Monthly Archives: Março 2018

Um laivo de misantropia

Desculpem-me o laivo de misantropia, mas vamos parar por um segundo e esquecer a obra de Isaac Azimov. Podemos também esquecer as sagas Terminator, Matrix e todas as outras obras em que os grande vilões do cinema são os robôs e a inteligência artificial.

Resetrebootingupdatingclear to go!

Já pensaram como seria o mundo se em vez de sermos todos os dias confrontados com idiotas no trânsito a conduzirem as suas bombas tivéssemos todos um carro inteligente? Uma espécie de K.I.T.T. para cada pessoa? Um K.I.T.T. que impedisse bêbados de conduzir e que suprimisse a falta de instintos dos mais velhotes que ainda gostam de pisar no acelerador e se esquecem do travão?

E que tal um sistema de eletrodomésticos inteligente? Algo que triplicasse o nosso conforto habitacional adaptando a temperatura aos nossos gostos e limpando a casa ao mesmo tempo que detecta possíveis riscos de curtos-circuitos, de incêndios e de explosões? Será assim tão perigoso querermos algo um pouco mais certo do que uma empregada doméstica cujas limitações físicas e intelectuais, por mais diminutas que sejam, existirão sempre?

E porque não pais artificialmente inteligentes ao invés de pais naturalmente ineptos? Ou porque não uma Lassie inteligente ao invés dum Pluto idiota?  Será que não podemos amar e ser amados por algo sintético?  Se amamos um livro, se adoramos uma música; porque não podemos deixar-nos de tabus e amarmos almas sintéticas?

Muitos talvez me digam que os robôs não substituem pessoas. Contudo, por mais problemas que apresentem, os robôs podem vir a ser actualizados; as pessoas não. Durante a infância, as crianças criam hábitos que muito dificilmente poderão vir a ser modificados durante a idade adulta. Qualquer tipo sabe isso, especialmente aqueles que já tenha entrado numa repartição pública…

Já pensaram em como seria bom um mundo em que os nossos estados tivessem nos seus topos e nas suas repartições androides eficientes e incorruptíveis? Que loucura… Função Pública incorruptível? E eficiente?!?!?! Distopia ou Utopia?

 

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Robot in Love by Rudy-Jan Faber

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Estrelinhas

Demorada, achou esta vista
Morando na tua pele morena
Uma dezena de pintas à vista:
Uma subtil constelação terrena

De estrelas negras à conquista
Do bronzeado da extraterrena
Divindade que, algo imprevista
E surrealista, tanto me serena.

Quantos e quantos zodíacos
Se espreguiçam demoníacos
Nesses declives paradisíacos

Onde se acaba o mundo ruim?
E quantos olham só para mim
E me convidam a ir até ao fim?

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Falando a sério da Pornografia

Sim, eu sei que é difícil falar dum tema como a pornografia sem que de repente surja uma daquelas piadas com três bolinhas vermelhas. E também sei que é difícil defender o porno sem parecer um canholeiro profissional…

Tentando pôr de parte estas bananalidades, vamos lá falar a sério:

Primeiro, importa distinguir a pornografia da nobre ferramenta do erotismo; ou seja, o conjunto de técnicas artísticas que indiciando actos de cariz sexual (sem mostrar ou mostrando muito pouco…) visam provocar um fascínio (uma emoção) ao seu público.

Este erotismo visa seduzir o espectador com metáforas e outros aforismos que glorificam actos como os esforços de sedução, a dança, o primeiro beijo, as roupas a caírem no chão e, já na linha vermelha, alguns preliminares ensombrados antes da cena se interromper e deixar à imaginação do público o que vem a seguir.

