Monthly Archives: Março 2017

Recordar os menos atentos…

Para os que falam agora em “Morte à União Europeia!”, em “Orgulhosamente sós!” e em “Devemos sair da União Europeia!” eu pergunto: vocês sabem o que é a União Europeia? Sabem a sua natureza? Os seus objectivos? Os seus órgãos? Sabem, por exemplo, distinguir o Conselho Europeu (mais alto órgão político da UE) do Conselho da Europa (Organização Internacional Política)?

Parece-me bem que não, mas eu estou aqui para isso:

A UE é uma organização internacional económica, monetária e política, composta por 28 membros (por enquanto…), que tem por objetivo promover a paz, os seus valores (respeito pela dignidade humana, liberdade, democracia, igualdade, Estado de direito, respeito pelos direitos do Homem, pluralismo, não discriminação, tolerância, justiça, solidariedade e a igualdade entre homens e mulheres) e o bem-estar dos seus povos.

Para tanto, funda-se em três pilares essenciais: Liberdade de Circulação de Produtos/Serviços (Abolição de taxas alfandegárias entre os Estados Membros), Liberdade de Circulação de Capitais (Abolição de taxas aplicáveis às transferências de dinheiro e establecimentos comercias dentro da zona económica comum) e Liberdade de Circulação de Pessoas (Abolição do Controlo de Entrada de Cidadãos da UE).

Quanto à sua orgânica, as instituições da União Europeia são:
  • o Parlamento Europeu (Órgão Legislativo, eleito pelos cidadão europeus que legislam dentro das competências legislativas de foro económico, monetário e bancário que lhe são concedidas pelos Estados);
  • o Conselho Europeu (Órgão Máximo Político, composto pelos Chefes de Estado dos países membros);
  • o Conselho de Ministros (Órgão Político, composto pelos ministros dos vários governos);
  • a Comissão Europeia (Órgão Executivo);
  • o Tribunal de Justiça da União Europeia (Órgão Judicial);
  • o Banco Central Europeu (Órgão Máximo de Supervisão e Regulação Bancária e Monetária);
  • o Tribunal de Contas (Órgão Máximo de Supervisão e Regulação das Contas dos Estados)

 

Posto isto, e recordados que estão os menos atentos sobre o que é a UE, continuo a perguntar aos defensores de saída da UE, acham que Portugal pode viver:

Sem Liberdade de Circulação de Capitais? E quem nos emprestava o dinheiro e nos fiava uma rede de segurança (garantias bancárias do Banco Central Europeu) como é o actual caso?

Sem Liberdade de Circulação de Pessoas? Um país cheio de emigrantes (e de imigrantes) querer que as fronteiras se fechem?

Sem Liberdade de Circulação de Produtos/Serviços? E como captávamos nós o dinheiro estrangeiro que cá não existe?

Como de costume, as parangonas da comunicação social destacam as bocas de um senhor holandês, destacam as respostas dos senhores ministros do governo português e, como não podia deixar de ser, destacam o regresso do Ronaldo à Madeira.

RTP, SIC, TVI e outros igualmente importantes, por favor, façam o favor de explicar e recordar às pessoas que cá vivem (e que não se querem tão idiotas quanto os britânicos) o que é afinal a União Europeia durante a porcaria de um telejornal, aproveitando por exemplo o dia da celebração do Tratado Fundador da actual UE.

Em tempo da celebração dos 60 anos do Tratado de Roma, a comunicação social esquece-se de mostrar o mundo antes da Comunidade Económica Europeia, criada em 1957.

A Alemanha, a França e o Reino Unido tinham sido arrasados, as economias satélites da Europa sofriam com fome, pobreza e ameaçadas pela sombra do comunismo soviético e do Terror de Estaline… e cá havia a Ditadura do Estado Novo.

Não fosse a União Europeia e, muito provavelmente, nunca teríamos tido nada do que temos hoje… especialmente a segurança e liberdade (por mínimas que sejam).

