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Sobre a Migração – O Grande Tema Legislativas Portuguesas de 2024

Políticos, forças de segurança, organizações não governamentais, jornalistas, comentadores de televisão, populistas, progressistas, conservadores e conversadores de café ocasionais. Todos falam da emigração como um fenómeno recente (tal como fizeram com a Pandemia do Covid-19), mas nem todos se encontram conscientes de que tal fenómeno data dos primórdios da criação, ainda antes da humanidade nómada. É pena porque poderiam todos parar de discutir causas de algo que é natural a todos os seres: ir em busca de um lugar melhor para viver e criar a prole.

Ocupação de postos de trabalho a preços reduzidos, competitividade laboral inquinada, aumento de criminalidade, habitações lotadas, ruas cheias de emigrantes, insegurança para os que cá estão, recusa de vacinas e terrorismo religioso são talvez os subtemas que mais se cruzam com este grande fenómeno migratório. E, por um lado, até é bom que se discutam estas realidades que, pasmem-se os populistas, não afectam apenas as pessoas de bem; afectam os dois lados da moeda.

Ninguém fala dos sonhos desfeitos de uma pessoa que se vê obrigada a fugir de um lugar com medo do narcotráfico, dos receios de mudar de país/continente, do câmbio que leva 4/5 das poupanças, da dor causada pela distância das famílias ou da separação entre pais e filhos.

Ninguém fala das exorbitâncias cobradas a título de honorários aos emigrantes para solicitarem autorização de residência e trabalho ou do batelão de taxas e impostos pagos até finalmente um burocrata mandrião achar um buraquinho na agenda para recolher uma foto, a altura, as impressões digitais e a assinatura de um fulano que mal percebe a nossa língua, quanto mais as nossas manhas.

Ninguém fala de como os sucessivos governos e associações patronais (portuguesas, europeias, britânicas e norte-americanas) têm mantido a porta aberta aos que vêm de fora para baixar os preços de determinados sectores comerciais, das quais se destacam os trabalhadores de grandes superfícies comerciais, os técnicos de callcenters, os entregadores de comida ao domicílio e os eternos condenados da restauração e hotelaria.

Ninguém fala de como o respeito e a segurança (física, mental, laboral e social) de um estrangeiro corresponde igualmente à segurança de um nacional.

Tenho para mim que os populistas estão perdidos. Escumalha são, escumalha serão. Falam muito, mas todos nós sabemos o que eles pretendem das instituições democráticas: destruir e reinar.

Já quanto aos conservadores e aos progressistas, creio que ambos se podiam reunir em torno de uma opção geopolítica de grande envergadura com quatro pilares básicos:

1º) Controlar melhor quem entra na nossa casa (será sempre uma essencialidade básica, até por uma questão de cooperação interpolicial e interjudicial);

2º) Criar quotas regionais de entradas migratórias por mês/ano de modo a manter uma identidade cultural portuguesa com tendências por um estado de direito laico e democrático;

3º) Evidenciar esforços (inclusivamente militares) para evitar que tensões geopolíticas escalem para guerras geradoras de refugiados;

4º) E, por fim, forçar os países que adoram fundos de desenvolvimento, reciprocidade de vistos turísticos e extinção de pautas aduaneiras a adoptar com rigor e seriedade medidas bastante reais para evitar que os seus cidadãos (normalmente multiplicados como peixes pelos sermões dos padres…) também deixem de querer sair dos seus países de origem.

A ideia base será que quanto mais alimentados, abrigados, educados, integrados, democráticos e seguros estiverem os nossos vizinhos, mais seguros continuaremos nós. Exigir resultados ao ritmo necessário é fundamental a todos.


Os Estrangeiros

Como é possível que na Europa estejamos a assistir à ascensão de movimentos populistas com tendências xenófobas? Num território como o europeu, onde diariamente tanto os professores como os media fazem questão de referir que a xenofobia e o racismo são desvalores bárbaros e contrários a uma sociedade desenvolvida, é paradoxal que estes movimentos estejam a crescer, tal como a antipatia pelo “estrangeiro que vem para cá tirar trabalho aos que cá estão”. Porque acontece isto?

