Category Archives: Inverdade

Letras Pequenas

Há dias em que temos menos paciência do que outros, é um facto. Hoje tenho ainda menos paciência do que nesses mesmos dias, mais um facto. Estou lixado, lascado e fudido com certas pessoas do mundo.

É triste quando certos trastes que fazem mal a um grupo gigante de pessoas, muito competentes em incompetentar os outros e ainda mais competentes em gerar ódio, alcançam determinados cargos que lhes proporcionam visibilidade e facilitam ainda mais o seu trabalho de publicitar a raiva, o nojo e o ódio.

Uma dessas “pessoas” tem por nome nuno saraiva (as minúsculas, como devem reparar, são propositadas) e é “director de comunicações” do Sporting Clube de Portugal.

Entre outros casos infelizes desta personagem seguida por um vasto bando de ignorantes, vejamos o caso de hoje:

Após o Sport Lisboa e Benfica convidar o rival Sporting Clube de Portugal para homenagear os jogadores portugueses, campeões europeus de futsal com todo o mérito, levou com esta resposta do “director de comunicações”:

“O Sport Lisboa e benfica fez um convite ao Sporting Clube de Portugal para, no dérbi de futsal do próximo sábado, homenagear os campeões europeus da modalidade, entre eles, 4 atletas do Sporting Clube de Portugal.
Por considerarmos que este é um gesto de total hipocrisia, o Sporting Clube de Portugal recusa participar em qualquer acção conjunta com um clube que não partilha as regras e valores pelas quais nos regemos, designadamente, a promoção da verdade desportiva, a transparência e a dignificação e credibilização do desporto português.”

O que há para dizer deste traste quando começa o seu post por escrever o “Sport Lisboa e benfica” (com letra pequena…). Podemos dizer que é uma daquelas habituais faltas de respeito de taberneiros que passam a vida nos cafés a ler pasquins e jornais da bola ou podemos dizer que ele simplesmente merece uma resposta à altura:

nuno saraiva,

Tu sabes que não passas dum anão barrigudo e, por isso, é que é tão fácil para ti desceres tão baixo!

Resposta dada ao anão barrigudo, passemos ao que verdadeiramente me chateia:

A democracia, quando exercida em maioria por um povo ignorante e sem valores, torna a restante minoria honrada e esclarecida numa vítima perfeita de ditadores eleitos.

É um FACTO! e é um FACTO! que me chateia, que me irrita e que me revolta!

Até quando temos que levar com personalidades como Trump? Como Bruno Carvalho e nuno saraiva? Como Cavaco Silva? Como Maduro? Como Lula da Silva e como Dilma Roussef? Ou com tantos outros idiotas que são eleitos para cargos de associaçãos privadas ou para cargos públicos pelos nossos vizinhos idólatras e populistas?

Resposta:

Até que se tome consciência que é preciso ler bons livros! Até que se tome consciência social que, lá por dar audiência, não se pode passar todo o tipo de programas televisivos! Até perceber que a cultura exige respeito! Até se perceber que é no respeito pela nossa pessoa e pelo respeito pelos outros que se encontra a pedra angular de qualquer sociedade! Não é no ódio dos minorcas…


Mission Impossible: Fallout

Depois de ver o último trailer de Mission Impossible: Fallout, confesso, até fiquei com arrepios. Saber que Tom Cruise até partiu o próprio tornozelo e continuou a filmar ajuda, mas, vamos ser sinceros, saber que Ethan Hunt tem mais uma missão impossível mexe com tudo o que de geek há em mim.

Desta vez, parece-me, a missão de Hunt (caso decida aceitá-la) é a de derrotar o próprio Superman.

Impossível?

Não me parece…


Alienação Parental…

Dizem que és meu pai,
Mas em ti não acredito,
Oh ser celeste maldito!
Um pai que é bom pai

Não faz abandonado
O filho nem se cala
Ou se esfuma da sala
Quando convocado.

Pai tenho o que minha
Mãe escolheu, não tu:
Sempiterna adivinha

Sem cara, sem nada
E de paradeiro não sito
Em parte determinada!


A propósito dos falados assédios e das suas vítimas…

O que vou contar a seguir é uma história verídica que se passou à minha frente:

Num antigo trabalho, tive uma Colega que em certo dia, enquanto procedia sentada a fazer o seu trabalho à frente de sensivelmente dez clientes (dava cartas numa mesa de póquer), teve o meu director agarrado às costas da sua cadeira a fazer movimentos pélvicos, quase como um cão com cio… só faltava babar-se e relinchar como um cavalo ejaculante!

