Monthly Archives: Maio 2017

Piratas das Caraíbas: A Vingança de Salazar

Amo-te como um pirata
Ama o vasto horizonte
E amo-te como um pirata
Ama andar a monte…

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by Walt Disney Pictures

Não sei quanto a vocês, mas já tinha saudades de um verdadeiro filme de aventuras à antiga, um filme com um jovem herói, com um velho  pirata e com uma cientista sonhadora à procura de um poderoso artefacto milenar. A sério, a escrita pode ser a mais bela das artes e permitir inúmeras invenções, mas há certas fórmulas que têm algo de mágico e encantador. O mais recente filme de Jack Sparrow é isto mesmo: um encanto.

Hoje em dia, é coisa rara um filme  com uma estória onde se busca algo de mágico e poderoso, uma estória com uma viagem alucinante e perigosa que nos enche de arrepios e uma estória cujos personagens nos fazem tanto rir como chorar.

Estórias como o Senhor dos Anéis, estórias como Indiana Jones e estórias como O Feiticeiro de Oz maravilham-nos porque, tal como as nossas vidas, são viagens com inúmeras possibilidades, com inúmeros caminhos e com inúmeros destinos. Tudo pode acontecer quando deixamos o conforto da nossa casa e nos colocamos ao caminho. Podemos tropeçar e morrer logo na primeira curva, podemos aguentar e descobrir paraísos e podemos alcançar o topo da montanha e ficarmos felizes ou podemos nunca o alcançar e ficarmos felizes da mesma maneira. A magia de uma busca, o propósito de uma jornada e o encanto de uma aventura converge tudo para o mesmo: a infinidade do que pode acontecer e do que está por contar.

Infelizmente, hoje em dia, as pessoas não querem buscas! Querem prólogos ferozes, enredos foleiros e epílogos sangrentos (tudo de preferência com poucas mensagens escondidas para não se pensar muito). Para estes, será certamente um desperdício de dinheiro ir ao cinema ver mais um filme de aventuras com piratas engraçados (e que nada têm que ver com a real escumalha que andou centenas de anos pelos mares em busca de ouro e prata…), novas paixões, velhas animosidades ultrapassadas e um espírito de aventura que nos arrepia só de ouvirmos a banda sonora do filme…

Claro que o vilão podia ser um pouco melhor, mas é mesmo muito difícil fazer alguém tão carismático como o ganancioso Barbossa ou tão aterrador como o sombrio David Jones… já para não falar no Kraken.

E é certo que é uma continuação de uma saga perfeita com o final do terceiro filme.

Contudo, Jack Sparrow, ao comando de toda a tripulação do Black Pearl, nunca desilude. Aliás, é impossível algum filme de aventura desiludir os mais incautos e sonhadores que se maravilham com o sentido da descoberta e da redescoberta…

 


O Gordo e a Gorda

Quem me dera que o Gordo e a Gorda fosse o título de um romance com um final feliz, mas não é. Todos sabemos que os finais felizes têm sempre como protagonistas dois rostos perfeitos e corpos esbeltos embrulhados um no outro ao som de uma música feliz qualquer. Ademais, quando há música e gordos numa cena, todos sabemos, é uma cena cómica; não um final feliz.

Mas indo aos factos:

Há hoje um ataque cerrado à gordura. Há hoje inúmeras campanhas sobre: ginásios, consultas de nutricionistas, promessas de corpos esbeltos, personal trainers sempre preocupados, actividades ao ar livre cheias de ar puro, campeonatos de tudo e mais alguma coisa onde se transpiram litros de suor, a importância da educação física, a necessidade de uma alimentação saudável, a urgência da prevenção de obesidade e… outras quinhentas campanhas mais! Tudo em nome da saúde! (E de alguns interesses económicos e financeiros que nunca existem quando se fala de saúde, alimentação e ecologia.)

Percebem a ideia? O objectivo é ninguém ter barriga na nossa sociedade; como se fosse uma ofensa à sociedade nos dias que correm alguém ter uns quilitos de açúcar a mais. E até aqui tudo bem. Mas depois, a par do ataque à gordura, há um ataque inclemente ao gordo e à gorda.

Alerta!!! Olha o GORDO!!! Alerta!!!

Se repararem, todos nós tememos trilhar um preto, um cigano, um deficiente e até um estrangeiro com certo tipo de comentários ou acções que possam levantar problemas do foro dos mais altos valores humanos. Porém, nenhum de nós teme virar-se para alguém cuja barriga se salienta e dizer “Olha a barriguinha!”, “Estás de quantos meses?”, “Olha o meu pandinha fofo!!!” ou até mesmo muito doutoradamente “Estás a precisar de perder peso, gordinho…”.