Começando por provocar: estes radicais em ascensão até têm alguma razão na sumária identificação que fazem do problema. Tirando a ideologia da questão e correndo por um trilho pragmático, a verdade é que os migrantes que chegam à Europa vêm para cá porque (surpresa!) querem melhores condições de vida. Querem mais segurança, mais dinheiro e algumas perspectivas sérias de futuro para os filhos. E tanto os seus propósitos como a sua necessidade de ganhar sustento, motes que devem ser respeitados, gera competição entre a mão-de-obra interna e a que vem de fora.

Tudo isto é normal e bastante humano. O que não é normal nem humano é a inércia estadual perante a autêntica desregulação e ausência de fiscalização da actividade laboral. Vejamos alguns exemplos:

Patrões que, não conseguindo ou não querendo pagar o justo pelo trabalho prestado, contratam e trazem trabalhadores do Nepal, do Brasil ou dum qualquer país africano a preço de uva mijona. Fogem às contribuições, ao fisco e, mal o trabalhador manifesta algum desagrado, vai para a rua sem qualquer tipo de fundo de desemprego. Isto é mato nas empresas de construção.

Por outro lado, a restauração. Quem é que quer trabalhar num restaurante, num hotel ou num café cheio de bêbados seis dias por semana por 800,00€ pagos por fora? Ninguém, certo? Mas a verdade é que rareia o cafezinho em Portugal onde não há um emigrante a trabalhar nestas condições. E porquê? Porque precisa de pagar renda, contas e custos com processos de regularização de permanência em território nacional. O facto de poder vir a magoar-se e não ter direito a apoios financeiros do estado pouco lhe importa.

E quanto aos shoppings? Quem é que aguenta ganhar o salário mínimo e trabalhar para grandes empresas que do nada usam com uma facilidade mínima a mobilidade geográfica do trabalhador para o manter de cabeça baixa? E quem é que trabalha nas lojas dos shoppings maioritariamente? Os emigrantes, certo?

Até aqui só dei exemplos de mão-de-obra pouco qualificada, mas vejam o que sucede já nos hospitais com médicos da América Latina a fazerem turnos atrás de turnos em regime de recibos verdes. Ou na advocacia, com os advogados de outros países e outras leis a entupirem os serviços de estrangeiros e fronteiras com processos muitas vezes e propositadamente mal instruídos com o único intuito de evitar deportações de quem nunca se interessou pela legalidade.

Posto isto, o problema não se prende com a importação massiva de pagodes brasileiros, kizombas angolanas, chamuças indianas ou plásticos chineses. Sendo sincero, a maioria dos portugueses até acha piada às diferenças e até as consome, especialmente se forem gastronómicas. O problema prende-se com o facto dos estados europeus nada fazerem para evitar a desvalorização dos rendimentos de quem trabalha. Não é tanto uma questão de valores morais e culturais, é muito simplesmente uma questão de carteira e de valores monetários.

Quando ninguém vigia (incluindo o próprio trabalhador que se sujeita a tudo e mais alguma coisa) e quando ninguém controla dá-se isto: o que deveria ser excepcional começa a aproximar-se da regra geral. E o que sucede depois? Conformismo, pobreza, fome, descontentamento e ascensão de movimentos radicais. O Brexit, por exemplo, deveu-se em larga maioria ao facto de os britânicos deixarem de estar dispostos para acolher novas vagas de gente que, merecendo respeito, vinha ao abrigo desse ideal de mercado livre e concorrencial que, habitualmente, desvaloriza os rendimentos de pessoas que, inegavelmente, já se encontram inseridas num mercado livre e concorrencial.

Chegados aqui, depois de identificados alguns dos problemas a curto e longo prazo, importa debruçarmo-nos sobre formas de resolver estes problemas:

O primeiro ponto a ter em conta é que o ideal “mercado de livre concorrência” precisa de ser relativizado. Jamais poderá ser absoluto. Caso contrário, ou os concorrentes se aliam para não mais baixar os preços (e falseiam a concorrência, o que é ilegal…) ou então os concorrentes deixam de prestar o seu trabalho porque não estão para oferecer gratuitamente o seu produto/serviço de graça. Só assim, valorizando mais os rendimentos que o mercado, se consegue reter o talento que se forma nas nossas escolas e universidades.