Já a pornografia, como qualquer miúdo na puberdade sabe, não indicia nada; mostra tudo, revela tudo, expõe tudo…

Aqui não se glorifica a subtileza nem se apela à imaginação do espectador. Põe-se tudo a nú, vulgariza-se tudo (especialmente a puta e o preto…) e não há minudências que se escondam do público. Mostra-se todo o acoitar entre dois seres (ou mais…): a mulher escancarada em 4K e o homem a penetrar em FullHD até uma ejaculação bombástica suceder em 3D… (Lá estão as piadas.)

Posto isto, porque me dei ao trabalho de escrever sobre a importância da pornografia? Porque me dei ao trabalho de defender algo que, por via das normas, é sujo, vulgar e brutal? Porque me dei ao trabalho de defender algo que por vezes até explora gostos criminosos como a pedofilia ou incita aos abusos sexuais?

Simplesmente pelo papel da pornografia na quebra de tabus.

Hoje, quase todos sabemos bem mais sobre sexo do que os nossos pais. Porquê? Sinceramente, não é pelos folhetos do centro de saúde, não é pelas conversas cheias de medo dos pais e muito menos pelas afamadas aulas de educação sexual (incluindo as catequeses ridículas de algumas religiões mais conhecidas…).

Hoje, a nossa cambada sabe bem mais do que os nossos pais sobre sexo devido ao bombardeamento de conteúdos porno e os efeitos colaterais que daí advêm.

Efeitos colaterais que passo a enumerar:

– Dessacralização do sexo;

– Percepção que o desejo sexual e o sexo é uma pulsão comum a todos os seres humanos;

– Abertura… mental para a discussão sobre  pornografia e, em consequência, para a discussão sobre sexo;

– Partilha de gostos e de novas experiências;

– Saúde mental e física, sobretudo através de alertas para a necessidade de sexo seguro (Fazer sexo na ponta duma grua fica mais seguro se usarmos preservativo!);

– Exploração da criatividade na cama (ou noutro lugar);

– Empoderamento pessoal através do conforto com o descaramento (que pode ser uma forma de coragem…);

E muitos mais que cada um saberá…

Portanto, da próxima vez que alguém vos disser que são uns tarados por defenderem a pornografia, vocês só têm que dizer que a pornografia é algo bastante liberal e totalmente democrático. Para quem esteja interessado, existe para todos os géneros, para todas as raças e para todos os gostos… mesmo para aqueles tipos e tipas que gostam de coisas verdadeiramente estranhas!

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Priapus

 


Do que falamos sem assunto?

Não sei sobre o que escrevo
Hoje e nem sei se é poema,
Crónica ou algo que descrevo
Como versos sem um tema.

Sei que brinco e me atrevo
Palaversando sem dilema
E sem arte de nobre relevo,
Mas aqui vai um problema:

Do que falamos sem assunto?
Da comida sem picante junto
Ou do Eusébio nunca defunto?

Talvez desta desinspirada noite
Em que só merecia um açoite,
Vou-me à cama, é meia-noite…

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Eric Lukavsky


A única magia…

Se gosto duma letra leve
E duma percussão pesada
Que me importa se é breve
Ou se rebenta apressada?

Que me importa se descreve
Uma musa ainda não esposada
Ou que importa que ela releve
Uma trágica paixão rosada?

Bem mais que física, é música:
Às vezes moderna e clássica
Outras simples magia básica;

Magia capaz de modas definir,
Capaz de cores opostas reunir
E capaz de todos os povos unir.

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Inferno

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by Bertrand

 

Inferno

de Dan Brown

Tendo-me demorado uns bons três meses da minha vida a apreciar a Divina Comédia de Dante Alighieri (a tradução do falecido Vasco Graça Moura), e sendo basicamente esta obra de Dan Brown um livro sobre outro livro: o Inferno (primeiro volume da Divina Comédia), confesso que estava um pouco receoso de pegar nesta obra. Contudo, o livro não me custou dinheiro, foi emprestado, apetecia-me algo leve… e lá acabei por o abrir.

