem e, num certo momento, mesmo com muitas coisas ainda por dizer, as palavras faltam por sobrecarga de alegria, gáudio e prazer.

Ontem. Hoje. Amanhã.

Amigo. Amigo. Amigo.

Porque o tempo é relativo, mas as amizades verdadeiras não: um amigo é absolutamente amigo.

 

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Um abraço a todos os meus amigos!!!


Ardente Calor

Um calor cansado transpira-me pelos poros fora. Em segredo a fadiga molengona apodera-se de mim, qualquer critério de razão evapora-se e aquela faísca de vontade de trabalhar esvai-se numa lassidão odienta.

É nestes dias que me pergunto se os engenheiros ambientais têm razão; será mesmo verdade que a energia solar existe? Será mesmo verdade que os fotões que nos salpicam as epidermes trazem consigo energia? De tão amolecido que estou pelo calor do sol tudo isso me parece falacioso.

Não sei.

Só me apetece estar deitado no azulejo do chão. Mesmo duro é mais fresco e mesmo insuportavelmente mais desconfortável consegue suportar-se melhor que a brisa cálida que me queima os pulmões.

Ardente calor…

É tão bom quando temos o mar à frente, pronto a refrescar-nos…

Quando a maré baixa e a água nos foge é que é pior.

É sinal que se acabaram as férias…

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Fonte: “www.sapo.pt”