O segundo ponto a ter em conta é exigir mais a quem quer vistos turísticos para, sub-repticiamente, permitir aos seus cidadãos que emigrem e não mais voltem. Dá imenso jeito, por exemplo, ao Brasil que os seus brasileiros viajem como turistas e depois apresentem uma manifestação de interesse para ficar em solo europeu, tal como dá jeito ao Brasil invocar o princípio da reciprocidade para dizer que os europeus também podem ir viver para território brasileiro quando quiserem. O problema é que nenhum pobretanas europeu quer voar para os braços abertos de um estado que pouco ou nada faz para melhorar a segurança das ruas, o estado das estradas e dos transportes, a educação primária e secundária, os serviços públicos, os preços dos supermercados, a ética patronal e os rendimentos de quem trabalha. Se um estado quer vistos turísticos tem de alcançar um patamar em que o princípio da reciprocidade se aplique num plano real (como ocorre entre Estados Unidos da América e a Europa) ao invés de um plano meramente teórico.

Terceiro ponto, apagar fogos no quintal do vizinho. Se a casa ao lado da nossa estiver a arder a reacção mais adequada será sempre levantar o rabo do sofá e ir ajudar o vizinho e bombeiros a apagar o incêndio. Caso contrário, o que sucederá à nossa casa? Os países europeus não podem continuar a permitir o corrente relaxo e o caos endémico nos países africanos. Se os povos africanos não conseguem assegurar a sua própria segurança interna e os seus dignatários roubam os fundos públicos ao invés de investirem em estradas e fortes projectos de agricultura e barragens, os estados europeus têm de intervir, exigir e, se for caso disso, repor a ordem. Caso contrário, continuarão a existir guerras civis e refugiados que, de forma totalmente justificada, fogem para solo europeu para competir em segurança com a mão-de-obra que cá já existe.

Uma última nota para referir que Elon Musk e todos os outros empresários dignos deste nome já se aperceberam que o futuro passará inevitavelmente pela exploração das estrelas; esta nossa casa não acolherá para sempre um tão grande número de pessoas.  Mas, no entretanto, e como a tecnologia ainda não nos permite fazer uma horinha daqui até Marte, é preciso defender até à exaustão a organização dos povos, a valorização dos rendimentos e o bem-estar das pessoas. Caso contrário, os movimentos populistas continuarão a aumentar. E a História está cheia de exemplos do horror e terror que estes movimentos populistas provocam quando chegam ao poder. Tanto para os estrangeiros como para os nativos.


DEBATES IMPROFÍCUOS

Dentista com o paciente:
– O senhor tem os dentes tortos, quer colocar um aparelho?
– Quem disse que tenho os dentes tortos? A senhora? Já viu que está a ficar careca?
– Eu a ficar careca? O senhor usa óculos de garrafão!
– A senhora é gorda!
– Contudo, o bafo do senhor tresanda a álcool!
– E a senhora tem cara de quem precisa de sexo!
– E você é um pulha que deve bater na sua mulher só porque ela lhe diz que tem os dentes tortos!
– Eu tenho os dentes tortos? A senhora está a ficar careca! Quem é você para me dizer que estou a ficar com os dentes tortos?!?!?

Quem atentar bem a este pobre e caricaturado diálogo, percebe facilmente que os dentes tortos do paciente são o primeiro problema identificado. Igualmente percebe que lhe é sugerida uma solução. Contudo, ofendido o paciente (quiçá estúpido como uma pedra…) pelo notado problema, ignora a sua tortuosa dentadura e parte para o “Quem é você para me dizer o que quer que seja? Você até tem igualmente defeito!”. Por sua vez, igualmente ofendida pelo paciente, a dentista retribui na mesma moeda e leva retorno e torna a responder e assim sucessivamente até facilmente percebermos que o primeiro problema (os dentes tortos do paciente) continua por resolver e vai continuar por se resolver.

Isto, infelizmente, é o que temos na televisão portuguesa (especialmente no mundo do futebol e na vida política). Argumentos sobre um tema rapidamente se dispersam e divagam para o “Queres que eu respeite isso, mas tu nunca o fizeste!” ou “Sim, sim! Mas o teu clube/partido é tão incompetente/criminoso como o meu!”.

Portanto, o que temos para discutir quando as pessoas não sabem discutir? Como encontramos juntos uma solução se as partes se focarem apenas em comparar problemas? Mais, o que fazemos quando esta forma de desargumentar é reiteradamente propositada pelos propagandistas do inócuo e do vazio?

