Monthly Archives: Abril 2017

Ficar lá perto…

Tem dias que acordamos, ou melhor, tem dias que mal acordamos e logo a cabeça se enche de mensagens, metáforas e rimas. Porque acontece isto? Não sei, sinceramente não sei. Talvez os nossos primeiros sonhos sejam metáforas descansadas, talvez  os nossos segundos sonhos sejam pautados por aquele sujeito poético dentro do nosso âmago mais profundo ou talvez as ideias e a poesia aconteçam quando a consciência está a meio de despertar e a inconsciência está a meio de tornar a adormecer. Se calhar temos noites em que nos transportamos para um enigmático universo feito de poesia só para voltar de lá ainda ecoando versos ou quiçá tenhamos apenas noites simples e descansadas. Voltando ao início: não sei, sinceramente não sei…

Apenas posso dizer que hoje logo ao acordar escutei as seguintes palavras na minha cabeça:

Rezo às vezes incerto:
Pois só quero ficar
Perto do céu aberto
Sem me falsificar.

E quero lá ficar perto
Só para me certificar
Que chego lá por certo
Antes de aqui nidificar.

Quero seguir esperto,
Liberto e identificar
Quem fui neste excerto
Doce, talvez a sacrificar.

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A minha ideia de anjos…

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A Boca

Todos falam da alma que vive nalgum imo secreto do nosso coração, alguns falam da inteligência, da esperteza, da consciência e da inconsciência que nos enche o cérebro e outros gostam de falar da importância dos rabos, esguios ou redondos, para a continuação da nossa espécie. Poucos falam na boca.

Contudo, vou falar da boca.

É certo que existem inúmeras formas de comunicar, mas, quer por grunhidos, estalidos ou sílabas, falar com a boca é falar com a boca. Escutar um provérbio, um dito ou um adágio duma boca enrugada e sábia ou ouvir uma boca espertalhona, solta, selvagem e às vezes estúpida é um passo evolutivo; que ninguém tenha dúvidas.

Mais, as estórias têm um timbre, altura e compasso diferente cada vez que são contadas à noite, à volta de uma fogueira, directamente vindas da memória da língua e da força de uma garganta contadora ou cantadora de histórias ao invés daquelas historietas que aprendemos a ler. Até o suspirar da alma dos seus ouvintes é feito pela boca.

A boca, como uma multifunções sequiosa e esfomeada, é a responsável por deixar entrar todo o tipo de proteínas e açúcares, fibras e demais porcarias que o nosso estômago e cérebro nos exigem mal passa do meio-dia ou da meia-tarde. Chega a hora da paparoca e lá está, seca ou aguando, a língua tacteando o que os dentes mastigam, à procura com o seu palato dos finos sabores da ambrósia do Olimpo ou da suculência dos pêssegos imortais do secreto imaginário chinês. É, portanto, a boca o órgão que ora sorvendo ora mastigando peca sem parar no que diz respeito à gula.

Veja-se, a boca é grande fonte de pecado! E este brota dela de inúmeras formas… Não fosse assim e como entreabríamos os lábios da boca para sermos invadidos pelo calor dum beijo molhado? Ou como ocorreriam os pequenos deslizes de lábios por linhas e dermes arrepiadas nos corpos das mais formosas musas? Musas estas que, numa ou noutra vez, se dispõem não só a amar-nos como a deixarem-se ser devoradas pela nossa mistura de fomes e apetites vorazes.

Mas há mais, muito mais.

Podem dizer que os olhos são o espelho da nossa alma, mas é a nossa boca a arauta de todos os nossos estados de espírito, ora muxoxando silêncios ora expelindo piroclastos raivosos e coléricos ora orando por esperanças e bênçãos lá dos céus. É verdade que é no fundo da nossa alma que se formam os batimentos, os meios-tons e as pausas de uma certa melodia ou os oxímoros e metáforas de um verso enigmático, mas, como sempre, é pela boca que surgem, ora num ritmo preguiçoso ora numa cadência furiosa, esses pequenos cantos: autênticos restos de magia divina que os anjos cá deixaram quando acabaram o trabalho de fazer o nosso mundo e se foram para outros recantos do Universo.

A boca, o órgão mais aberto e estúpido nalgumas ocasiões. A boca, o órgão mais fechado e sábio em algumas reuniões. A boca, ora mastigando pensamentos ora vomitando revelações. A boca, o órgão mais frio ou mais quente de inúmeras relações. A boca, brotando dela rimas, versos, cantos e demais canções.