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Assinatura do Tratado Fundador da CEE, em 1957 na cidade de Roma

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It’s Morphin Time!!!

A nossa infância, especialmente quando nos recordamos dos bons momentos, é quase sempre um mero sinónimo de nostalgia. E a verdade é que as minhas manhãs de Sábados e Domingos dos anos noventa não têm mesmo nada a ver com as actuais. Ao contrário de hoje, às dez horas lá estava eu bem desperto e lá estavam os Mighty Morphin Power Rangers na minha televisão para salvar o nosso mundo e o resto do universo.

Zack, Kimberly, Jason, Billy e Trini: preto, rosa, vermelho, azul e amarelo: as cinco cores do arco-íris inicial dos Power Rangers… sempre prontos a salvar o mundo e o resto do universo com umas acrobacias, com uns murros e com os sempiternos zords…

A mensagem era tão clarinha: lutar juntos e unidos para derrotar o mal.

Claro que tinham que aparecer as virgens ofendidas: “o power ranger preto é um sujeito de tez negra…”, “a power ranger amarela é de etnia oriental…”,  “a série tem demasiada violência para ser vista pelas crianças…”

Shsshhh!

Que mal tem o power ranger preto ser preto e a amarela ser vietnamita? Que mal tem lutar contra o mal deste mundo vestido com a cor que nos deram?

“Violência, violência e violência…”

Violência é obrigarem-nos com seis anos a ver séries sem emoção nenhuma e com mensagens inócuas enquanto os pais se esquecem das crianças em frente à televisão porque não têm pachorra de assistir àqueles desenhos feitos para mentecaptos.

Mais, recordo que o rei Simba lutou contra o tio Scar (e ganhou óscares), recordo que os Sete Anões correram a matar a bruxa madrasta da Branca de Neve e lembro-me também do Aladino a lutar contra o Jaffar para salvar a sua Jasmine e o mundo; tudo filmes cheios de acção (violência?) e bem diferentes das porcarias que hoje temos no cinema.

Mas voltando aos Mighty Morphin Power Rangers  e ao novo filme:

Primeiramente, os filmes não têm todos que ser “dark” nem “gore”. Já há demasiada escuridão no mundo e bastante sangue desnecessariamente derramado. Portanto, gostei do tom cómico e do ritmo enérgico do filme.

A acrescer, nunca um grupo de Power Rangers teve as suas personalidades tão exploradas. O novo Jason é um quarterback herói insatisfeito que adora meter-se em confusões, o novo Billy é um pequeno génio que sente falta do pai, a nova Kimberly é uma miúda mimada e atormentada por um erro infantil, o novo Zack é um baldas impulsivo que tem medo de perder a mãe e a nova Trini é uma forasteira com problemas de relacionamentos. E perfeitamente a ligá-los? A solidão que todos sem excepção sentem nos corações. É esse o laço que os une e os forma como grupo.

Temos também um introito com a história da queda de Zordon – bastante engraçado o modo como tanto ele como Jason erram enquanto líderes – e os aiii! aiii! aiii! de Alpha 5 como alívio cómico.

A parte mais fraca do filme é evidentemente o terceiro acto e tudo o que diz respeito à vilã. Os fatos/armaduras são fixes e os zords também, mas a vilã Rita Repulsa, talvez mais por falta de guião e de ideias do que por demérito da actriz, não chega verdadeiramente a assustar nem a puxar pela nossa empatia. É apenas mais uma que quer um cristal para dominar o mundo e o universo. Ainda assim, nada que não possa ser remediado numa futura sequela…

No entanto, para mim, o essencial era criar neste filme uma verdadeira equipa de Power Rangers com muito para explorar.

E isso foi conseguido, bem conseguido.

Os miúdos estão fortíssimos… o poder protege-os.

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Power Rangers, by Lionsgate


Quando a verdade dói…

Quem assiste frequentemente às notícias no telejornal vai encontrando todos os dias novos motivos para deixar o queixo cair; isto se forem pessoas normais que consigam pensar pela sua própria cabeça.