Os clientes viram, nós, colegas de trabalho, vimos, as câmaras de segurança viram e quem quer que estivesse ali por perto também viu a minha Colega a ser alvo de uma “simples brincadeirinha” do director.

Alguns minutos depois, saída da mesa, a tal minha Colega veio bamboleando-se para junto de mim e de mais alguns colegas e, muito ofendida, refilava: “Vocês viram o que o fulano sicrano me fez? Parecia um cão agarrado à cadeira! Que nojo…”

Ora, ingénuo demais na altura e preocupado com uma colega de trabalho, perguntei-lhe revoltado: “Porque não disseste nada em frente a todos os clientes?” e acrescentei: “Tinhas envergonhado o cabrão em frente a toda a gente…”

E a minha cara Colega respondeu a sorrir: “Oh, ele é o director, não posso fazer nada…”

Sinceramente, com esta moda recente de apontar os dedos, ainda estou à espera de a ver vir para algum jornal a denunciar o porco do meu director…

Terá coragem agora quando não teve há alguns anos em que tinha montes de pessoas prontas a testemunhar a seu favor? Quando tinha câmaras de segurança a filmar o sucedido?


À memória do Tio Hub

É regra nos dias que correm ouvirmos os pais dizer aos filhos: Vai à escola, escuta, tenta aprender, estuda, conhece, percebe, desaprende e talvez consigas descobrir algo novo. No entanto, por vezes, pecam os pais ao não dizer aos filhos: escuta os mais velhos, eles sabem muito. A mim fez-me bem aprender as horas com a minha avó, a aprender a ler com o meu avô e, creio, foi igualmente essencial o meu avô para que eu aspirasse a ser um contador de histórias; tal e qual ele era.

Hoje não trago nenhuma da sabedoria dos meus avôs, mas trago a sabedoria de um tio-avô chamado Hub do filme Secondhand Lions, de Tim McCanlies:

«There’s a long speech I give to young men. Sounds like you need to hear a piece of it….

Some times the things that may or may not be true are the things a man needs to believe in the most. That people are basically good. That honor, virtue, and courage mean everything; that money and power mean nothing. That good always triumphs over evil. That true love never dies.

(…)

Doesn’t matter if they’re true or not. A man should believe in those things anyway. Because they are the things worth believing in.»

Página 75 do Guião do filme SecondHand Lions de Tim McCanlies

 

Sinceramente, era capaz de estar aqui uma noite a escrever sobre este pequeno excerto, mas, para além de vos recomendar vivamente que revejam este filme (que é já um clássico de 2003, com o ainda mocinho Haley Joel Osment), deixo-vos aqui uma tentativa de traduzir tudo aquilo que o velho Hub McCann me fez sentir:

«Há um longo discurso que eu dou aos jovens. Parece-me que precisas de ouvir uma parte dele…

Às vezes as coisas que podem ou não podem ser verdade são coisas em que um homem mais precisa de acreditar.

Que as pessoas são basicamente boas. Que a honra, a virtude e a coragem significam tudo; que o dinheiro e o poder não significam nada. Que o bem triunfa sempre sobre o mal. Que o verdadeiro amor nunca morre.

(…)

Não importa se são verdade ou não. Um homem deve acreditar nessas coisas na mesma. Porque são essas as coisas em que vale a pena acreditar.»

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by New Line Cinema


O que está por trás da Catalunha livre?

Enquanto português, tenho alguma dificuldade em perceber os movimentos independentistas mais recentes dos nossos vizinhos. Custa-me perceber um povo (leia-se as suas massas…) que clamam por “Liberdade!” quando algo tão imaginário como fronteiras terrestres nunca impediu a liberdade de identidade de ninguém.

Algo curioso, e preocupado em entender o que não entendo, fui procurar os argumentos que sustentam então a referida Declaração de Independência da Catalunha:

  1. A Catalunha foi ocupada por Espanha!
  2. A Catalunha é explorada pelo governo de Espanha porque contribui mais em termos fiscais que as restantes regiões de Espanha!
  3. A Catalunha tem língua própria!

