Category Archives: luzes e trevas

Aviso a Anzû

Anzû, que respiras tu?
Água, fogo, terra, ar
E guerra e ódio bruto
E fome para deflorar

De doenças o resto
Que fique cá a adorar
O mal porco e poluto
Que tu adoras explorar.

Mas sabes bem (és o mais
Antigo desses vis animais),
Lembra-te bem que jamais

Algum dos teus inumanos
Filhos derrotou os humanos
E seus anseios desumanos.

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Entre o Sol e a Lua

Prisão celeste, drama astral
Firme no vazio, que é tão frio,
E aqui no meio o poeta azul,
A contemplar o amor ancestral:

Solta o sol! Deixa ele solto
Com os seus reais e solenes
Raios alaranjando a prata
Selene, sempre solteira e

Sempre tímida (quando ele
Aparece, esconde-se ela
Reluando para outro lado),
Mas é amor, amor imaculado.

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Este não é meu, mas adoro-o!

Mors Liberatrix
(A Bulhão Pato)

Na tua mão, sombrio cavaleiro,
Cavaleiro vestido de armas pretas,
Brilha uma espada feita de cometas,
Que rasga a escuridão como um luzeiro.

Caminhas no teu curso aventureiro,
Todo involto na noite que projectas…
Só o gládio de luz com fulvas betas
Emerge do sinistro nevoeiro.

— «Se esta espada que empunho é coruscante,
(Responde o negro cavaleiro-andante)
É porque esta é a espada da Verdade.

Firo, mas salvo… Prostro e desbarato,
Mas consolo… Subverto, mas resgato…
E, sendo a Morte, sou a Liberdade.»

Antero de Quental, in “Sonetos”

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Abrindo Universos…

Eu vejo-o antes de existir
E invento-o: um novo verso,
Um boneco capaz de sentir,
Mesmo feito de osso diverso,

Ou então, se por aqui insistir,
Fecho este, abro outro universo
E lá novo mito deverá coexistir
Sem o Tempo, velho e perverso.

Surja a ideia e todo me concentro
Nestes mundos que tenho cá dentro,
Todos eles ao leme do meu centro,

E não, não sou um demiurgo deus
Como o das escrituras dos judeus,
Sou só um poeta, ora dizendo adeus.

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O que somos?

Como o dia, do sol e das sombras,

A noite, dos gritos e dos silêncios,

E a areia, ora da terra ora do mar,

Tudo o que se vê agora, já se esvai!

Tudo que se tem aqui, nunca se tem!

Tudo o que se é (o corpo, a alma

E os feitos…) é sempre algo pouco

E sempre algo mais, como a poesia.


Advogado do Diabo

Eu queria não ser aquele tipo que se preocupa em enviar emails a jornalistas, dando conta, de forma objectiva, que detectei imprecisões claras no texto deles.

Eu queria não ser aquele tipo a quem devolvem uma gentileza com acusações de iliteracia e que eu não percebo nada daquilo que leio.

Eu queria não ser aquele tipo cuja opinião sobre jornalistas é exatamente a mesma que tenho pelos políticos e por todos os outros que adoram ser preguiçosos ao mesmo tempo que proactivam a sua qualidade de papagaios.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que:

  1. Os jornalistas imprecisos vão permitir
  2. Que os corruptos políticos tomem o poder
  3. Aos injustos procuradores justiceiros,
  4. Aos relaxados e soberanos juízes que actuam como funcionários públicos
  5. E ao inerte povo sem ideias.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que ninguém respeita advogados; já que terei que ser eu, advogado, a escrever pelas vitimas, a alegar pelos inocentes, a clamar por justiça, a lutar contra a injustiça, a ir preso por ser um cidadão exemplar e a ser saneado publicamente de modo a recordar às pessoas o que é o Estado de Direito Democrático.


Sem pensar muito…

Quando o dia ’tá errado
Quando o clima ’tá pesado
E quando tudo ’tá ferrado,

Respira fundo, muito fundo,

E solta deliberadamente,
Calmamente e precisamente
Um grande: FODA-SE GENTE!!!

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