Category Archives: coragem, força, valores

Mono No Aware

Mono No Aware

de

Ken Liu

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Kanji de Mono no Aware

Ainda que o título sugira algo completamente enigmático, este pequeno conto (que venceu o Prémio Hugo para a mesma categoria) debruça-se sobre a grande próxima aventura da humanidade: deixar o nosso condenado planeta e seguir à procura de um novo lar pela imensidão do cosmos, com todos os perigos inerentes.

Contudo, através da história do protagonista (o último japonês do universo com quem simpatizamos imediatamente) e duma subtil metáfora, revela-se uma mensagem sobre a consciência da transitoriedade das coisas que me tocou verdadeiramente.

Olhamos para as coisas, especialmente as mais belas, e sabemos que elas se vão findar um dia e isso entristece-nos, mas ao mesmo tempo damos conta que essa existência efémera faz parte deste universo. Porque me comove? Porque não me revolta? Porque um dos objectivos da história é precisamente aconselhar-nos a aceitar que somos apenas excertos, passagens, flores e borboletas de um livro cujo autor, pagína de início e página final se desconhecem.

O conceito japonês Mono No Aware (sensibilidade melancólica sobre coisas efémeras) é uma preciosidade cultural nipónica e através deste conto (de ficção científica) o Autor dá a conhecer ao mundo este étimo de forma ímpar. Parabéns, Ken Liu!

Sei que os prémios valem o que valem, mas este conto merece mesmo ser distinguido. Aconselho vivamente, até porque a Saída de Emergência publicou o mesmo conto na sua BANG! e esta revista tem a apelativa qualidade de ser gratuita.

 

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Vergonha Política…

Há uns meses, foi fotografo um deputado a ver em plena assembleia da república um vídeo pornográfico. Chocante? Para a nossa política portuguesa não. Seria talvez um pouquinho mais chocante se o mesmo tivesse tido uma erecção, se tivesse aberto a braguilha para polir a ferramenta ou ejaculado precocemente. Assim, só vendo pornografia? Tudo normal. Quem nunca viu um filme pornográfico em pleno parlamento que atire a primeira pedra…

Depois, aqui há dias, houve uma deputada a pintar as unhas durante um plenário na Assembleia da República. Só estava em discussão o orçamento geral do estado para 2019 (pouca coisa…), pelo que achou a referida deputada que socorrer-se da reconhecidíssima capacidade das mulheres para multitarefas (isto é sexismo, já agora…) não traria mal nenhum ao mundo. Pior seria se ela tivesse entornado o verniz sobre os papéis ou se estivesse a pintar as unhas para melhor masturbar o idiota do deputado que gosta de ver filmes para adultos no parlamento. Agora assim? Só retocar as unhas? Nada de mal…

Esta semana, recordando os tempos de faculdade, outro deputado achou por bem baldar-se a um plenário (como se o seu “minguado” salário lhe exigisse que cumprisse deveres democráticos ou profissionais noutro lado…). Pior, marcaram-lhe a presença no referido plenário (parece mesmo a faculdade…). Contudo, vem agora dizer que é honesto, que nunca pediu para assinarem por si e até pediu a intervenção do Ministério Público para averiguar esse crime (e atenção que é mesmo crime…). Em seguida, aparece uma colega do mesmo a dizer que por “engano” entrou no computador do referido colega e marcou-lhe a presença (Cough! Cough! Tanga!!!).

Ora, os políticos são humanos, é óbvio. Logo, têm falhas humanas. Também é uma verdade inegável. Contudo, existem comportamentos que por mais humanos que sejam praticam-se única e exclusivamente em casa e outros cujo bom senso exige que se omitam em locais escrutinados todos os dias pelos media. É que há falhas humanas justificáveis e outras injustificáveis (por mais que se justifiquem…).