A boca…


Jesus Cristo bebia cerveja – Crítica Literária

Jesus Cristo bebia cerveja

De Afonso Cruz

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by ALFAGUARA

Não conhecia a obra do Autor, ainda que já tivesse escutado o seu nome em incertos sussurros de cigarra no café à tardinha depois de uma mini fresquinha:

“Tens que ler Afonso Cruz, tens que ler Afonso Cruz…”

Farto de as escutar, lá pedi o livro para ler e lá o recebi pela pretérita época natalícia. Demorei um tempinho para lhe pegar, admito – mas tinha uma saga inteira à sua frente como desculpa. Regressando este fim-de-semana ao Alentejo, lá me apeteceu pegar naquele livro que, só por acaso, também é passado nalgum lugar alentejano. Haveria melhor altura?

Uma breve nota inicial para a edição e revisão de texto da obra: Li uma sexta edição do livro e, para meu desagrado, observei que a mesma contém ainda inúmeras gralhas; demasiadas para o meu gosto, acrescento. É triste! Não se pode admitir que uma editora – qualquer que seja ela –, cujo desígnio é explorar comercialmente os direitos de autor de um terceiro escritor, preste um serviço de revisão de texto de tão pouca qualidade. Isto após o referido Autor lhes permitir continuar a explorar comercialmente a mesma obra após seis edições. Repito: seis edições e ainda há gralhas!

Enfim, entrando aqui na verdadeira análise da obra, e a bem da minha sinceridade, os primeiros trinta capítulos pareceram-me excessivos, desnecessários e – desculpem-me cigarras – presunçosos em algumas ocasiões. Contudo, após os primeiros trinta capítulos de aquecimento lá a coisa se amanha. O enredo é finalmente alinhavado e passamos finalmente a perceber porque estória e personagens nos obrigamos a virar as páginas. Ou seja, dos setenta e quatro capítulos, trinta bem podiam ter sido repensados e reorganizados a bem do afamado ritmo da história.

Quanto à acção em si, dos muitos nomes invocados durante a história temos apenas quatro personagens que interessam: a velhota incapaz chamada Antónia que deseja ver Jerusalém antes de morrer, a jovem neta Rosa por quem a vida vai passando, o pastorinho Ari cheio de luz e o professor Borja cheio de saberes alternativos que decide que se a velha não pode ir a Jerusalém então vem Jerusalém à velha. A história é esta; ou é esta a história basicamente sem a ser…

Quanto a pontos fortes, temos a forte imagética de Afonso Cruz. Em tudo vê uma metáfora ou uma comparação e para todos os factos “assentes” cria uma nova teoria, dentro as quais destaco a mais notória: “Jesus Cristo bebia cerveja”. Assim como esta última há inúmeros outros brindes imagéticos deliciosos. Só não as reproduzo aqui todas, ainda que tenha ganas de tal, por não querer revelar a delícia de personagem que é o professor Borja nem as reacções que motiva quando fala.

Assim, no cômputo geral, e não ignorando de todo aqueles trinta capítulos sonolentos, estamos perante uma farsa trágica, e logo, logo uma boa história cheia de grandes imagens criadas pelas palavras certas do Autor e incertas teorias de Borja que nos redirigem a consciência para certas questões que de facto existem à nossa volta, tal como um bom livro sobre a condição humana deve fazer.


Plano Nacional de Leitura de 2017

Aproveitando as celebrações do 25 de Abril de 1974, trago à colação o Plano Nacional de Leitura de 2017 – uma lista de livros sugestionando certos tipos literários, mas que nada tem a ver com o lápis azul do Estado Novo…

Será que não tem?

Primeiramente, uma nota para a inclusão de autores estrangeiros lusófonos neste plano. Absolutamente nada contra. Nomes como José Eduardo Agualusa, Mia Couto ou Ondjaki produzem obras lusófonas de qualidade cujo brilhantismo é inquestionável. Logo, aproveitemos estas recomendações que em nada ficam a dever a muitos dos inquestionáveis escritos portugueses.

Quanto à inclusão de autores estrangeiros de outras línguas também não me oponho. Existem tão bons nomes que merecem ser conhecidos neste nosso cantinho português e pelas boas gentes incultas que aqui existem. George Orwell, Umberto Eco, Italo Calvino e Mark Twain são os nomes que deixo aqui sugeridos.

Sucede que não percebo certas inclusões tal como não percebo certas exclusões.

