Monthly Archives: Janeiro 2016

A Geração 89-92 – Retrospectiva

Às vezes é bom fazermos retrospectivas para percebermos a que fornada pertencemos:

Em 1989 caiu o Muro de Berlim, é o fim da Guerra Fria, mas ainda mal abrimos os olhos para saber isto e o mesmo se diga da reunião das duas Alemanhas, da desintegração da URSS e do fim do Apartheid. Só boas notícias para o mundo.

Entre uns genocídios no Ruanda, uma Guerra no Golfo e alguns tratados de paz efémera, assistimos depois à globalização do mundo através duma célebre janela (o Windows).

Explode a Internet, vemos Macau ser entregue à China (Será que foi bom para os macaenses?), cria-se a toda poderosa Organização Mundial do Comércio (Alguém se lembra da Ameaça Fantasma de Star Wars?) e, pior que tudo, o “príncipe” Carlos trai Diana, a Princesa do Povo enquanto o Bill Clinton manda a sua secretária em missões ultra-secretas… e ainda arranja tempo para defender os direitos dos homossexuais, que com toda a sua força alternativa conquistam o direito de ser representados na tv, no cinema, na música e demais palcos importantes…

Sailor Moon para as meninas, Cavaleiros do Zodíaco, Tartarugas Ninja, Pokémon e Dragon Ball Z para os meninos. Pelo meio há os Mighty Morphin Power Rangers e o mundo divide-se em cinco cores básicas até ao advento do eterno White Ranger. É tramado pensar também que Os Simpsons são tão ou mais velhos que a nossa geração (1989)…

Alguém se lembra do Tamagochi? E da Playstation original e dos jogos Arcade? E da Sega e do Sonic? E da Nintendo 64? Bons tempos em que um colega arranjava uma consola para o resto dos amigos usar e abusar com ele…

Mas depois cresce-se e o Grunge dá lugar às calças largas (bons tempos para os gordinhos…), às jerseys XXXL  à moda de 50Cent e Nelly. Mas para contrabalancear, havia as bocas de sino para as meninas da nossa idade e as bainhas mais baixas para os rabos mais guapos e para as cinturas mais linheiras. Lembram-se quando fisga passou a ser uma palavra ambígua?

Os hippies eram uma minoria e bandas skaters como Blink 182, Sum 41 e The Offspring dominavam. Os Green Day, os Linkin Park e os Limp Bizkit partiam tudo e a malta aprendia o que era o sexo com os filmes do American Pie (Mais ou menos…)

Isto na década de 90… a malta divertia-se.

Depois vem a década de 2000…

Portugal é eliminado frente à França com um penalty ainda hoje manhoso para qualquer português que se preze.

Trocamos o escudo pelo euro… e fico-me por aqui…

E… 11/09/2001 e não digo mais nada. Eclode a merda do terrorismo e as notícias de guerra e de bombas a explodir passam a ser rotineiras no nosso pequeno ecrã. Ainda alguém se lembra do mundo sem medo que havia antes desta data?

Vemos os tripeiros serem campeões europeus em 2004 e no mesmo ano Portugal perde frente à Grécia… esse cagalhão futebolístico… mais valia que o Xerxes tivesse aniquilado aquele pedaço de terra quando teve oportunidade…

Pelo meio destas desgraças, temos as vagas de emigrantes que apenas tiveram o condão de me enriquecer culturalmente. A alegria brasileira, os mambos angolanos, os olhares misteriosos de leste e a substituição de lojas dos trezentos pelas lojas dos chineses entre outros. Tenho orgulho de dizer que faço parte da 1ª Geração Lusa Global.

Mas o mundo é mesmo um lugar em transformação e a crise financeira de 2008 acaba-nos com um futuro mais risonho dentro do nosso próprio país.

14% de desemprego passa a ser um número comum nas nossas vidas assim como o medo de não fazermos melhor que os nossos pais… e a nossa marca? O que vai ser de nós quando os nossos netos nos esquecerem?

Seremos conhecido pela Geração Austeridade… decidiu a União… cof! cof! o ex-primeiro ministro Passos Coelho. Antes assim que a Geração Socrática…

Que se lixe! Esta Geração à Rasca ainda pode ver as prequelas do Star Wars e o Episódio VII. Também vimos todos os filmes do American Pie, o Titanic, os Piratas das Caraíbas, o Senhor dos Anéis, o Harry Potter e o Avatar. E explosão de filmes de super-heróis continua. Estamos ansiosos ser liderados por um super-herói qualquer. Só isso explica esta febre toda pela Marvel… cujos heróis mais parecem cowboys… americanos. Já da DC gosto mais…

E qualquer coisa, a Lady Gaga, a Rihanna, os Black Eyed Peas o Enrique Iglesias afagam-nos a alma com as suas músicas pop. Antes estes que o Justin Bieber e a outra Miley dos corninhos…

Merda de smartphones e redes sociais… não servem para nada e têm-nos agarrados a eles… Obrigado Apple e Nokia e Facebooks por acabares com o convívio…

Valha-nos Saramago e Mia Couto pela língua portuguesa… valha-nos o Equador e Caim. Pelo meio, podemos ler o Código DaVinci bem como os romances de vampiros ou esta nova onda de distopias. Espero sinceramente só não ser obrigado a ler os vendidos meios de comunicação social (Obrigado Umberto Eco).