Ora, vejamos, quanto à ocupação espanhola da Catalunha, a Netipédia e os outros livros de História dizem que o Rei Fernando II de Aragão se casou, pacificamente, com a Rainha Isabel I de Castela. Deste casamento, para além da normal união das famílias, uniram-se territórios, povos e recursos. Falar em ocupação parece-me algo excessivo, não? Portugal foi ocupado por forças militares de Filipe II (I em Portugal), a Catalunha unificou-se a Espanha por vontade dos seus soberanos. Claro que depois houve egos, conflitos e zaragatas, mas isso não acontece em todas as ruas onde há vizinhos?

Quanto à exploração económica de Espanha, eu questiono: uma região mais rica não deve ajudar as outras mais pobres? Em vez de exploração que tal solidariedade? Só mesmo os ricos, e pobres de espírito, para não quererem ajudar os malsofridos… Será que o mundo deve ser assim tão egoísta? E não venham cá com conversas que sustentam os ciganos andaluzes, os pobres de Toledo ou os terroristas bascos… A Alemanha e os países nórdicos também dizem que sustentaram os PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) durante a crise das dívidas soberanas e, como bem se sabe por cá, empréstimos não gratuitos não ajudaram ninguém. O que ajudou foi o trabalho das pessoas que com muito custo pagaram os seus impostos…

Por fim, a língua catalã. Será que algo tão bonito como uma língua (uma ferramenta ancestral de comunicação) deve ser tratado tão futilmente como arma de arremesso? Será o maior sinal de independência um povo ter a sua língua própria? Então o que farão os catalães se a Comarca do Vale de Aran, pertencente à Catalunha, disser que também quer a independência porque fala Aranês? Será que lha dão?

Sinceramente, desconfio que algo mais ande por trás destes indivíduos oportunistas que apenas desejam mais poder e dos paspalhos cheios de liberdades que apenas querem motivos para sair à rua para atacar polícias e clamar pela liberdade que, perdoem-me, não lhes falta desde que Franco morreu.

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Os Produtores de Opinião!

O que é a Opinião? Será um produto? Se for um produto vende-se, certo? E se uma opinião se vende, é porque há alguém para a comprar? É isso que é um produto, ou estou errado? Um objecto de troca? Um toma lá isto e dá cá isso?

Tantas, tantas questões…

Mas são estas as questões que se deviam levantar quando ouvimos “certos” comentadores na televisão, quando lemos uma determinada coluna de opinião de um diário ou de um semanário e até quando vamos em busca da ajuda de sites especializados.

Tudo ao serviço das chamadas cartilhas: cartilhas políticas (governos, partidos políticos…), cartilhas económicas (bancos corruptores, multinacionais esclavagistas, comunicação social ao serviço do exclusivo sem pudores…), cartilhas religiosas (igreja católica, igreja judaica, igreja muçulmana…) e, pasme-se, até cartilhas culturais (departamentos de comunicação dos clubes de futebol, sites de filmes, séries, livros… e até sites de jogos e tecnologias). O que faltará aqui de cartilhas? Deixo à imaginação do leitor…

Enfim, está tudo errado? As cartilhas estão erradas? É deplorável a existência de produtores de opinião? A Comunicação Social devia banir as cartilhas da televisão?

Não sei… e aqui estou a ser sincero!

Penso eu que existem aqueles que gostam de ser sérios e afastar-se do epíteto de cartilheiro!

E penso também que a alguns falta estaleca mental para compreender os factos transmitidos pelas notícias. A outros falta capacidade analítica para interpretar os factos transmitidos pelas notícias. E a outros então, os mais ilustres, nem sequer interessam as notícias…

Ah! Mas cada um tem a sua opinião! Foi por isso que Voltaire lutou!

Pois, mas enquanto a maioria não perceber o que lhes é transmitido pela comunicação social, enquanto a maioria não souber analisar e formar uma opinião pessoal sobre o que lhe é transmitido pelos jornalistas e enquanto a maioria não se interessar pelos jornais ou telejornais, existirá sempre uma opinião mais opinião que outra (entenda-se, qualidade da opinião).

E a opinião mais opinião que outra deve ser um produto mais caro, não? Se a opinião é um produto e todos os produtos têm a sua qualidade, então a melhor opinião tem mais valor e merece receber mais crédito que a opinião dos asnos trogloditas, certo?

Aff…!!!

E sabem qual é a tristeza?

É que não recebo um único cêntimo por esta minha opinião.

Não deve ter qualidade…


Referendos: um acto antidemocrático

A Democracia Representativa (do grego demokratia: o poder do povo),  como qualquer sistema político, é relativamente fácil de compreender na teoria: o povo vota para eleger os seus representantes.

