Category Archives: luzes e trevas

Frio…

Aqui, perdido e vazio,
Sentindo o lado frio
Da cama, estendo sombrio
A minha mão e esvazio-me

De esperança! Não resta
Mais nada aqui nesta
Hora em que esta besta
Tenta só dormir a sesta?

E sem o calor do sol além,
Será que tens frio também?
Ou será que já tens alguém
E eu passei a ser ninguém?

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Antecedentes…

Quanto de mal tem mal
Quando a maldade surge
Da memória do passado
Da mágoa do presente
E do medo do futuro?

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Luzes trêmulas…

Há lâmpadas cuja luz
Lhes treme (tremeluzem…)
E deixam que sombria e
Vazia essa escuridão cresça
Até só restar escuro no quarto…

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Arte enquanto instrumento de evolução…

Quando um olhar da geração de 90 vê um vídeo de Elvis Presley  a primeira coisa que faz é sorrir e perguntar “Porque é (atenção ao presente) o Elvis tão importante?” A resposta é bastante simples: porque eles vieram mudar um pouquinho as coisas.

Elvis começou por abanar as ancas, um movimento carregado de obscenidade para a sociedade em que ele cresceu (as televisões só o filmavam dos ombros para cima…). Portanto, antes de Elvis ninguém abanava as ancas. Depois vieram os The Beatles, e aqui já não era só uma vedeta a abanar as ancas mas sim quatro vedetas carregadas com um estilo mais urbano. Em seguida, Jackson 5: um grupo de afroamericanos abanando as ancas e dando à luz o moonwalk de Michael Jacskon, que viria a tornar-se o centro do mundo nos anos oitenta à medida que outras bandas surgiam com o jacobino slogan “Sex, Drugs and Rock n’ Roll”…

E assim por diante até aos dias de hoje… a grande qualidade da arte popular é ter a capacidade de alterar mentalidades aos poucos. Logo, não é de admirar que os estados totalitários tentem controlar os seus artistas. Os artistas (escritores, pintores, músicos, actores…) são talvez os maiores responsáveis pelos ventos de mudança de uma sociedade.

Claro que depois há aqueles artistas inócuos ou apologistas da violência, mas esses nem sequer aqui merecem ser recordados pelo nome.

O que merece ser destacado é a arte e o seu importante papel na mudança de mentalidades.

Fica abaixo uma sugestão para hoje:

 


SEXISMO vs PRAGMATISMO

Eu compreendo que a luta pela igualdade é, e deve ser, uma constante em todos os cidadãos. É meu entender que “Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.” (Cfr. Artigo 13º/Nº2 Da Constituição da República Portuguesa)

Mas, não querendo sequer falar do machismo (até porque os seus defensores já são considerados broncos pelos seus semelhantes mais evoluídos…), a verdade é que algum feminismo, pelo menos em Portugal, é-me cada vez mais insuportável, especialmente quando esses laivos partem de defensoras com alguma propensão a mostrar mamilo para defender os seus ideais (Já agora, as modelos já fazem isso e não são elas o melhor exemplo da luta pela igualdade de género…).

O último é: “A mulher tem de ter acesso aos mesmos cargos de liderança que os homens…”

A sério? Primeiro, importa referir que ser líder exige razão, frieza e segurança na hora de decidir. Ora, será que não sabemos todos que, no geral, as mulheres são mais emocionais que os homens? Será que não sabemos que, no geral, as mulheres são mais conflituosas que os homens? Será que, no geral, as mulheres não são mais inseguras e indecisas que os homens?

“MACHISTA!!!!” Parece que já estou a ouvir dedos néscios a levantarem-se.

“Nem todas as mulheres são emocionais, explosivas e inseguras…” Oiço logo a seguir…

E SIM! Esta última frase é verdade: Nem todas as mulheres são emocionais, explosivas e inseguras! Mulheres racionais, frias e seguras também existem… Contudo, mulheres racionais, frias e seguras são uma minoria em comparação com as mulheres emocionais, explosivas e inseguras! E como minoria que são, estão representadas proporcionalmente em minoria nos cargos de liderança.

Portanto, portuguesas, é uma questão de pragmatismo, não é uma questão de sexismo.

Não sejam tolas…


Pesadelos e Sonhos

Haverá melhor sensação do que acordar em sobressalto e, já depois de percebermos que era só um pesadelo, voltarmos a cair na almofada suspirando de descanso?

Era só um pesadelo, já passou…

Vai ficar tudo bem, não tenhas medo…

Vamos voltar a dormir e desta vez sem cobras, aranhas, labirintos, cordas, doenças, defuntos em decomposição avançada, demónios, morte… portanto, desta vez sem pesadelos!

