Category Archives: coragem, força, valores

Crítica Justice League

51IUMTimF1L.jpg

Justice League

de

Zack Snyder

Acabei agora de ver um dos filmes mais esperados do ano e sinceramente não posso dizer que esteja desiludido. Antes pelo contrário, posso dizer que excedeu as minhas expectativas.

Infelizmente, a tragédia pessoal que assolou a vida de Zach Snyder e provocou a intervenção de Joss Whedon veio a resultar numa simbiose quase perfeita entre a visão cinematográfica bastante estilizada de Snyder e a importância que Whedon dá às personagens no roteiro de um filme.

E não me interpretem mal, continuo a achar que o filme BvS: Dawn of Justice continua muito bom, sombrio, tal e qual um filme sobre a morte de um símbolo de esperança deve ser. Se alguém quer matar o Superman no grande ecrã, tem que ter um tom agreste, horrível e carregado de trevas.

No entanto, na senda de Wonder Woman, que nos falou da importância da paz e na extrema urgência de de lutar contra a guerra num tom muito próprio, este Justice League tem também o seu tom mais luminoso, com uma mensagem de esperança ainda mais forte.

Dirão alguns que todos os filmes da DCEU deviam ter este tom.

Eu discordo.

Cada filme é um filme e deve ter o tom que melhor se adequa à narrativa e à mensagem que merece ser passada. Man of Steel teve um tom mais épico,
BvS: Dawn of Justice teve outro tom mais negro, Wonder Woman iluminou um pouco as coisas e este Justice League veio dizer-nos para continuarmos a acreditar, para continuarmos a olhar para o céu.

E haveria tanto mais para dizer quanto ao tom, mas fiquemos por aqui…

Quanto ao argumento em si, após a chamada de Lex Luthor, Steppenwolf respondeu ao chamamento e regressou à Terra para lançar o inferno primordial sobre o nosso planeta. Compete agora ao Batman e à Wonder Woman juntar uma equipa de seres fenomenais de modo a travar as intenções do vilão. É a típica história de quadradinhos relativamente a um grupo de super-heróis; nada mais simples e que, cumprindo a fórmula, resulta na perfeição.

Claro que ao contrário dos filmes da Marvel (comparação inevitável), acontece a necessidade de conhecermos uma data de gente nova: Flash (numa versão mais cómica e ligeira que o da série televisiva), Aquaman (o mais badass de todos) e Cyborg (aflito com a possibilidade de deixar de ser uma pessoa e passar a ser uma máquina).

E o que dizer mais destes três?

Que são formidáveis, verdadeiramente formidáveis!

O roteiro passa apenas a mão sobre a superfície da água e não mergulha de todo nas suas profundezas, nas suas complicadas histórias pessoais. Tal fica para outras núpcias a solo e muito bem. Vale por dizer que se releva o essencial das suas personalidades, os seus desejos, os seus problemas e os seus poderes.

Mais pontos fortes, explorando o sentimento de culpa de Batman quanto à morte do Superman e o luto que a Wonder Woman ainda carrega após ver Steve Trevor morrer dá-nos um sentimento de continuação em relação aos outros filmes. Ademais, é óptima a química que continua a acompanhar o morcego e a amazona.

Quanto ao Superman, o seu regresso é poderoso e significante; algo que vai muito além do simples “S” que traz ao peito. Superman nunca esteve em tão boa forma como com Henry Cavil. Claro que olhos mais atentos vão reparar no bigode removido, mas os olhos menos atentos vão deixar passar… No entanto, não é tanto por aquilo que o Superman faz, mas por aquilo que conseguiu junto de Batman. Não é fácil tocar o Cavaleiro das Trevas, não é mesmo nada fácil. Todavia, o Último Filho de Krypton conseguiu-o e por isso merece palmas.

Quanto às personagens secundárias, Alfred continua em óptima forma, Lois tem um papel reduzido – e ainda assim muito importante para a história – , Martha serve de memória e Silas Stone, Mera, Jim Gordon, Henry Allen e outros que não vou relevar apresentam-se em muito boa forma também. Especialmente os novos actores deixam-nos ansiosos pelos filmes a solo de Flash, Aquaman e Cyborg. Há tanto potencial nestes filmes que até dói sabermos que ainda vão demorar a sair!

Por fim, o vilão: Steppenwolf.

Sinceramente, acho que a voz de Ciaran Hinds se adapta perfeitamente, mas tudo o resto é algo que percebemos ser digital. Talvez uma maquilhagem à base de próteses como a de Apocalipse no último filme dos X-Men ou a técnica Darth Vader (voz de um actor, actuação física de outro…) se adequava mais a este tipo de filme. O CGI consegue coisas formidáveis, mas por vezes ainda deixa muito a desejar. É o único ponto verdadeiramente negativo que encontro neste filme.

Tudo demais faz Justiça ao nome!

 

Anúncios

A propósito dos falados assédios e das suas vítimas…

O que vou contar a seguir é uma história verídica que se passou à minha frente:

Num antigo trabalho, tive uma Colega que em certo dia, enquanto procedia sentada a fazer o seu trabalho à frente de sensivelmente dez clientes (dava cartas numa mesa de póquer), teve o meu director agarrado às costas da sua cadeira a fazer movimentos pélvicos, quase como um cão com cio… só faltava babar-se e relinchar como um cavalo ejaculante!