Os crimes, os atentados e a falta de segurança nas ruas passou a ter um certo tempo de antena obrigatório. Processos judiciais gravíssimos, sempre CHOCANTES, como aqueles em que estão envolvidos políticos suspeitos de corrupção, branqueamento de capitais ou outros também se tornaram uma banalidade. Depois há sempre a parte dedicada às tolices do futebol e um minuto para alguma publicidade cultural…

As únicas notícias que não percebemos mesmo é como o Donald Trump ganhou as eleições e se tornou presidente da única superpotência do mundo (CHOCANTE!!!) e como senhor Dijssebloem pode dizer “Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e, depois, pedir ajuda”. (CHOCANTE!!!)

Não percebemos nada destas duas figuras… ou percebemos?

Ora, e agora falo eu, o Trump ganhou porque, como diz o Kanye West, fecham-se escolas e abrem-se prisões nos Estados Unidos da América. CHOCANTE?!?!? É pior em Portugal onde se fecham escolas, onde se abrem cursos superiores públicos em áreas desnecessárias para o país, onde se aconselham os jovens licenciados a emigrar e onde as “prisões de máxima segurança” têm sorte de ter os brandos e conformados presidiários que lá cumprem pena.

Quanto ao Dijssebloem… eu não gosto dele, mas (vá lá!) o tipo já disse coisas bem piores e muito mais graves. Ninguém lhe disse na altura para se meter na sua vida e deixar os outros países terem sucesso nas suas políticas, mesmo que sozinhos. Porquê comentar agora?

Será assim tão CHOCANTE ou ofensiva esta frase ” Não se pode gastar todo o dinheiro em copos e mulheres e, depois, pedir ajuda”?

Quem é que já foi a um casino ao fim-de-semana? Quem é que já foi ao café ao fim-de-semana? Nunca nenhum de nós assistiu a tipos a consumirem copos em excesso e a abrirem a carteira com mulheres interesseiras? Poupem-se, virgens ofendidas…

O “normal”, pelo menos em Portugal, é o pobre (a classe trabalhadora) desgraçar as poupanças em copos, cigarros e charros ao fim-de-semana em vez de poupar para tentar abrir um negócio próprio e o rico (a elite económica) desgraçar as contribuições da Segurança Social e as retenções na fonte relativas ao trabalhador com putas, jogo e drogas pesadas.

Com efeito, tudo “normal”.

O pior é mesmo quando os copos e as mulheres nos levam as carteiras e depois temos que pedir emprestado…

E quanto a vocês não sei, mas eu, enquanto sujeito controlado, odeio ser o amigo que paga os vícios dos outros.

Portanto, já o dizia Jesus, não atirem pedras…

Pensem…

 

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By Lusa


Nublado…

Sou um dia de praia nublado

Uma onda agitada mas fraca

Um brilho cinzento e morno

Uma apagada pegada na areia

Um raio de sol tapado p’las nuvens

Uma pitada de sal insalubre

Um perfume a maresia esvaído.


Poder de Continuar

Gosto de reflectir bastantes vezes sobre o poder e suas várias revelações: influência social, armamento bélico, inteligência e esperteza, riqueza e estatuto, arte, oratória, imagem e n-outros…

No entanto, há um em que me sabe particularmente bem apoiar nos momentos mais difíceis: a capacidade que existe neste peito para simplesmente continuar, continuar, continuar…

A capacidade de responder às dificuldades e continuar, a capacidade de me levantar quando me jogam ao chão e continuar ou a capacidade de me superar face às muitas pedras que existem no caminho e continuar… é este o único e verdadeiro poder que existe dentro de mim, talvez dentro de todos nós.

O meu coração continua, continua, continua e só pára quando a grande noite chegar.

Enquanto isso, eu não me limito a prosseguir.

Eu continuo, continuo, continuo…

Continuo determinado, continuo ambicioso e continuo forte.

Eu… não desisto.

Eu continuo…