Haverá muitas sensações como esta? Acho que não…

Naquele momento em que suspiramos, damos graças por estar tudo bem, agradecemos à providência divina por nos livrar do mal mais um dia e, mesmo antes de regressarmos ao reino dos sonos, damos por nós gratos por termos percebido o quão sortudos somos por ter pesadelos…

É que se não fossem os pesadelos, como poderíamos nós dar valor aos nossos sonhos?

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Morfeu, deus grego dos sonhos…

 


Problema Eutanásia

Sem vida, não há pessoa; logo, só há pessoa com vida. Vale por dizer que se uma sociedade é composta por pessoas, só há sociedade quando há pessoas e, logo, só há sociedade quando há vida.

Como o raciocínio atrás bem retrata, resultou da minha formação que fui ensinado que o maior bem da sociedade, o maior valor da sociedade, é a vida. E tal naturalmente decorre porque a sociedade, num instinto de autopreservação, obriga-se a proteger as suas pessoas; que é o mesmo que dizer que se obriga a proteger a si mesma. Portanto, e acabando com as redundâncias, a sociedade está obrigada a proteger a vida das pessoas que a compõem.

Todavia, colhe em mim a ideia que existe um único valor que consegue secundar o valor vida: o valor vida digna. É que é muito bonito invocar deuses, princípios, opções pessoais, juramentos deontológicos e n outros argumentos, mas a verdade é que sabemos todos que existe vida e vida.

Quero com isto dizer que a vida tem muitas coisas boas, muitas mesmo, e até os acontecimentos mais ruins podem ser vistos de uma forma positiva passado algum tempo (por mais que não seja, para nos ensinar com erros e a dor que deles resulta…).

Contudo, existe um factor que, quando permanente, é capaz de afastar todas as coisas boas na vida: o sofrimento. Sinceramente, de que vale o sol brilhante, o céu azul, a morena cheirosa e as flores da Primavera perante o esforço colossal de aguentar uma vida sem poder sair de uma cama, sem poder mover-se sozinho, sem poder sentar-se numa sanita sozinho, sem poder tomar banho sozinho, sem poder alimentar-se sozinho, sem poder satisfazer-se sexualmente sozinho…

Aqui, talvez a palavra-chave não seja, na sua grande essência, o sofrimento só por si, mas sim o sofrimento gerado pela incapacidade permanente de ser, por si próprio, alguém individual, alguém que se faça valer sozinho.

Claro que há pessoas teimosas, e tremendamente corajosas, que não se deixam abater por esta incapacidade e deixam de se importar com o quanto são dependentes todos os dias. Há pessoas que descobrem a sua força interior quando todas as restantes forças se vão e dedicam-se a outras formas de viver.

Porém, existem outras pessoas que percebem que, lá no fundo, nunca conseguirão ser felizes com tal incapacidade sem saída. E tal gera um sofrimento sem igual que apenas se acaba com a coragem (o outro verso da moeda) de dizer “Basta! Já não quero viver!”.

É aqui que se percebe que estar vivo, sem dignidade nenhuma, passa a ser um sofrimento tremendo que não pode ser imposto a estas pessoas que sofrem e é aqui que toda a sociedade tem o dever de compreender que ser pessoa é muito mais do que ter um coração que bate dentro dum saco de carne podre e imóvel.

Se alguém cujo sofrimento permanente e incurável lhe obliterou a vontade de viver, porquê negar-lhe o seu único desejo?

Estará a fazer mal à sociedade um tipo que diz que:

a) Eu não quero mais viver, só quero uma saída digna para mim;

b) Eu não quero mais chatear quem cuida de mim, só quero uma saída para eles;

c) Eu não quero continuar a receber tostões do Estado, só quero uma saída para que o Estado não tenha de inventar desculpas para dizer que não consegue tratar de mim.

Será que Deus fecha as portas a uma pessoa que, depois de tanto sofrimento, só quer ir ter com a sua Graça mais depressa? Será que um médico se ficará a sentir pior depois de acabar com o sofrimento incurável de um paciente sem solução? Será que algum juiz, político ou outro soberano qualquer, em última representação da sociedade, terá coragem de cobrar mais um imposto derradeiro (a vida) à custa do sofrimento permanente e incurável de um dos seus membros?

É lindo ver a democracia parlamentar (cheia de velhos cristãos retrógrados…) a votar por si mesmos, sem qualquer directriz parlamentar. Pena é que um voto seja uma escolha e nessa escolha retire uma outra escolha, completamente legítima, a quem tanto sofre no meu país…

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