Depois, hoje, temos a ingerência da UE no Orçamento de Estado Português de 2016. O quê?!?!?!? Ou os aviões russos a sobrevoar a Turquia… para quê???

Portanto, com tudo isto que nos aconteceu… que é de nós?

Pelo que seremos conhecidos e estudados?Que período é este que temos de enfrentar?

Qual o nome da nossa Geração?

 

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Vocês são o futuro!

 

Quando andava na escola, os professores puseram-me na cabeça que eu fazia parte do futuro. E o que é o futuro? Uma perspectiva relativa ao período de vida de um ser? Pode ser. Um tempo verbal dos vários modos verbais? Claro que sim. Mas, maior que estas concepções? Uma ilusão, sem dúvida.

Todo o tempo: passado, presente e futuro, não passa da maior das ilusões. Já o dizia Einstein e após as “recentes” descobertas relativas ao contínuo espaço-tempo não há como o negar.

“Vocês são o futuro!” Diziam-me, mas eu digo que nós somos uma ilusão tão grande como esse tal de futuro! Uma ilusão criada pelos iludidos adultos, que, por sua vez, foram iludidos pela geração ascendente iludida anteriormente pelos seus pais também e assim até ao pai Adão e à mãe Eva que pensaram que comer uma maçãzita era mau e que não havia nada pior… até o seu filho Caim matar o outro irmão…

Pireto! Pireto! Pireto!

Parem com essa treta do “Vocês, putos, são o futuro!”

Se pudesse voltar atrás, agarrava nos colhões e a todos os professores que me disseram isso eu dizia:

-O futuro faz-se do presente! – E depois de ver o queixo caído e a boca aberta dos “setores” com a mais recente tirada filosófica ainda acrescentava: – Porquê esperar sempre que a geração mais nova resolva todos os problemas do mundo? Porque se deixam refastelar no consolo de saberem mais que os putos e não se concentram em continuar a evoluir? Porque é que o “progresso” deve advir apenas das gerações mais jovens? Já viram que merda estão a pôr na minha cabeça? Eu não sou o futuro! Eu quero ser um mundo melhor! E se o futuro for sinónimo de um mundo melhor, então o futuro somos todos! Isto é como o futebol. Se uma equipa joga compacta, joga melhor!

E se por acaso alguém quiser dizer que me agarro muito ao sentido denotativo das palavras, eu explico:

Os meninos que trabalham hoje nas minas de estanho nas Filipinas vão morrer provavelmente soterrados ou envenenados e os velhos professores andam de smartwatches (feitos de estanho) no pulso a controlar as idosas batidas do seu coração.

Quem dura mais tempo? A geração do menino ou a geração do professor velhote? Quem é o futuro?

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Uma palpitação a menos

Vida: um bilhete apenas de ida
Para lugar nenhum, uma avenida
Cheia de buracos só com uma saída.

Queremos ser imortais mas fugimos
Da cova descansada quando a sentimos
Por perto a ninar-nos sem mimos.

Escravos do tempo, corpo a prazo
E relações com beijos ao acaso
Enquanto não nos chega o ocaso.

Um segundo de vida no peito:
Uma palpitação a menos neste sujeito
Imperfeito e sempre insatisfeito.


A Buzina

-PI! PI! BAM! BAM! MECKE! MECKE!!!! CAGA-TE! CAGA-TE!!!!  – A buzina é um elemento deveras utilizado por mim. Infelizmente, violo constantemente o comando do Código da Estrada que nos permite apenas buzinar em casos de perigo iminente. Sim, porque o perigo que ainda vem longe não interessa. Tem que estar mesmo prestes a acontecer uma calamidade para podermos buzinar… ou então andar feitos malucos em finais de Maio a buzinar ao ritmo do cântico “O Campeão Voltou! o Campeão Voltou! o Campeão Voltou!”.

Ora, segundo a malta migrante, Portugal é um país em que se buzina muito pouco comparado com outros países. (Vg. Brasil, Índia… ) E sabem uma coisa? Eu não percebo porquê?

Expliquem-me quem anda a 30 Km/h na via da esquerda na Av. Marginal? Quem é que anda a 60 Km/h na via do meio de uma autoestrada? Andam a passear? É que um passeio faz-se a PÉ! Por isso, tirem os carros às vossa avozinhas, digam ao vosso avô que ele já não tem pujança nem sequer para meter uma primeira quanto mais aguentar uma quinta e, por fim, a sério, FUREM os pneus da bicicleta dos vossos tios armados em Armstrong.