E porque elege o povo representantes do povo em vez de ser ele próprio a governar? Fora de populismos propagandísticos e extremismos radicais, o povo elege porque, no seu todo, é impossível todos governarem todos. Isto porque cada cabeça sua sentença. Portanto, acho que não preciso de listar aqui todos os motivos que invalidam um governo de todos. Concluamos que este regime seria apenas uma desgovernacia.

Mas, voltando à democracia, porque são eleitos representantes do povo para legislar e para governar um Estado?

Ora, para além da óbvia razão de não poderem governar todos, elege-se, em teoria, os mais aptos. E quem são estes? Os mais velhos, os mais inteligentes e os mais respeitados. Resumindo, aqueles que têm auctoritas (autoridade social).

Existe assim um certo reconhecimento tácito que existem os mais aptos e os menos aptos a governar e legislar.

Depois disto tudo: os referendos… é disto que que quero falar especificamente.

Salvo melhor opinião, é antidemocrático referendar questões, qualquer que seja o foro, e conceder-lhe mérito democrático. Um referendo não é participação democrática e muito menos expressão da vontade do povo.

Respostas como «sim» e «não» são respostas de extremos ou então meramente resultado de conversas de café irreflectidas.

Ademais, é mais uma forma dos políticos eleitos se desresponsabilizarem do dever essencial a que se propuseram cumprir aquando da sua apresentação a eleições: representar os cidadãos.

E representar cidadãos implica trabalho e criatividade, para além das badaladas honestidade e alma patriótica.

Enganam-se os políticos, e as pessoas, que acham que representar o povo é apenas sentar o rabo no parlamento e votar conforme o partido lhes diz para votarem e depois absterem-se desse mandato a favor de referendos quando têm medo de tomar decisões e posições quanto a questões fracturantes da nossa sociedade como o aborto, a eutanásia e a integração na União Europeia.

É por isso que temos uma lei do aborto que o torna mais um anticoncepcional, é por isso que o Reino Unido abandonará por inteiro a UE quando 49% da sua população votou a favor de ficar e é por isso que, a acontecer, a lei da Eutanásia será igualmente imperfeita se vier a resultar de um referendo.

Governar e legislar carece de valores jurídicos, de ciência legislativa e de equidade. Não apenas da vontade do povo que normalmente é económica e financeira.

Ou acham que não haverá sucessores mais interessados em preservar heranças com a desculpa que o seu paizinho e a sua mãezinha já só mexem os olhos?


A Desconversa – 1ª Inverdade

Desmitificando, o facto de o mundo estar repleto de gente inculta (não burra!), e na maior parte das vezes convencida que detém a verdade, não é acidental, como pode parecer à primeira vista.

Os motivos são vastos, pelo que este post será o primeiro de alguns:

1 ª Inverdade

“O ensino escolar é fraco (especialmente o ensino público).” É uma das inverdades (não lhes chamemos falácias nem mentiras).

Eu, na escola pública (1º-12º ano), num meio social suburbano de Lisboa, aprendi a escrever, a fazer contas, aflorei a história de Portugal, foi-me dado a conhecer alguns conceitos geográficos, apreendi conceitos básicos de física e química e biologia, rascunhei uns traços artísticos, moldei umas coisas em gesso, fiz projectos com madeira e electricidade e foi-me transmitida a importância do exercício físico.

Claro que me esqueci de algumas coisas durante a vida. Motivos? A falta de jeito? O desinteresse? A preguiça? Provavelmente um mistifório dos três…

No entanto, o essencial está cá. Sei escrever, sei matemática básica (somar, subtrair, multiplicar e dividir e mais algumas contas de três simples), sei que quem não sabe o que significa 1143 não é português e sei mais uma quantidade de coisas que apenas serviriam para engrandecer o meu pequeno ego e o vosso enfado…

Por outro lado, muitas das pessoas que conheço ficam especadas a olhar para mim quando invoco conceitos tão simples como uma metáfora ou como o PIB, nomes tão famosos como o Condestável ou como o Infante D. Henrique ou datas tão importantes para Portugal como 1755 e 1974.

Os olhos arregalam-se, as sobrancelhas acanham-se e alguns, os mais envergonhados, têm o cuidado de me pedir que explique do que estou a falar. Os mais arrogantes preferem remeter-se ao silêncio e passar por burros silenciosos – não percebem que os olhos em baixo, os queixos tímidos e os ombros encolhidos falam tanto como uma boca fechada.