Finalmente, é preciso não esquecer que quem ocupa funções soberanas deve proceder de forma solene e dando o melhor exemplo. César, por favor, porta-te como César. Arrisco-me mesmo a dizer que esta maneira de agir é verdadeiramente a única coisa que os eleitores exigem a um político hoje em dia. O resto já sabemos que é o pragmatismo do possível…


2666

2666

de Roberto Bolaño

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Uma vez que a magna obra póstuma de Roberto Bolaño é dividida em cinco complexas partes, e de forma a fazer justiça ao Autor, decidi pronunciar-me separadamente sobre as cinco partes, que até tinham o propósito de ser cinco livros independentes dentro do mesmo universo, mas que, por decisão editorial e dos herdeiros, foram conjugados neste monstruoso 2666. Depois, logo farei a conclusão referindo-me em geral a toda a obra.

A Parte dos Críticos

Três críticos: um francês, um espanhol e um italiano tornam-se amigos através do gosto que nutrem pela obra literária de um enigmático autor alemão chamado Benno von Archimboldi. Tal paixão junta-os e permite-lhes bons momentos de fraternidades. Depois entra a única mulher do grupo, uma inglesa, e coloca tudo em alvoroço. E mesmo dentro deste alvoroço, a busca pelo referido autor alemão continua e leva-os até Santa Teresa, uma cidade mexicana fronteiriça onde mulheres são todos os dias assassinadas.

Ainda que os ganchos do Autor sejam sublimes e de alguma maneira originais, eles existem e obrigam-nos a virar a página. Claro que o arco narrativo é simplista e os três críticos mais não são que simples estereótipos do francês romântico, do espanhol de sangue-quente e do galante italiano (ainda que de cadeira-de-rodas…); mas temos Liz Norton, a inglesa, que é de longe a personagem mais interessante nesta Parte. Os seus medos femininos, os seus desejos femininos e as suas escolhas femininas são simplesmente humanas e falhas por isso mesmo.

Esta parte serve igualmente para levantar os dois pontos essenciais a compreender nesta obra: Benno von Archimboldi e Santa Teresa.

A Parte de Amalfitano

A parte das potenciais vítimas, como eu gosto de lhe chamar, tem menos personagens interessantes, mas o arco narrativo de Santa Teresa adensa-se e surge aqui a história de Amalfitano, um marido abandonado que se queda a cuidar da filha Rosa num ambiente que faz lembrar um lento, louco e suado purgatório para todos os que nela vivem.

A prosa do Autor consegue que cada palavra surja húmida, tensa e preocupada com o que se passa. Há medo, medo profundo e ansiedade neste pai a quem a droga e outros demónios mais lhe roubaram a mulher e cuja cidade onde vive lhe ameaça roubar também a filha.

Uma constante também é o medo de não nos lembrarmos. Evidentemente o medo de deixarmos de ser quem somos, e, portanto, o medo maior que alguém pode ter; não o supera sequer o medo da morte. Temos medo de nos esquecermos e de nos perdermos do nosso caminho, temos medo de nos esquecermos de quem somos e de nos perdermos da nossa alma e temos medo de nos esquecer de quem somos e deixarmos de existir ainda antes da nossa hora chegar. Bravíssimo este ponto de vista!

A Parte de Fate

Aqui a história, cruzando-se com a de Amalfitano e de Rosa, acompanha um jornalista que tem de cobrir um combate de boxe em Santa Teresa após perder a própria mãe. Não é uma parte fácil, está cheia de confirmações súbitas e de subtilezas suspeitas: há um serial killer em Santa Teresa, mas quem é (ou quem são) e porque são as vítimas apenas mulheres?

Há partes brilhantes, especialmente a do velho Barry Seaman (um arrependido Black Panther) que não vê os seus jovens aprenderem com os seus erros e com as suas lições. Depois o combate de boxe: toda a subtil violência social que gira à volta de um acontecimento explicitamente violento. Há os ricos, há as apostas, há as putas, há o sangue, há o conluio entre comunicação social e o poder… e há os vícios. Neste combate, e no que lhe sucede, encontra-se o primeiro indício que os assassinatos de mulheres não são apenas um erro do sistema culminados num ser hediondo, sociopata e misógino, mas sim algo mais… muito mais!