Bem sabemos que existe a liberdade de expressão, mas onde está o acrescer da responsabilidade inerente a quem tem voz pública e a exerce de forma leviana, imprecisa e geralmente de forma sofista?

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Ressaca das Eleições Brasileiras

Enquanto português, e, por isso mesmo, com olho externo sobre o Brasil, penso que as causas sobre a ascensão de Bolsonaro são as seguintes:

1. Problema estrutural de educação.
Têm uma taxa de analfabetismo que julgo rondar os 7,2% segundo as últimas notícias que li sobre o assunto. Depois, e perdoem-me os brasileiros, a qualidade do ensino é péssima. Qualquer tipo que tenha frequentado uma escola portuguesa (cujo ensino público não é assim tão bom…) chega ao Brasil e se destaca (mesmo o aluno com mais dificuldades). Mais, e apenas a título de exemplo, encontrar um brasileiro que saiba falar inglês é uma raridade e a História de Portugal (que tem a sua influência, para o bem e para o mal, na História do Brasil) é algo bastante brumoso para a maioria do povo brasileiro.

2. A Presidenta Dilma
Mais preocupada em ser chamada de Presidenta do que noutro assunto qualquer (uma tremenda parvoíce, sendo que presidente é já só por si um étimo sem género e não há nenhum “presidentO” na língua portuguesa…) , a dona Dilma foi eleita pelo povo brasileiro, mas nunca percebeu que já não se encontrava ao serviço de Lula da Silva e nunca percebeu que a figura do Presidente do Brasil nunca poderia, em momento algum, pôr-se a tentar proteger um cidadão investigado por crimes de corrupção. Percebendo de antemão alguma frustração por algum abuso das entidades judiciárias, tentar fazer regressar Lula ao governo foi, mais que um erro crasso, um atentado à transparência política e um convite claro ao impeachment que sofreu.

3. Lula da Silva
Talvez por teimosia ou talvez por falta de melhor aconselhamento, Lula da Silva arrastou o PT para a fossa, não percebendo a importância do seu partido para a estabilidade política do Brasil. Mais, a falta de sentido de estado foi tão grande que em vez de se afastar da sua afilhada Dilma, do PT e do governo, ainda tentou voltar a concorrer às eleições, fraturando assim tanto o eleitorado como dando a entender que no PT não havia ninguém capaz para lutar por ser presidente.

4. Partido dos Trabalhadores
Não, nem todas as pessoas que votam em Bolsonaro são fascistas ou misóginas; pois algumas delas votaram em Lula e em Dilma. O PT, e suas bases, pagam agora por não terem criado um aparelho profissional, competentes e desgarrado de personalidades. A idolatria incondicional que prestaram a Lula, querendo colocar em causa o próprio aparelho judiciário, foi mergulhar na merda e continuara chafurdar nela. Mais, qual era o programa de governo de Hadad? Os projectos? As ideias? Resposta inacreditável: indulto a Lula. Mesmo sabendo que eles acreditam plenamente na inocência de Lula, o que pensa o resto do mundo? Apenas uma coisa: a corrupção é sistémica.

5. Direita Brasileira
A Oposição está sempre à procura de poder, dê por onde der, e conforme os métodos que estiverem à sua disposição. Socorrendo-se dos valores conservadores de Moro e restante companhia judiciária, fizeram um aproveitamento político e, passe a redundância, baixo. Claro que não contavam com a ascensão de Bolsonaro, mas talvez lhes sirva de lição.

6. Aparelho Judiciário
Não colocando de parte a hipótese de Lula ter sido efectivamente corrompido, o que está em causa é a entrega de uma casa (e outros valores) a Lula como contrapartida deste, enquanto esteve no poder, os favorecer ilicitamente. Contudo, ressoa (nunca consultei o processo) a inexistência de provas…
Mais, se fosse em Portugal que Moro (sabe-se agora apoiante de Bolsonaro) aparecesse durante uma campanha política revelando documentos em segredo de justiça via-se logo a contas com um processo disciplinar. No Brasil aplaudem o seu “heroísmo”…

7. Comunicação Social
Não é por a comunicação social se ter tornado um negócio que os deveres de prestação de informação isenta e precisa, bem como os deveres de prestar programação de qualidade (e não apenas futebol e big brothers e companhia…), se devem descurar. A título de exemplo, qualquer jurista português se assusta com aqueles programas brasileiros em que o jornalista entrevista um tipo detido e algemado e lhe pergunta “Porque você matou a sua mãe?”. Esse tipo de programas é um atropelo aos direitos fundamentais de qualquer cidadão, mesmo dos cidadãos mais torpes e, no entanto, é um tipo de programas que continua a existir. Desculpem-me os consumidores desses programas, mas esse tipo de programação emburrece as pessoas e torna-as mesquinhas e de visão curta.