A título da primeira: Lilian Thuram. Um livro com boas intenções: lutar contra o racismo. Contudo, a mesma obra não deixa ela mesmo de ser uma obra racista  – ainda que não intencionalmente – e, por isso mesmo, estúpida ao chamar a atenção para os inúmeros casos de sucesso de pessoas de tez achocolatada. Basicamente o antigo jogador da bola Thuram diz à malta: Atenção pessoal, olhem a nata dos melhores negros! A memória da escravatura e da discriminação não é exclusiva da cor negra, meu amigo Thuram; pelo que, na minha humilde opinião, não deveria estar incluído o livro que está num plano destes.

Quanto às exclusões, acho estranho António Lobo Antunes não ser sugerido. O autor com mais respeito a nível internacional da actualidade, e o autor que mais nos faz sangrar e sofrer durante um livro, foi excluído duma lista nacional. Sinceramente, é mais um fenómeno da nossa história. É tipicamente português deixar as homenagens para depois de morto, como se um grande homem ou escritor fosse tão grande que não precisasse de vez em quando escutar elogios. É o que vale a António Lobo Antunes. Quando se cai nas boas graças dos políticos até se tem direito a nomear um aeroporto, quando não se tem… ‘tá tudo fudido, pá!

Outro nome excluído, e que dispensa apresentações, é José Rodrigues dos Santos, o maior fenómeno de vendas em Portugal – cujas obras servem mais o propósito informativo do que, por exemplo, o livro conservador de economia de César das Neves incluído no mesmo plano. É triste verificar que não tem direito a uma única menção a Fúria Divina ou a O Códex 632. Vá-se lá perceber o porquê…

Mas esperem! Vamos à procura do porquê na forma de critérios de elaboração do referido Plano:

«Para a escolha de títulos destinados às diversas listas do Plano Nacional de Leitura foi constituído um grupo de trabalho formado por especialistas. Este grupo procede à seleção de um corpus que considera adequado aos diferentes níveis de competência e interesses da massa leitora e que potencia a educação do gosto e o amor à Língua Portuguesa. Assim, foram tidos em conta o mérito literário das obras, bem como a sua qualidade estética, a revisão gráfica da edição e, no caso dos livros de autores de língua estrangeira, o rigor da tradução.»

Portanto, nada de mérito literário, qualidade estética ou revisão gráfica da edição para as obras dos grandes autores acima referenciados. Será por venderem demais e já não precisarem de publicidade? Não sei, talvez seja…

Mas retiro desde já uma conclusão: podemos já não ter lápis azuis em Portugal, mas talvez a equipa de especialistas responsável por esta lista tenha outras cores de lápis guardadas nos seus estojos ao serviço de outros lobbies que não conhecemos…

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Os Lobos de Calla

Os Lobos de Calla

A Torre Negra – Livro 5

De Stephen King

 

Chegados ao quinto livro da saga (vou seguir a ordem das publicações da saga), Roland e o ka-tet chegam a Calla Bryn Sturgis, uma aldeia abençoada pela fartura de gémeos que de tempos a tempos tem metade destes seus frutos levadas por aquilo a que chamam Lobos. E o que deve fazer um grupo de pistoleiros quando dá conta de tal injustiça? O mais normal nesta saga…

Saca da pistola e, pelo nome do teu pai, BANG…! BANG…! BANG…!

Pelas anteriores críticas que já fiz ao livro, fui dando conta do meu desagrado com algum desacelerar do ímpeto narrativo em O Feiticeiro e a Bola de Cristal; ímpeto este presente n’O Pistoleiro e n’A Escolha dos Três e, em partes, n’As Terras Devastadas. Ora, em Os Lobos de Calla tal força quase que desaparece na maioria dos momentos, ora por falta de tensão ora por falta de profundidade das personagens.

Quanto à demanda pela Torre Negra, centro dos inúmeros universos e pilar de todos eles,  temos a história do Padre Callahan; uma história importante para percebermos melhor a concretização do que é o estado todash: ora uma espécie de projeção astral que permite a um sujeito visitar outros mundos ora, nalguns casos, um estado que lhe permite transportar-se por completo e de facto para outros mundos. Sucede que o Autor mergulha em demasia nesta história o que prejudica, na minha opinião, um desenvolvimento mais profundo de personagens como Eddie ou Roland (queremos sempre mais deste…) em prol do supra identificado padre que, para não fugir ao estereotipo queirosiano, é descrente, homossexual e bastante alcoólico.