Porque senão eu:

-PI! PI! BAM! BAM! MECKE! MECKE!!!! CAGA-TE! CAGA-TE!!!! SAI DA FRENTE PALHAÇO!!!


As Luzes de Setembro – A Trilogia da Neblina de Carlos Ruiz Zafón

 

Mais um livro deste autor e mais um livro que se esquece facilmente. Não que não seja interessante, não que não tenha uma história boa com algum suspense. Mas de trilogia, só mesmo a neblina é que atravessa a obra.

Nada de frases memoráveis nem nada; o que é sempre triste.

A história traz-nos mais um herói trágico, tal como o livro anterior fez. Porém, um Doppelgänger não consegue ser tão interessante como um Djinn. Gosto mais destes últimos, a luz do fogo queima a sombra…

O final ao contrário dos outros, não deixa um sabor amargo na boca. E é um ponto muito forte do livro. Aconselho a ler novamente o princípio do livro, a primeira carta, e só depois a ler a última carta e último capítulo.

Acho, no entanto, que Carlos Ruiz Záfon nesta fase da sua vida se dedicava a escrever suspenses carregados de fantasia com o intuito de os transmutar para filmes… mágicos. E, sinceramente, acho que as descrições (muito sólidas e mais parecidas com descrições cénicas), as personagens e os diálogos e os monólogos dariam óptimos filmes. Mas só isso.

De referir por último que são os três primeiros livros do autor, pelo que dou o beneficio da dúvida à sua magnus opus: A Sombra do Vento. Um dia talvez o leia…

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Mais uma crítica a uma crítica

“Criticar é uma arte”, dizem alguns. Não, não é! Respondo eu. É apanhar os restos dos foguetes após ter decidido se se gosta ou se não se gosta. Mas nesta apanha, há aqueles que sabem apanhar bem os restos dos artistas e outros que nem por isso.

Nesta senda de pobres críticas, apanhei uma inovadora após ler sem querer, no site da IGN Portugal, a crítica  de um filme que vi e de que gostei: “The Big Short” ou em português ” A Queda de Wall Street”.

Na minha modesta opinião, o filme tem alguns pontos fracos como, por exemplo, a não interacção dos protagonistas uns com os outros. Mas, sendo um filme baseado na realidade, suponho que estas figuras retratadas também não se conheceram pessoalmente, pelo que, a verificar-se esta factualidade, fica perdoada a ausência de interacção. Mas isto não interessa… é só a minha opinião…

Ao ler a já citada crítica (http://pt.ign.com/a-queda-de-wall-street/24741/review/a-queda-de-wall-street-analise), deparei-me com um ponto negativo que concluía da seguinte maneira:

“-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

Ora, a crise financeira de 2008 motivada pela especulação financeira e pela facilidade promíscua de acesso ao crédito imobiliário e ao crédito salarial continua a ser um dos temas do dia. O filme tenta explicar recorrendo a analogias o que são CFO’s, SWAP’s e uma data de produtos financeiros que só têm nomes caros porque ao que parece assim interessa.

O crítico iluminado (talvez mais preocupado com o futuro da saga Star Wars do que com o futuro do próprio mundo) acha que este assunto está devidamente tratado. Já é chato escamotear e rirmo-nos dos tontos que nos hipotecaram o futuro neste cantinho da Europa. Para quê continuar a mexer no esterco se vai cheirar pior? Uau! O ilustre deve ser um expert em CFO’s, SWAP’s e em aplicações financeiras para não querer ouvir falar mais no assunto….

Mas a idiotice deste argumento, deste chanfalho, é tanta que façamos o seguinte raciocínio dentro da lógica deste hodierno pensador:

Filmes sobre a II Guerra Mundial:”-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

Filmes sobre Superheróis:”-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

Filmes sobre Amores Impossíveis e Ódios Possíveis:”-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

Filmes sobre Psicopatas e Crimes Hediondos:”-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

….

….

….

Todos os filmes prestes a sair: “-Não deixa de ser um tema já devidamente tratado”

É mesmo um argumento AD ABSURDUM!!!!!

Mas pronto, a IGN é a IGN.

Tem muita credibilidade, influencia muito a opinião pública, dá notas aos jogos, aos filmes e… blá!blá!blá! Não interessa!

 

 

 


5 Braços do Capitalismo

Educação pobre, quer das classes privelegiados quer das classes não privelegiadas.

Comunicação social voltada excessivamente para o enaltecimento da política, do futebol e de reality shows, dando proeminência à estética em vez da ética.

Editoras de livros e revistas voltadas para o mercado fácil e populucho. Todos podem ser escritores desde que sejam figuras públicas.

Exploração da luta de egos e de interesses dos actores de cada ramo de actividade, desde bancos ao sector primário.

Controlo do poder legislativo e exploração do pouco auctoritas do poder judicial.