8. Insegurança
O medo destrói regimes e a promessa de segurança ganha votos. É tão simples como isso. O Brasil teve mais assassinatos este ano num ano do que a União Europeia e os Estados Unidos da América juntos. Porque diabos o PT e os outros não tomaram nenhuma medida contra esta insegurança? Por amor de Deus, não custa a perceber isso, era só ver a Tropa de Elite (1 e 2)!

9. Igreja e bispos e padres de merda
“A César o que é de César, à Igreja o que é da Igreja.” Disse Jesus Cristo.
Contudo, os bispos e parolos religiosos querem mais que o Reino de Deus! Querem poder! E, por isso, toca de aproveitar a necessidade de orientação espiritual das “ovelhas” e apoiar Bolsonaro…

10. Povo
Por fim, ao contrário do que alguma comunicação social parece querer fazer crer, havia escolhas políticas para todos os gostos. Não existiam apenas PT (nem nomeio o boneco que concorreu por este partido) e Bolsnaro. Havia mais! Muito mais! Havia conservadores, liberais, socialistas, comunistas, centro-esquerda, centro-direita…. uma lista sem fim! Mas as pessoas preferiram um cowboy que respira fascismo por tudo quanto é poro. Logo, não adianta muito queixar-se quando começar a existir tiro por todo o lado e prisões sem ordens judiciais!


Falando a sério da Pornografia

Sim, eu sei que é difícil falar dum tema como a pornografia sem que de repente surja uma daquelas piadas com três bolinhas vermelhas. E também sei que é difícil defender o porno sem parecer um canholeiro profissional…

Tentando pôr de parte estas bananalidades, vamos lá falar a sério:

Primeiro, importa distinguir a pornografia da nobre ferramenta do erotismo; ou seja, o conjunto de técnicas artísticas que indiciando actos de cariz sexual (sem mostrar ou mostrando muito pouco…) visam provocar um fascínio (uma emoção) ao seu público.

Este erotismo visa seduzir o espectador com metáforas e outros aforismos que glorificam actos como os esforços de sedução, a dança, o primeiro beijo, as roupas a caírem no chão e, já na linha vermelha, alguns preliminares ensombrados antes da cena se interromper e deixar à imaginação do público o que vem a seguir.

Já a pornografia, como qualquer miúdo na puberdade sabe, não indicia nada; mostra tudo, revela tudo, expõe tudo…

Aqui não se glorifica a subtileza nem se apela à imaginação do espectador. Põe-se tudo a nú, vulgariza-se tudo (especialmente a puta e o preto…) e não há minudências que se escondam do público. Mostra-se todo o acoitar entre dois seres (ou mais…): a mulher escancarada em 4K e o homem a penetrar em FullHD até uma ejaculação bombástica suceder em 3D… (Lá estão as piadas.)

Posto isto, porque me dei ao trabalho de escrever sobre a importância da pornografia? Porque me dei ao trabalho de defender algo que, por via das normas, é sujo, vulgar e brutal? Porque me dei ao trabalho de defender algo que por vezes até explora gostos criminosos como a pedofilia ou incita aos abusos sexuais?

Simplesmente pelo papel da pornografia na quebra de tabus.

Hoje, quase todos sabemos bem mais sobre sexo do que os nossos pais. Porquê? Sinceramente, não é pelos folhetos do centro de saúde, não é pelas conversas cheias de medo dos pais e muito menos pelas afamadas aulas de educação sexual (incluindo as catequeses ridículas de algumas religiões mais conhecidas…).

Hoje, a nossa cambada sabe bem mais do que os nossos pais sobre sexo devido ao bombardeamento de conteúdos porno e os efeitos colaterais que daí advêm.