A Parte dos Crimes

Sendo de todo a parte mais entediante do livro (morreu esta, morreu aquela, foi encontrada aqui, foi encontrada ali…) é também a maior parte. E esta maior parte tem personagens interessantes – como o detective Juan de Dios Martinez, que sofre dos males do sexo desapaixonado, ou de Klaus Haas, um empresário alemão que se vê injustamente enclausurado numa prisão que mais parece o malebolge de Dante  – mas, sem sombra de dúvida, a grande personagem é a cidade de Santa Teresa. Diabos, é uma litania de raptos, torturas, violações, mortes e achamentos de cadáveres de tal ordem que a certo ponto (tal como na realidade) deixarmos de nos chocar e deixarmos de lhe prestar a devida importância. O desenrolar da lista de cadáveres (e nem todos do serial killer…) é assustadora e revela a verdade assustadora sobre a referida cidade: mesmo com a existência de um serial killer o que ressalta é a podridão humana que urbaniza malogradamente aquele pedaço de deserto fronteiriço.

A Parte de Archimboldi

A melhor parte do livro, sem dúvida nenhuma, conta-nos a história do jovem Hans Reiter e do velho Benno von Archimboldi. Ambientado na Alemanha no período que antecede a Segunda Guerra Mundial, no período da mesma guerra e no período que lhe sucede, vemos pelos olhos do desengonçado Reiter o mundo sucumbir e vemos uma paz assustada a ressurgir.

Não sei se o Autor fez de propósito ou não, mas a verdade é que talvez se possa desenhar um paralelo entre o inferno da Segunda Guerra Mundial e o inferno de Santa Teresa, que apenas surge na última parte para juntar as pontas soltas das outras quatro partes.

Mais, Archimboldi não nasce na guerra, mas nasce da Segunda Guerra Mundial e, no fim, prepara-se para enfrentar Santa Teresa. Mais que escritor, sempre soldado…

E o fim? Tão subtil, tão maduro e tão triste. O último monólogo do vendedor de gelados, queixando-se que as pessoas apenas se lembram do nome do gelado e não do nome nem da história do seu criador (que porventura quase parece que existiu apenas para dar o seu nome à porcaria dum gelado) é um subtil e final desabafo de um Autor, talvez com medo de ser esquecido e talvez com inveja da própria obra que ele mesmo criou. Paradoxal? Certamente. Verdadeiro? Claro. No fim da vida de uma pessoa que interessam os prédios que ergueu, as pontes que levantou ou os livros que escreveu? Já que o corpo não aguenta o que interessa é que a nossa história seja recordada!

Magnífico!

CONCLUSÃO SOBRE 2666

Vamos ver, certamente que cada uma das cinco partes, ainda que com valor próprio e mesmo funcionando no mesmo universo do Autor, seriam, divididas, boas estórias (mas nunca uma estória transcendente, como é o caso de 2666).

Truques narrativos, paradoxos, metáforas, estórias e histórias… 2666 é, como o número indica, uma besta ao quadrado em todos os sentidos. Narrativa, personagens, descrições: arte bestial ao quadrado! É apenas preciso um pouco de paciência e tempo, muito tempo. Demorei quase sete meses a acabá-lo (se bem que gosto de ler para me afastar da realidade, algo que é impossível com 2666, pelo que também não consegui pegar nele muitas vezes dois dias seguidos… demasiada realidade cruel).

Contudo, não há como negar a prosa agradavelmente divagante (e ainda assim objectiva) de Roberto Bolaño. Fenomenalmente, há um paradoxo evidente nesta obra: se lida depressa, entedia. Se a lermos devagar, caímos no desafio e colocamo-nos a pensar – o que alguns até acham perigoso. A quantidade de pensamentos, de ideias e de silêncios que despontam desta única e gigantesca obra é fenomenal e não me admira que digam que caiba o mundo inteiro nela nem que seja já um clássico da literatura mundial.