Os clientes viram, nós, colegas de trabalho, vimos, as câmaras de segurança viram e quem quer que estivesse ali por perto também viu a minha Colega a ser alvo de uma “simples brincadeirinha” do director.

Alguns minutos depois, saída da mesa, a tal minha Colega veio bamboleando-se para junto de mim e de mais alguns colegas e, muito ofendida, refilava: “Vocês viram o que o fulano sicrano me fez? Parecia um cão agarrado à cadeira! Que nojo…”

Ora, ingénuo demais na altura e preocupado com uma colega de trabalho, perguntei-lhe revoltado: “Porque não disseste nada em frente a todos os clientes?” e acrescentei: “Tinhas envergonhado o cabrão em frente a toda a gente…”

E a minha cara Colega respondeu a sorrir: “Oh, ele é o director, não posso fazer nada…”

Sinceramente, com esta moda recente de apontar os dedos, ainda estou à espera de a ver vir para algum jornal a denunciar o porco do meu director…

Terá coragem agora quando não teve há alguns anos em que tinha montes de pessoas prontas a testemunhar a seu favor? Quando tinha câmaras de segurança a filmar o sucedido?


A vida de um homem bom…

Não acreditava nada em missas
Nem nessas modas das castiças,
Preferindo furtar-se às preguiças
De acreditar cego em tais justiças.

Escuso de correr atrás dum centil
Brincava a sério e jogava-se infantil
Dum velho cantil para um novo cantil
Cantando ébrio e tocando gentil

Peitos ao sul e paixões ao norte,
Vivendo de espírito esperto e forte
Até que ricamente lhe faltou a sorte
E lhe chegou a pobre hora da morte.


À memória do Tio Hub

É regra nos dias que correm ouvirmos os pais dizer aos filhos: Vai à escola, escuta, tenta aprender, estuda, conhece, percebe, desaprende e talvez consigas descobrir algo novo. No entanto, por vezes, pecam os pais ao não dizer aos filhos: escuta os mais velhos, eles sabem muito. A mim fez-me bem aprender as horas com a minha avó, a aprender a ler com o meu avô e, creio, foi igualmente essencial o meu avô para que eu aspirasse a ser um contador de histórias; tal e qual ele era.

Hoje não trago nenhuma da sabedoria dos meus avôs, mas trago a sabedoria de um tio-avô chamado Hub do filme Secondhand Lions, de Tim McCanlies:

«There’s a long speech I give to young men. Sounds like you need to hear a piece of it….

Some times the things that may or may not be true are the things a man needs to believe in the most. That people are basically good. That honor, virtue, and courage mean everything; that money and power mean nothing. That good always triumphs over evil. That true love never dies.

(…)

Doesn’t matter if they’re true or not. A man should believe in those things anyway. Because they are the things worth believing in.»

Página 75 do Guião do filme SecondHand Lions de Tim McCanlies

 

Sinceramente, era capaz de estar aqui uma noite a escrever sobre este pequeno excerto, mas, para além de vos recomendar vivamente que revejam este filme (que é já um clássico de 2003, com o ainda mocinho Haley Joel Osment), deixo-vos aqui uma tentativa de traduzir tudo aquilo que o velho Hub McCann me fez sentir:

«Há um longo discurso que eu dou aos jovens. Parece-me que precisas de ouvir uma parte dele…

Às vezes as coisas que podem ou não podem ser verdade são coisas em que um homem mais precisa de acreditar.

Que as pessoas são basicamente boas. Que a honra, a virtude e a coragem significam tudo; que o dinheiro e o poder não significam nada. Que o bem triunfa sempre sobre o mal. Que o verdadeiro amor nunca morre.

(…)

Não importa se são verdade ou não. Um homem deve acreditar nessas coisas na mesma. Porque são essas as coisas em que vale a pena acreditar.»

SecondhandLions (f-13959.jpg

by New Line Cinema


De que adianta a luz do Sol?

De que adianta a luz do Sol
Se sem ti, e nesta escuridão,
Não vejo luzir nada de nada?

De que adianta o girar do Sol
Se sem ti, e nesta inexatidão,
Esta vida parece deseixada?

De que adianta o calor do Sol
Se sem ti, e nesta solidão,
Só sinto a minha pele gelada?

De que adianta o pôr-do-sol
Se sem ti, e nesta sofridão,
Nenhuma noite fica estrelada?

De que adianta o nascer do Sol
Se sem ti, e nesta ingratidão,
Não tenho tua boca apaixonada?


Hemisfério errado…

Não me deste um fora
Mas, maldita a hora,
Só tu para ires embora
E deixares-me por agora.

Que faço aqui? Espero,
Fico calmo ou desespero?
Sem ti o mundo é áspero
E não dá, não te supero!

Que és sem meu braço dado,
Sem meu abraço apertado
E sem meu beijo tarado?
Alguém no hemisfério errado!

   


Pequeno, pequenino…

Hoje sinto-me pequeno, pequenino,
Nada homem, muito menos homenzinho,
Só um idiota armado em engraçadinho.

E bem me podes castigar, mas castigado
Já eu estou só por teus olhos fazer chorar
Tanto que entre soluços te falta o ar.

Magoei o peito que não devia magoar
Feri o coração que nunca devia ferir
E entristeci quem nunca devia ficar triste.

Hoje sinto que sou torpe, sujo e imundo!
Sinto que sou só erros e vergonhas
E sinto que só sou culpas sem desculpas…

Forgiveness-hands-rock.jpg