Efeitos colaterais que passo a enumerar:

– Dessacralização do sexo;

– Percepção que o desejo sexual e o sexo é uma pulsão comum a todos os seres humanos;

– Abertura… mental para a discussão sobre  pornografia e, em consequência, para a discussão sobre sexo;

– Partilha de gostos e de novas experiências;

– Saúde mental e física, sobretudo através de alertas para a necessidade de sexo seguro (Fazer sexo na ponta duma grua fica mais seguro se usarmos preservativo!);

– Exploração da criatividade na cama (ou noutro lugar);

– Empoderamento pessoal através do conforto com o descaramento (que pode ser uma forma de coragem…);

E muitos mais que cada um saberá…

Portanto, da próxima vez que alguém vos disser que são uns tarados por defenderem a pornografia, vocês só têm que dizer que a pornografia é algo bastante liberal e totalmente democrático. Para quem esteja interessado, existe para todos os géneros, para todas as raças e para todos os gostos… mesmo para aqueles tipos e tipas que gostam de coisas verdadeiramente estranhas!

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Priapus

 


Letras Pequenas

Há dias em que temos menos paciência do que outros, é um facto. Hoje tenho ainda menos paciência do que nesses mesmos dias, mais um facto. Estou lixado, lascado e fudido com certas pessoas do mundo.

É triste quando certos trastes que fazem mal a um grupo gigante de pessoas, muito competentes em incompetentar os outros e ainda mais competentes em gerar ódio, alcançam determinados cargos que lhes proporcionam visibilidade e facilitam ainda mais o seu trabalho de publicitar a raiva, o nojo e o ódio.

Uma dessas “pessoas” tem por nome nuno saraiva (as minúsculas, como devem reparar, são propositadas) e é “director de comunicações” do Sporting Clube de Portugal.

Entre outros casos infelizes desta personagem seguida por um vasto bando de ignorantes, vejamos o caso de hoje:

Após o Sport Lisboa e Benfica convidar o rival Sporting Clube de Portugal para homenagear os jogadores portugueses, campeões europeus de futsal com todo o mérito, levou com esta resposta do “director de comunicações”:

“O Sport Lisboa e benfica fez um convite ao Sporting Clube de Portugal para, no dérbi de futsal do próximo sábado, homenagear os campeões europeus da modalidade, entre eles, 4 atletas do Sporting Clube de Portugal.
Por considerarmos que este é um gesto de total hipocrisia, o Sporting Clube de Portugal recusa participar em qualquer acção conjunta com um clube que não partilha as regras e valores pelas quais nos regemos, designadamente, a promoção da verdade desportiva, a transparência e a dignificação e credibilização do desporto português.”

O que há para dizer deste traste quando começa o seu post por escrever o “Sport Lisboa e benfica” (com letra pequena…). Podemos dizer que é uma daquelas habituais faltas de respeito de taberneiros que passam a vida nos cafés a ler pasquins e jornais da bola ou podemos dizer que ele simplesmente merece uma resposta à altura:

nuno saraiva,

Tu sabes que não passas dum anão barrigudo e, por isso, é que é tão fácil para ti desceres tão baixo!

Resposta dada ao anão barrigudo, passemos ao que verdadeiramente me chateia:

A democracia, quando exercida em maioria por um povo ignorante e sem valores, torna a restante minoria honrada e esclarecida numa vítima perfeita de ditadores eleitos.

É um FACTO! e é um FACTO! que me chateia, que me irrita e que me revolta!

Até quando temos que levar com personalidades como Trump? Como Bruno Carvalho e nuno saraiva? Como Cavaco Silva? Como Maduro? Como Lula da Silva e como Dilma Roussef? Ou com tantos outros idiotas que são eleitos para cargos de associaçãos privadas ou para cargos públicos pelos nossos vizinhos idólatras e populistas?

Resposta:

Até que se tome consciência que é preciso ler bons livros! Até que se tome consciência social que, lá por dar audiência, não se pode passar todo o tipo de programas televisivos! Até perceber que a cultura exige respeito! Até se perceber que é no respeito pela nossa pessoa e pelo respeito pelos outros que se encontra a pedra angular de qualquer sociedade! Não é no ódio dos minorcas…


As palavras demasiado fortes

Alguém que escreva regularmente sabe dar-se conta do poder das palavras. A título de exemplo, requerer e solicitar são palavras diferentes de pedir. Senão vejamos: requer-se o pagamento de algo, solicita-se um documento nas finanças e pede-se um favor a alguém.