Alerta!!! GORDO!!! Alerta!!!

Riam-se à vontade, mas é isto que acontece: O gordo e a gorda são primeiramente notados assim que entram numa sala! Depois são tratados como preguiçosos e gulosos! Depois são tratados como paradigmas de gente nojenta e asquerosa! Numa fase mais avançada, deixam de ser piadas e são tratados como doentes, com pena! Finalmente, são tratados como um problema de saúde pública que pesa literalmente no orçamento de estado todos os anos…

Nunca há o intermédio! Nunca são tratados como pessoas, estudantes e trabalhadores, que se esforçam para emagrecer tanto quanto os outros, e às vezes ainda mais. São apenas gordos…

É que, ora correndo com todo o peso que lhes custa a carregar ora tendo o necessário cuidado com a alimentação, maior parte destas pessoas com excesso de peso, em algum momento da vida, esforçou-se e esforça-se contra a sua genética. Alguns destes, em certo momento da vida, querem ter a leveza de uma pena, querem correr sem se preocupar com ataques de coração e querem ser consideradas pessoas bonitas – como se algumas não fossem lindas desde logo. No entanto, por variadas razões – que não a preguiça – muita desta gente não consegue emagrecer!

E o que fazem aqueles preguiçosos que comem que nem alarves, mas cuja sorte lhes ditou um metabolismo rápido? Gozam com o gordo, chamam o gordo por gordo em vez de o chamarem pelo nome ou, pior ainda, inventam uma alcunha gordalhufa e arredondada para o gordo. Claro está que há sempre espaço para os verdadeiros cabrões peçonhentos que, mesmo sabendo que magoam, apunhalam o gordo com um simples tap-tap na pequena banhinha ao som de: “Eu sou um gordinho gostoso, um gordinho gostoso…”

Enfim, sabem uma coisa? Conheço bastantes magros idiotas; gordos, quase nenhum.

Os gordos sabem o que magoa e sabem o que significa sofrer.

E quem sabe o que significa sofrer aprendeu a respeitar o sofrimento dos outros, mesmo que este sofrimento seja um grande e volumoso silêncio.


Férias e o Verão

Sabem o que me apetece mesmo?

Calções de banho, chinelos, festas na praia e muito álcool no sistema!

Quero um Verão certinho, daqueles que, com muito calor durante o dia e durante a noite, nos exigem peregrinações diárias à praia e mergulhos na frescura que só a água gelada do mar nos consegue dar.

Claro que, mais importante que tudo o resto, férias…

Preciso de férias…

As férias, tal como o protector solar e o sol, são essenciais no Verão…


Passos, passos e passinhos…

É certo que os grande passos da nossa vida acontecem pouco mais que umas cinco vezes em média. O primeiro passo trata-se efectivamente dum berreiro inconsciente à procura do primeiro fôlego, o segundo passo talvez nos suceda num pequenino primeiro beijo com aquela rapariga que jamais esqueceremos, o terceiro talvez ocorra entre o fim da mocidade e o início do mundo adulto, o quarto vem com um novo berreiro carente de oxigénio que nos faz prometer deixar de vez os vícios da adolescência perante o valor família e, finalmente, o quinto passo quando fechamos os olhos para aquilo que espero ser um merecido sonho eterno.

Entre esses grandes passos há outros, não tão quintessenciais, mas, ainda assim, bastante importantes. E um desses passos bastante importantes acontece efectivamente quando alcançamos o pequeno sucesso de acabarmos finalmente a nossa vida académica (Foda-se, ’tá feito!!!). Após vinte anos de pestanas queimadas, reflexões assustadas e permanentes dúvidas sobre o que fazer com essa porcaria do que é o meu suposto futuro e mais uma data de recursos alocados entre refeições na escola, mensalidades na universidade e propinas de ordens profissionais, está feito. (Foda-se, ’tá mesmo feito!!!)

Sou hoje o que lutei por fazer de mim e isso ninguém me tira!

No entanto, chegado aqui, e suspendendo por um momento as dúvidas incessantes sobre o que fazer a partir daqui, cumpre-me olhar para estes meus pés relativamente exaustos e recordar, não só os grandes passos que já dei, mas também aqueles passos preguiçosos e pequenos que tanto me custaram a dar. Ora por estar demasiado cansado ora por estar demasiado abatido com uma rotina infinita que às vezes me pareceu incapaz de trazer frutos, houve dias em que lutei quase com a vida para sair da cama, pousar os pés no soalho gelado, engolir o pequeno-almoço, apanhar a chuva invernada daquelas nuvens filhas da puta e sentar o traseiro nalguma cadeira desconfortável durante horas a fio para fazer o que tinha para fazer (ou desfazer) naquele dia.