Ressaca das Eleições Brasileiras

Enquanto português, e, por isso mesmo, com olho externo sobre o Brasil, penso que as causas sobre a ascensão de Bolsonaro são as seguintes:

1. Problema estrutural de educação.
Têm uma taxa de analfabetismo que julgo rondar os 7,2% segundo as últimas notícias que li sobre o assunto. Depois, e perdoem-me os brasileiros, a qualidade do ensino é péssima. Qualquer tipo que tenha frequentado uma escola portuguesa (cujo ensino público não é assim tão bom…) chega ao Brasil e se destaca (mesmo o aluno com mais dificuldades). Mais, e apenas a título de exemplo, encontrar um brasileiro que saiba falar inglês é uma raridade e a História de Portugal (que tem a sua influência, para o bem e para o mal, na História do Brasil) é algo bastante brumoso para a maioria do povo brasileiro.

2. A Presidenta Dilma
Mais preocupada em ser chamada de Presidenta do que noutro assunto qualquer (uma tremenda parvoíce, sendo que presidente é já só por si um étimo sem género e não há nenhum “presidentO” na língua portuguesa…) , a dona Dilma foi eleita pelo povo brasileiro, mas nunca percebeu que já não se encontrava ao serviço de Lula da Silva e nunca percebeu que a figura do Presidente do Brasil nunca poderia, em momento algum, pôr-se a tentar proteger um cidadão investigado por crimes de corrupção. Percebendo de antemão alguma frustração por algum abuso das entidades judiciárias, tentar fazer regressar Lula ao governo foi, mais que um erro crasso, um atentado à transparência política e um convite claro ao impeachment que sofreu.

3. Lula da Silva
Talvez por teimosia ou talvez por falta de melhor aconselhamento, Lula da Silva arrastou o PT para a fossa, não percebendo a importância do seu partido para a estabilidade política do Brasil. Mais, a falta de sentido de estado foi tão grande que em vez de se afastar da sua afilhada Dilma, do PT e do governo, ainda tentou voltar a concorrer às eleições, fraturando assim tanto o eleitorado como dando a entender que no PT não havia ninguém capaz para lutar por ser presidente.

4. Partido dos Trabalhadores
Não, nem todas as pessoas que votam em Bolsonaro são fascistas ou misóginas; pois algumas delas votaram em Lula e em Dilma. O PT, e suas bases, pagam agora por não terem criado um aparelho profissional, competentes e desgarrado de personalidades. A idolatria incondicional que prestaram a Lula, querendo colocar em causa o próprio aparelho judiciário, foi mergulhar na merda e continuara chafurdar nela. Mais, qual era o programa de governo de Hadad? Os projectos? As ideias? Resposta inacreditável: indulto a Lula. Mesmo sabendo que eles acreditam plenamente na inocência de Lula, o que pensa o resto do mundo? Apenas uma coisa: a corrupção é sistémica.

5. Direita Brasileira
A Oposição está sempre à procura de poder, dê por onde der, e conforme os métodos que estiverem à sua disposição. Socorrendo-se dos valores conservadores de Moro e restante companhia judiciária, fizeram um aproveitamento político e, passe a redundância, baixo. Claro que não contavam com a ascensão de Bolsonaro, mas talvez lhes sirva de lição.

6. Aparelho Judiciário
Não colocando de parte a hipótese de Lula ter sido efectivamente corrompido, o que está em causa é a entrega de uma casa (e outros valores) a Lula como contrapartida deste, enquanto esteve no poder, os favorecer ilicitamente. Contudo, ressoa (nunca consultei o processo) a inexistência de provas…
Mais, se fosse em Portugal que Moro (sabe-se agora apoiante de Bolsonaro) aparecesse durante uma campanha política revelando documentos em segredo de justiça via-se logo a contas com um processo disciplinar. No Brasil aplaudem o seu “heroísmo”…

7. Comunicação Social
Não é por a comunicação social se ter tornado um negócio que os deveres de prestação de informação isenta e precisa, bem como os deveres de prestar programação de qualidade (e não apenas futebol e big brothers e companhia…), se devem descurar. A título de exemplo, qualquer jurista português se assusta com aqueles programas brasileiros em que o jornalista entrevista um tipo detido e algemado e lhe pergunta “Porque você matou a sua mãe?”. Esse tipo de programas é um atropelo aos direitos fundamentais de qualquer cidadão, mesmo dos cidadãos mais torpes e, no entanto, é um tipo de programas que continua a existir. Desculpem-me os consumidores desses programas, mas esse tipo de programação emburrece as pessoas e torna-as mesquinhas e de visão curta.