Nessa senda, é diferente ter desejos pelo pipi, pela vagina e pela cona de uma mulher. No primeiro caso, podemos estar perante a demência da pedofilia, prevista e punida pelo nosso Código Penal Português; no segundo ansiamos formalmente pela rápida abertura de um par pernas despido; e, por fim, ao desejarmos uma cona significa que estamos sedentos de penetrar algum orifício putanesco que só serve mesmo para esse efeito.

Ora, observando o politicamente correcto em vigor, temos hoje liberdade para tudo; especialmente para utilizar sem medos a palavra cona e suas derivações como conaça (quando é mesmo boa) ou coninha (quando é mesmo apertadinha). Temos até a liberdade canibal para dizer “quero comer uma cona!”.

Ora, a verdade é que, para além de se utilizarem livremente palavras horríveis nos dias de hoje, estas palavras banalizaram também sentimentos de despreendimento e descarinho pela mulher, alguém que também tem sentimentos (pelo menos algumas…) e que também sente como nós, homens (desde prazer à dor, passando pelo orgulho até à humilhação).

Por isso, e chegando finalmente ao desenlace desta ideia, pensemos um pouco se as mulheres, qualquer delas, que nascem, caminham e morrem ao nosso lado neste passeio pela vida merecem ouvir faltas de educação constantes relativos à sua genitália.

Acho que não.

Existem sempre palavras mais bonitas para usar e, para os mais criativos, inventem novas palavras.

Claro que não faltarão criaturas que adorem ouvir uns bons palavrões quando as hormonas pululam na cama e que pedem, requerem e solicitam palavras feias quanto à sua mariazinha. Qual o mal de asneiras e de as utilizar aí? Nenhum, desde que o façam sem desrespeitar a pessoa que está com vocês.

Não sejam toscos nem brutos.

Respeitem!


A Desconversa – 1ª Inverdade

Desmitificando, o facto de o mundo estar repleto de gente inculta (não burra!), e na maior parte das vezes convencida que detém a verdade, não é acidental, como pode parecer à primeira vista.

Os motivos são vastos, pelo que este post será o primeiro de alguns:

1 ª Inverdade

“O ensino escolar é fraco (especialmente o ensino público).” É uma das inverdades (não lhes chamemos falácias nem mentiras).

Eu, na escola pública (1º-12º ano), num meio social suburbano de Lisboa, aprendi a escrever, a fazer contas, aflorei a história de Portugal, foi-me dado a conhecer alguns conceitos geográficos, apreendi conceitos básicos de física e química e biologia, rascunhei uns traços artísticos, moldei umas coisas em gesso, fiz projectos com madeira e electricidade e foi-me transmitida a importância do exercício físico.

Claro que me esqueci de algumas coisas durante a vida. Motivos? A falta de jeito? O desinteresse? A preguiça? Provavelmente um mistifório dos três…

No entanto, o essencial está cá. Sei escrever, sei matemática básica (somar, subtrair, multiplicar e dividir e mais algumas contas de três simples), sei que quem não sabe o que significa 1143 não é português e sei mais uma quantidade de coisas que apenas serviriam para engrandecer o meu pequeno ego e o vosso enfado…

Por outro lado, muitas das pessoas que conheço ficam especadas a olhar para mim quando invoco conceitos tão simples como uma metáfora ou como o PIB, nomes tão famosos como o Condestável ou como o Infante D. Henrique ou datas tão importantes para Portugal como 1755 e 1974.

Os olhos arregalam-se, as sobrancelhas acanham-se e alguns, os mais envergonhados, têm o cuidado de me pedir que explique do que estou a falar. Os mais arrogantes preferem remeter-se ao silêncio e passar por burros silenciosos – não percebem que os olhos em baixo, os queixos tímidos e os ombros encolhidos falam tanto como uma boca fechada.

Claro que certas perguntas me dão uma vontade desesperada de lhes perguntar o que andaram a fazer na escola comigo. Contudo, o que me tira do sério é, em primeira instância, a arrogância de nem sequer admitir que um dia lhe foi ensinado aquilo que eu também tive oportunidade de aprender e, num segundo momento, a preguiça de nem sequer terem instalada a aplicação da Wikipédia naquele precioso smartphone colado às mãos.