Enfim, é hora de agradecer devidamente. É hora de massagear bastante bem os calcanhares, as palmas-dos-pés e os importantíssimos dedos mindinhos destas patorras (e talvez sarar também os calos com aquela porcaria do Protex Creme que as pessoas tanto gostam…). E é hora de prepará-los para os pequenos passinhos do caminho que se segue até ao próximo grande passo (leia-se: ganhar uns guitos, arame, paca, prata ou pilim…).

É que na verdade, seremos sempre uns meros caminhantes com passos dados e por dar…


Guardiões da Galáxia – Vol. 2

Guardiões da Galáxia – Vol. 2

De James Gunn

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by Marvel Studios

Sabendo de antemão que os filmes Marvel são apenas filmes para nos divertirmos durante 135 minutos, como já me disseram, e não querendo ser snobe, este Guardiães da Galáxia – Vol. 2 é apenas mais uma das coboiadas da Marvel; só que com uma dose inegável de piada.

Os tiros misturados com as gargalhadas frenéticas e febris continuam lá, tal como no anterior e tal como na maioria do resto dos filmes da Marvel. Ora, quem me conhece bem sabe o que acho deste tipo de parvoíce, especialmente nos dias que correm. Termos miúdos a gargalhar ao som de tiros, mesmo que apenas nos cinemas, é algo que não me agrada. Aliás, até acho, sinceramente, mais saudável um miúdo de doze anos quietinho no quarto a ver pornografia proibida ao invés de o levar ao cinema para ver estes permitidos tiros com gargalhadas “PG-13”.

Mas colocando esta nota introdutória de parte…

O roteiro é bom e demonstra facilmente que para se criar um bom filme, com alguma profundidade empática, não precisamos de escurecer qualquer ecrã nem colocar os personagens completamente incapazes de se rirem durante o filme inteiro. O normal na vida de um grupo de amigos, ou num seio familiar ou numa tripulação de mercenários intergalácticos, é surgirem piadas e gritarias de vez a vez; não um profundo silêncio introspectivo incapaz de soltar uma gargalhada.

Mais, ainda que sem uma linha narrativa bem vincada desde início e com um prólogo algo meh!, o filme agarra-se à relação de Quill e Ego para o fazer prosseguir ainda nos primeiros quinze minutos de filme. Não é mau de todo, especialmente atenuado com a quantidade de risos que o capítulo inicial propicia ao público. Podia ser melhor na minha opinião, mas enfim… não vou ser chato!

Nesta sequela profundamente cómica, com muitas mais gargalhadas do que a primeira obra, temos o desenvolvimento da maioria das personagens do filme anterior, com destaque obviamente para o trio principal: o órfão Quill que conhece finalmente o pai (um planeta com um pénis verdadeiro…), a aparente péssima irmã Gamora confrontada com os erros do seu passado oprimido sob a égide de Thanos e o guaxinim espertalhão Rocket Raccon, o filho da puta mais adorável do cinema (Ohh yeahhh…) que mesmo fazendo apenas o que quer que lhe apeteça demonstra a todo o instante ser apenas alguém com um vazio dentro de si tão grande que precisa a todo o momento de ser preenchido. Claro que isto não invalida que os personagens secundários como Baby Groot, Drax e Mantis (O que é feio e o que é bonito?), Yondu, Nebula e Ego não tenham o tempo de antena que merecem; têm-no e rimo-nos deles tanto quanto nos rimos do trio principal.

Breve nota para os cenários espectaculares e para os mundos cada vez mais credíveis da Marvel; algo que nem sempre merece destaque em obras de ficção científica, mas que são uma parte fundamental para nos sentirmos no espaço. Digno de fazer concorrência a Star Wars… (isto se a Star Wars não fizesse parte do mesmo grupo empresarial…)

Concluindo, concluindo: Guardiães da Galáxia – Vol. 2 é um bom filme de comédia espacial sobre um bando de mercenários intergalácticos idiotas que atraem problemas de todos os tipos e se safam das mesmas situações com todo o tipo de piadas e gargalhadas possíveis. Vale a pena ver, mas, atenção, se houver filhos à mistura é bom que os façam ver que gargalhadas e tiros não combinam – mesmo num filme de comédia.