Há ainda a visita de alguns membros do ka-tet a uma Nova Iorque com o fim de tentar evitar que o terreno onde a afamada rosa reside não seja vendida a uma empresa com o nome Sombra e que, pelos vistos, quer a destruição da Torre Negra. Portanto, para salvar a Torre Negra é preciso salvar a rosa e para salvar a rosa é preciso impedir que um certo contrato de compra e venda de um terreno se concretize. Presumindo a importância deste enredo para o desenrolar final dos acontecimentos, vou esperar para me pronunciar sobre este ponto. (Mas até agora, meto a língua de fora e solto um “bleh…”)

Temos, por fim, o que achei mais interessante. Uma nova mulher no corpo de Susannah Dean, um corpo que anteriormente já fora habitado por outras duas mulheres: Odetta Holmes e Detta Walker. E quem é esta nova mulher? Mia, que na linguagem erudita significa mãe. Resta agora saber que mãe é esta e quem é o seu filhote por vir.

A ausência de um vilão temível sente-se como em nenhuma outra obra desta saga. No primeiro livro tínhamos Walter, no segundo tínhamos as lagostisidades e Detta Walker, no terceiro apareceu o nojento Gasher e o Homem do Tiquetaque e no quarto apareceu-  -nos Eldred Jonas e Rhea de Chöos. Neste livro temos um capítulo de Lobos pouco ou nada assustador…

Quanto aos aspectos mais técnicos, o Autor faz depender a mudança de páginas da vinda dos Lobos e do seu confronto com Roland e seus compinchas, da necessidade de impedir a venda de uma rosa e do momento em que Susannah pode perder o controlo do seu próprio corpo para Mia. Ou seja, em vez de um momento de clímax, temos três. É um ponto positivo… ou três pontos positivos.

No entanto, acho que falta a tensão narrativa dos primeiros dois livros e a profundidade do terceiro e do quarto no que diz respeito às principais personagens.

É, pelo nome dos pais do ka-tet, o pior livro que até agora li da série inteira e talvez o maior em termos de tamanho. Sinceramente, acho que o grupo de Roland se demorou demasiado tempo em Calla Bryn Sturgis

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by Bertrand


O Feiticeiro e a Bola de Cristal

O Feiticeiro e a Bola de Cristal

A Torre Negra – Livro 4

De Stephen King

 

Antes de mais, a seguinte análise tem alguns pontos que tocam a história pelo que:

»»ALERTA SPOILERS!  ALERTA SPOILERS! ALERTA SPOILERS! ««

A série Torre Negra começou com um pistoleiro solitário em busca de um feiticeiro de manto negro e só nos livros seguintes é que o autor veio a introduzir o pequeno grupo unido pelo mesmo destino: o ka-tet. Todavia, para além do início (que deveria ter feito parte do clímax d’As Terras Devastadas) onde o pequeno grupo trabalha para vencer um comboio alucinado e perigoso, este livro é sobre o último dos pistoleiros: Roland Deschain, de Gilead antes do mundo avançar e ele passar a ser o último dos pistoleiros buscando a Torre Negra.

Entrando um pouco na história: após a pequena façanha de Roland ao vencer Cort, tal como relatado no primeiro livro da saga – um feito que lhe valeu as suas duas pistolas e fez dele o pistoleiro mais jovem de que há memória -, Steve Deschain decidiu que Gilead era um local demasiado perigoso para o seu filho. Assim, o jovem pistoleiro foi enviado para a aparente segurança do Baronato de Mejis com os seus dois melhores amigos: Cuthbert Allgood e Alain Johns.

Ou seja, através de grandes analepses –  fazendo lembrar um pouco a forma narrativa utilizado no primeiro livro, ainda que não tão boa – Roland conta ao ka-tet a sua primeira missão enquanto pistoleiro no Mundo Médio.

Pessoalmente, um livro inteiro (ou quase inteiro, vá lá!) contando o passado de um dos protagonistas é algo que criativamente não me fascina por aí além. E quando esse passado pouco ou nada faz pela história em si, especialmente no seu final, menos ainda me agrada. Claro que tais flashbacks podem sempre vir a ter relevância nos seguintes volumes da obra. Caso isto aconteça, fica sem efeito este último parágrafo e suas palavras… e umas grandes desculpas dirigidas a Stephen King.

Mas vamos lá ver! O livro continua interessante. A história de Roland é toda ela demasiado interessante para que um certo modo de a contar faça perder o seu encanto. Logo, não posso dizer que não gostei. Fiquei até a gostar ainda mais desta personagem e de algumas outras neste livro introduzidas.