8. Insegurança
O medo destrói regimes e a promessa de segurança ganha votos. É tão simples como isso. O Brasil teve mais assassinatos este ano num ano do que a União Europeia e os Estados Unidos da América juntos. Porque diabos o PT e os outros não tomaram nenhuma medida contra esta insegurança? Por amor de Deus, não custa a perceber isso, era só ver a Tropa de Elite (1 e 2)!

9. Igreja e bispos e padres de merda
“A César o que é de César, à Igreja o que é da Igreja.” Disse Jesus Cristo.
Contudo, os bispos e parolos religiosos querem mais que o Reino de Deus! Querem poder! E, por isso, toca de aproveitar a necessidade de orientação espiritual das “ovelhas” e apoiar Bolsonaro…

10. Povo
Por fim, ao contrário do que alguma comunicação social parece querer fazer crer, havia escolhas políticas para todos os gostos. Não existiam apenas PT (nem nomeio o boneco que concorreu por este partido) e Bolsnaro. Havia mais! Muito mais! Havia conservadores, liberais, socialistas, comunistas, centro-esquerda, centro-direita…. uma lista sem fim! Mas as pessoas preferiram um cowboy que respira fascismo por tudo quanto é poro. Logo, não adianta muito queixar-se quando começar a existir tiro por todo o lado e prisões sem ordens judiciais!


Advogado do Diabo

Eu queria não ser aquele tipo que se preocupa em enviar emails a jornalistas, dando conta, de forma objectiva, que detectei imprecisões claras no texto deles.

Eu queria não ser aquele tipo a quem devolvem uma gentileza com acusações de iliteracia e que eu não percebo nada daquilo que leio.

Eu queria não ser aquele tipo cuja opinião sobre jornalistas é exatamente a mesma que tenho pelos políticos e por todos os outros que adoram ser preguiçosos ao mesmo tempo que proactivam a sua qualidade de papagaios.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que:

  1. Os jornalistas imprecisos vão permitir
  2. Que os corruptos políticos tomem o poder
  3. Aos injustos procuradores justiceiros,
  4. Aos relaxados e soberanos juízes que actuam como funcionários públicos
  5. E ao inerte povo sem ideias.

Eu queria não ser aquele tipo que vive num mundo em que ninguém respeita advogados; já que terei que ser eu, advogado, a escrever pelas vitimas, a alegar pelos inocentes, a clamar por justiça, a lutar contra a injustiça, a ir preso por ser um cidadão exemplar e a ser saneado publicamente de modo a recordar às pessoas o que é o Estado de Direito Democrático.


Sem pensar muito…

Quando o dia ’tá errado
Quando o clima ’tá pesado
E quando tudo ’tá ferrado,

Respira fundo, muito fundo,

E solta deliberadamente,
Calmamente e precisamente
Um grande: FODA-SE GENTE!!!

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Correr de Verdade

Forasteiro, tu, que és de fora por agora,
Tu, que vens donde só se fulmina o céu,
Não sabes o que é correr, correr, correr
Nem o que é correr para fugir de verdade
E para lá, bem para lá, do finado fôlego.

Forasteiro, tu, que não és cá de perto,
Tu, que vens lá de longe, muito longe,
Não sabes o que é correr zunindo tiros
Nem o que é correr de balas perdidas
Por entre o caos, o terror e a agonia.

Forasteiro, tu, que ainda te fartas de rir,
Tu, que desconheces o azar de aqui vir,
Não sabes o que é correr da vizinha morte
Nem sabes o que é correr para continuar
Vivendo nas ruas e ruelas destas favelas.

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PS: A tentativa lírica de cima é em honra de todas as pessoas que me são queridas e que vivem num dos países com mais recursos do mundo, mas onde impera ainda a pobreza de espírito, o crime e a fraqueza política.

Fica aqui o meu presente para vocês, meus queridos corajosos.

Que Deus não vos falhe a vós e não falhe também aos vossos queridos.