Claro que certas perguntas me dão uma vontade desesperada de lhes perguntar o que andaram a fazer na escola comigo. Contudo, o que me tira do sério é, em primeira instância, a arrogância de nem sequer admitir que um dia lhe foi ensinado aquilo que eu também tive oportunidade de aprender e, num segundo momento, a preguiça de nem sequer terem instalada a aplicação da Wikipédia naquele precioso smartphone colado às mãos.

Com tudo isto em mente, tornemos a pensar na escola pública e na razão de ser do ensino público ser mau.

Em primeiro lugar, quem a compõe? Conselhos Directivos, que normalmente já foram Professores e, por sua vez, também Alunos; Professores que já foram Alunos;  Funcionários que já foram Alunos; Pais que já foram Alunos; e Alunos que nunca foram mais nada.

Assim sendo, temos que analisar esta hierarquia.

Começando por cima: como pode um Conselho Directivo ser bom? Provavelmente, deve ter um propósito muito concreto que é o de elevar a média geral das notas de todas as turmas da escola e fazer dos seus meninos cidadãos com valores bem definidos. Contudo, deve fazê-lo consciente dos recursos e limitações que dispõe. Uma escola, hoje dia, não funciona sem professores, sem electricidade, sem casas-de-banho, sem secretarias e tesourarias e outros componentes em que não me quero alongar. Qualquer Conselho Directivo deve providenciar todos estes recursos mínimos.

Desconfio que dez porcento da minha geração possa dizer que lhe faltaram durante 12 anos seguidos qualquer um daqueles componentes. As médias podem não ter subido, mas a culpa de tanta falta de cultura em adultos será do Conselho Directivo depois de 12 anos com o rabo sentado na cadeira?

Em segundo plano, os professores. Sempre existiu e sempre haverá de existir uma classe de bons profissionais e outra de maus profissionais. O que se exige é que tenhamos mais quadros bons do que quadros maus. Pergunta: será que maior parte da populaça só teve professores maus?!?!? Desculpem, mas não me parece…

Não falemos dos pobres funcionários, que pouco contam ainda que façam muito pelas escolas.

Falemos dos alunos.

O que é um bom aluno? É aquele que escuta calado nas aulas, se diverte nos intervalos, aprendendo por vezes coisas como a amizade e o amor, e estuda, a sério, quando é necessário. Tão simples quanto isso… O problema é que, com muita certeza, existem vezes em que a juventude prefere aprender outro tipo de coisas da vida (amizade, namoradas e futebol) durante as aulas em vez de estar calado a ouvir o professor, seja este bom ou mau… Como podem depois estes últimos não arregalar os olhos e bater as pestanas espantadas quando ouvem falar de Fernando Pessoa e não o sabem distinguir do tipo que escreveu Os Lusíadas.

Por fim: os pais. Ao contrário do que se pensa, são os pais a base da pirâmide. A escola ensina conceitos, mas raramente valores. Não tem tempo para ensinar valores. Em consequência, é aos pais a quem compete ensinar palavras como a bondade, a amabilidade, a honestidade, o respeito e seus limites, bem como os modos de cortesia e de viver em sociedade. Não basta indicar aos filhotes as cores do clube que devem seguir cegamente. É importante, todos os dias, serem o professor do jovem coração a que deram fôlego, o exemplo do ser social que o uma pessoa é e, mais importante de tudo, saber pedir desculpas aos filhos quando se erra – porque aos pais também é permitido errar.

Quer-me com isto parecer que, chegados aqui, estamos já habilitados a perceber uma coisa que falha muito ao cidadão: A casa faz parte da escola (pública ou privada).

Logo, se há algo que falha na escola pública, não é apenas a escola essencialmente a culpada pelo estado do ensino público. No núcleo central do problema está a casa e quem manda nela! Os pais, os avôs, os tios, os tutores, os representantes legais e o diabo a nove! Se os alicerces da casa não forem fortes, quem lá vive corre o risco de que o tecto lhe desabe em cima da cabeça!

(Não aproveitem os professores e os sindicalistas para se eximirem das suas responsabilidades, pois que cada mau professor é uma falha do Estado e dos seus cidadãos!!!)

Todavia, se um filho aprender em casa valores, aprenderá também na escola os conceitos, mas não só na escola. Aprenderá em cada recanto conceitos e experimentará sem medos tudo aquilo que a vida tem para lhe oferecer. Deixará de precisar de professores.

Por outras palavras, aprenderá a pescar sozinho porque lhe ofereceram a cana-de-pesca, a linha e o anzol.


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