Por exemplo, Cuthbert, ainda que bastante parecido por vezes com Eddie, é ainda assim bem diferente e bem trabalhado. Por outro lado, Rhea de Cöos, a verdadeira vilã deste livro, assusta um pouco com a sua língua quase bifurcada, com os seus nojentos animais de estimação e uma certa fixação por uma bola que presumo ser importante para a história. Nota para o pateta Sheemie, que é a personagem que mais se assemelha a Oi (isto claro se Oi fosse uma pessoa pateta e não um sagaz billy-bumbler). Finalmente, uma honrosa menção para o caído Eldred Jonas (Se o tipo não foi inspirado em Sam Elliot então eu sou parvo…) e outra para uma pequena característica de Alain: o Toque – habilidade com algum potencial a ser desenvolvido.

Quanto à história de amor entre Roland e Susan Delgado… é normalíssima: Forasteiro conhece menina prometida (e pouco interessante, diga-se) e os dois juntos pegam fogo… juntos não, mas isso melhor explicado fica para a história em si.

Há ainda tiro e pistolada para todos os gostos, uma pequena revelação acerca de um determinado feiticeiro obscuro e mais um grande e enormíssimo erro de Roland revelado: um dos mais pesados e capaz de rivalizar com o pecado do primeiro livro…

Assim, e no geral, há bastante história para quem, como eu, queria conhecer mais do último dos pistoleiros. Sinto, no entanto, o enredo a perder força com tanto (e às vezes tão pouco…) do passado do pistoleiro revelado e com tão pouco avanço na demanda pela Torre Negra.

PS: Não sei se faz parte do livro original ou se foi apenas um erro de edição (algo em que não acredito particularmente), mas que porra foi esta ideia de colocarem o epílogo d’As Terras Devastadas como prólogo d’O Feiticeiro e a Bola de Cristal? Claro que passei logo à frente… algo que só me veio dar razão acerca da minha opinião sobre o mesmo capítulo: óptimo gancho, mas não para fim de obra.

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By Bertrand


As Terras Devastadas

As Terras Devastadas

A Torre Negra – Livro 3

De Stephen King

 

Vamos lá ver, este livro não é tão bom como o primeiro nem como o segundo. Contudo, e sente-se, é importante para o que resta do desenrolar da história (mais quatro livros…).

Ficamos finalmente a saber o que é a Torre Negra (algo que já me irritava não saber há bastante tempo), a importância dos Feixes de Luz e o que verdadeiramente significa ser membro de um ka-tet (algo que também já não era sem tempo).

Quanto há história em si, o grupo do pistoleiro Roland Deschain, agora composto por Eddie Dean e Susannah Dean, refeito dos eventos de A Escolha dos Três, avança na demanda pela Torre Negra. Todavia, Roland mudou o passado e tem agora que lidar com as consequências que daí advêm…

Mas essas consequências não são assim tão boas…

Particularmente, odeio ressurreições e miraculosos regressos de personagens mortos. Sempre as odiei desde os tempos em que via o Dragon Ball, os Power Rangers e todas as outras histórias em que alguém morto regressa do descanso eterno. A morte é definitiva, logo serve para definir e colocar cruzes sobre caixões. Ressuscitar é antinatural quer na realidade quer na ficção, logo é errado (desculpas ao Altíssimo e a seu bom filho, Jesus Cristo…).

Assim, e spoilers, o regresso de Jake Chambers não me agradou. Morto tinha muito mais impacto; mas quem sabe se não voltou para que Roland tornasse a fazer a mesma pobre escolha? Não sei…

Quanto ao final do livro, pesquisei e percebi que não fui só eu que não gostei do mesmo. É um cliffhanger fortíssimo, mas não um daqueles que se usam para finais de livros. Normalmente, um bom gancho final dá início a uma nova história. Neste caso, persente-se que na próxima história falta apenas o final e mais nada quanto a este gancho… E pior mesmo é que As Terras Devastadas foi publicado em 1991 e Stephen King só em 1997 lhe veio dar continuação com O Feiticeiro e a Bola de Cristal. Se eu tivesse ficado seis anos à espera de saber o resultado da porcaria de um concurso de adivinhas tinha ficado possesso, fudido mesmo a sério…

 

PS: E ainda há quem se queixe que o GRR Martin nunca mais se dispõe a publicar o novo tomo d’As Crónicas de Gelo e Fogo.

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by Bertrand