Com tudo isto em mente, tornemos a pensar na escola pública e na razão de ser do ensino público ser mau.

Em primeiro lugar, quem a compõe? Conselhos Directivos, que normalmente já foram Professores e, por sua vez, também Alunos; Professores que já foram Alunos;  Funcionários que já foram Alunos; Pais que já foram Alunos; e Alunos que nunca foram mais nada.

Assim sendo, temos que analisar esta hierarquia.

Começando por cima: como pode um Conselho Directivo ser bom? Provavelmente, deve ter um propósito muito concreto que é o de elevar a média geral das notas de todas as turmas da escola e fazer dos seus meninos cidadãos com valores bem definidos. Contudo, deve fazê-lo consciente dos recursos e limitações que dispõe. Uma escola, hoje dia, não funciona sem professores, sem electricidade, sem casas-de-banho, sem secretarias e tesourarias e outros componentes em que não me quero alongar. Qualquer Conselho Directivo deve providenciar todos estes recursos mínimos.

Desconfio que dez porcento da minha geração possa dizer que lhe faltaram durante 12 anos seguidos qualquer um daqueles componentes. As médias podem não ter subido, mas a culpa de tanta falta de cultura em adultos será do Conselho Directivo depois de 12 anos com o rabo sentado na cadeira?

Em segundo plano, os professores. Sempre existiu e sempre haverá de existir uma classe de bons profissionais e outra de maus profissionais. O que se exige é que tenhamos mais quadros bons do que quadros maus. Pergunta: será que maior parte da populaça só teve professores maus?!?!? Desculpem, mas não me parece…

Não falemos dos pobres funcionários, que pouco contam ainda que façam muito pelas escolas.

Falemos dos alunos.

O que é um bom aluno? É aquele que escuta calado nas aulas, se diverte nos intervalos, aprendendo por vezes coisas como a amizade e o amor, e estuda, a sério, quando é necessário. Tão simples quanto isso… O problema é que, com muita certeza, existem vezes em que a juventude prefere aprender outro tipo de coisas da vida (amizade, namoradas e futebol) durante as aulas em vez de estar calado a ouvir o professor, seja este bom ou mau… Como podem depois estes últimos não arregalar os olhos e bater as pestanas espantadas quando ouvem falar de Fernando Pessoa e não o sabem distinguir do tipo que escreveu Os Lusíadas.

Por fim: os pais. Ao contrário do que se pensa, são os pais a base da pirâmide. A escola ensina conceitos, mas raramente valores. Não tem tempo para ensinar valores. Em consequência, é aos pais a quem compete ensinar palavras como a bondade, a amabilidade, a honestidade, o respeito e seus limites, bem como os modos de cortesia e de viver em sociedade. Não basta indicar aos filhotes as cores do clube que devem seguir cegamente. É importante, todos os dias, serem o professor do jovem coração a que deram fôlego, o exemplo do ser social que o uma pessoa é e, mais importante de tudo, saber pedir desculpas aos filhos quando se erra – porque aos pais também é permitido errar.

Quer-me com isto parecer que, chegados aqui, estamos já habilitados a perceber uma coisa que falha muito ao cidadão: A casa faz parte da escola (pública ou privada).

Logo, se há algo que falha na escola pública, não é apenas a escola essencialmente a culpada pelo estado do ensino público. No núcleo central do problema está a casa e quem manda nela! Os pais, os avôs, os tios, os tutores, os representantes legais e o diabo a nove! Se os alicerces da casa não forem fortes, quem lá vive corre o risco de que o tecto lhe desabe em cima da cabeça!

(Não aproveitem os professores e os sindicalistas para se eximirem das suas responsabilidades, pois que cada mau professor é uma falha do Estado e dos seus cidadãos!!!)

Todavia, se um filho aprender em casa valores, aprenderá também na escola os conceitos, mas não só na escola. Aprenderá em cada recanto conceitos e experimentará sem medos tudo aquilo que a vida tem para lhe oferecer. Deixará de precisar de professores.

Por outras palavras, aprenderá a pescar sozinho porque lhe ofereceram a cana-de-pesca, a linha e o anzol.


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