Primeiramente, calando a cambada, não sou um inimigo convicto dos escritores comerciais. É que, bem vistas as coisas, Dante foi um poeta que escreveu para as massas no dialecto toscano (que representa a base da língua italiana actual) e não em latim como era apanágio na época. Claro que hoje em dia não há quem negue o génio deste poeta de massas. (Acabei de comparar Dan Brown a Dante Alighieri?!?!?!? Vou cortar os pulsos e vou direito para uma das divisões do Malebolge…)

Adiante, ler Dan Brown pode ser entediante por vezes com tantas discrições de tantos edifícios e com tantas histórias relativamente aos mesmos, mas a verdade é que este Autor sabe construir uma história, tem uma linha narrativa certinha, tem personagens interessantes e as suas histórias têm sempre umas reviravoltas muito engraçadas e surpreendentes (o que vai rareando para este atento leitor…)

E Inferno tem isto tudo.

Quanto ao argumento, o mais conhecido herói de ocasião Robert Langdon embarca numa corrida contra o tempo para superar a sua perda de memória e salvar o mundo duma pandemia (aproveitando, entretanto, para passear por cidades históricas, pelos mistérios da história e da arte e por dar a conhecer um pouco de ciência…), tudo no conhecido ritmo alucinante que já caracteriza a obra do Autor.

Quanto a personagens, há muito que me deixei de preocupar com Langdon. O Código Da Vinci foi um grande livro, mas uma coisa é pôr o professor de Harvard a tentar desvendar um mistério histórico como uma eventual linhagem de Jesus Cristo; outra é pô-lo a tentar impedir uma pandemia. Ou então talvez Robert Langdon tenha contraído Síndrome de Sherlock Holmes: “Nenhum herói pode ter tantas aventuras na sua vida sem que as pessoas se fartem do facto dele ser sempre o sacana do protagonista que vence tudo e todos…!” (Acabei de inventar isto…)

Enfim, quanto a personagens secundárias da história, o Autor marca pontos. A hiperdotada Sienna Brooks é talvez a personagem de que mais gosto a par do tatuado Mal’akh d’O Símbolo Perdido e do Camerlengo Carlo Ventresca de Anjos e Demónios.

Mais, a visão do vilão gera empatia (ainda que a sua obstinação por Dante não me agrade de todo) e o seu projecto pandémico não deixa de ser uma ousadia tremenda, especialmente pelo modo como o Autor resolve as coisas no final.

Finalmente, o maior mistério da história: o “Consórcio” e o seu líder: o preboste.

O Autor diz-nos logo antes de entrar na história que esta organização de poderosos mercenários, que presta favores de todos os tipos a governos, empresas e milionários, existe e tem sede em pelo menos sete países deste mundo, mas a verdade é que esconde o verdadeiro nome do “Consórcio” por motivos de segurança. Será uma brincadeira do Autor? Até já há vídeos na internet de tipos a dizerem que Dan Brown se inspirou neles…


Meninos Mágicos

Quem me conhece, sabe perfeitamente que acredito em magia. E, por magia, entenda-se música. Continuando a ser um homem de palavras e escritos, a verdade é que para mim a música é a arte que mais se assemelha à tradicional visão que tenho de magia, com palavras e versos mágicos e encantamentos capazes de nos transformar por completo.

Nesta senda, tenho gosto por poder orgulhar-me dos novos meninos mágicos portugueses que vão despontando aqui (na internet) e acolá (na rádio e na televisão e nos phones do meu telemóvel…), cantando, versando e encantando todos os tipos de sensibilidades.

O grande vencedor desta nova geração lusa é o vencedor do Festival da Eurovisão 2017:

 

Mas em baixo ficam alguns destes novos meninos:

Que espanto de contradições!!!

 

Que sorte poder contar com uma língua que como um tesouro imenso se derramou e se espalhou pelo mundo todo…

 

Quem é que fica indiferente a um amor para a vida toda?

 

Um pouco de vida e atitude…

 

E o trio de damas mais forte do momento!

Meninos Mágicos…