Category Archives: Guerra

A Rosa Branca

by Saída de Emergência

As Crónicas da Companhia Negra — A Rosa Branca

de Glen Cook

A saga da Companhia Negra continua a deleitar-me.

Este livro, que encerra a primeira trilogia da série (As Crónicas da Companhia Negra), continua a conjugar a ironia do narrador, a malícia pragmática deste grupo de mercenários e o aprofundar da natureza divisora da Senhora, numa amálgama narrativa a que é difícil resistir, mesmo sem grandes reviravoltas.

Mesmo com o elemento fantasioso a ganhar um claro destaque neste tomo, o Físico, o Zarolho e o Duende continuam a fazer das sua. Manhas, patranhas, tropelias e tiradas veteranas acompanham a boa arte do safa-te! e do salve-se quem puder! durante todo o livro. E não há quem resista àqueles momentos em que os personagens saem com os rabos escaldados de pequenas aventuras em que se metem.

Há personagens velhos que regressam, há personagens novos que condensam mistérios e há personagens que nos recordam que até o mais safado dos biltres necessita de camaradas e sofre com o isolamento. Curiosamente, e só dou conta disto agora, continuo a saber com este livro um pouquinho mais, mas bem menos do que talvez fosse suposto saber após três livros, acerca dos protagonistas da série. À boa maneira militar, nada do passado dos irmãos soldados importa. O que conta é o agora…

Por fim, fica o sincero desejo de obter a continuação da saga. Bem sei que é difícil à editora portuguesa Saída de Emergência lidar com a falta de popularidade de Glen Cook em terras lusas, mas fica registado o desejo.


O GORE E A VIOLÊNCIA COMO DIAPASÃO DA POPULARIDADE AUDIOVISUAL

Olhando para algumas das mais populares séries dos últimos dez anos, podemos concluir que o gosto pela violência explícita e nojenta veio para ficar.

Dexter, com as suas tiradas internas,é uma carta de amor a psicopatas e sociopatas. Spartacus ofereceu-nos a violência dos gladiadores misturada com a promiscuidade sexual própria da época. Breaking Bad, e posteriormente Better Call Saul,conquistou-nos pelas suas personagens bastante presas à realidade e a fios narrativos cuja incapacidade de perdão é ostensiva. Game of Thrones e House of the Dragon surpreenderam e surpreendem muito pelas suas constantes reviravoltas, mas sem nunca esquecer a extrema violência verbal, física e sexual própria dos tempos medievais em guerra. The Boys leva o humor negro, a crítica e a violência para um escalão muito à parte no mundo dos super-heróis. Andor, com uma natureza complexa e bastante alicerçada na realidade e violência opressora do Império, passa-se na galáxia de Star Wars, mas é um show violento e realizado para adultos (tudo aquilo que George Lucas nunca defendeu). 3 Body Problem trata da violência entre espécies de mundos diferentes e com recurso a muita ciência. Séries como Sopranos, The Wire, Gomorrah Peaky Blinders, Boardwalk Empire normalizam o conceito de violência espontânea, atirar primeiro e logo à cabeça é para quem não está para merda nenhuma de brincadeira. Stranger Things consegue conciliar sangue, tripas e musculaturas expostas com crianças e comédia, mas vamos ser sinceros que é tudo menos uma série para crianças. Até mesmo, no mundo do anime, em Attack on Titan, temos gigantes nus a perseguir e comer famílias inteiras, mastigando-lhes os ossos e as tripas como se nada fosse.

Com base nos dados coletados, podemos observar que as séries com temas violentos não só mantêm altos índices de audiência, mas também recebem aclamação crítica e premiações significativas. Além disso, dominam as discussões em redes sociais e mantêm um interesse constante do público. A popularidade dessas séries sugere que a violência explícita pode ser um fator significativo na sua atração, mas outros elementos como qualidade narrativa e desenvolvimento de personagens também desempenham papéis importantes.

O grande concorrente destas séries violentas eram as séries cómicas. Mas eram mesmo porque já não são! Nos últimos cinco anos, quantas séries atingiram o patamar de Simpsons, Friends, The Big Bang, The Office, Theory ou How I Met Your Mother? Eu não dou conta de nenhuma.

O que isto quer dizer sobre a nossa actual geração? Poderemos concluir que as pessoas adoram tripas a cair no chão e degolações bruscas? Será que uma boa esguichadela de sangue para o ecrã e a série corre logo o risco de se tornar um fenómeno? Creio que sim…

E talvez seja por isso que o mundo anda com falta de paciência para a maioria de séries menos explícitas, como as séries da MCU, de Star Wars, Rings of Power, Willow e tantas outras que têm sido imediatamente dilaceradas pela crítica e pelos fãs. Talvez a marca Disney esteja em declínio porque aquilo que as pessoas querem é ver uma arruada gore da turma do Rato Mikey. Ver o Pateta e o Pato Donald a fazer palermices já não chega, é preciso que eles andem de motosserra nas mãos a dilacerar tripas aos seus inimigos.


Sobre a Migração – O Grande Tema Legislativas Portuguesas de 2024

Políticos, forças de segurança, organizações não governamentais, jornalistas, comentadores de televisão, populistas, progressistas, conservadores e conversadores de café ocasionais. Todos falam da emigração como um fenómeno recente (tal como fizeram com a Pandemia do Covid-19), mas nem todos se encontram conscientes de que tal fenómeno data dos primórdios da criação, ainda antes da humanidade nómada. É pena porque poderiam todos parar de discutir causas de algo que é natural a todos os seres: ir em busca de um lugar melhor para viver e criar a prole.

Ocupação de postos de trabalho a preços reduzidos, competitividade laboral inquinada, aumento de criminalidade, habitações lotadas, ruas cheias de emigrantes, insegurança para os que cá estão, recusa de vacinas e terrorismo religioso são talvez os subtemas que mais se cruzam com este grande fenómeno migratório. E, por um lado, até é bom que se discutam estas realidades que, pasmem-se os populistas, não afectam apenas as pessoas de bem; afectam os dois lados da moeda.

Ninguém fala dos sonhos desfeitos de uma pessoa que se vê obrigada a fugir de um lugar com medo do narcotráfico, dos receios de mudar de país/continente, do câmbio que leva 4/5 das poupanças, da dor causada pela distância das famílias ou da separação entre pais e filhos.

Ninguém fala das exorbitâncias cobradas a título de honorários aos emigrantes para solicitarem autorização de residência e trabalho ou do batelão de taxas e impostos pagos até finalmente um burocrata mandrião achar um buraquinho na agenda para recolher uma foto, a altura, as impressões digitais e a assinatura de um fulano que mal percebe a nossa língua, quanto mais as nossas manhas.

Ninguém fala de como os sucessivos governos e associações patronais (portuguesas, europeias, britânicas e norte-americanas) têm mantido a porta aberta aos que vêm de fora para baixar os preços de determinados sectores comerciais, das quais se destacam os trabalhadores de grandes superfícies comerciais, os técnicos de callcenters, os entregadores de comida ao domicílio e os eternos condenados da restauração e hotelaria.

Ninguém fala de como o respeito e a segurança (física, mental, laboral e social) de um estrangeiro corresponde igualmente à segurança de um nacional.

Tenho para mim que os populistas estão perdidos. Escumalha são, escumalha serão. Falam muito, mas todos nós sabemos o que eles pretendem das instituições democráticas: destruir e reinar.

Já quanto aos conservadores e aos progressistas, creio que ambos se podiam reunir em torno de uma opção geopolítica de grande envergadura com quatro pilares básicos:

1º) Controlar melhor quem entra na nossa casa (será sempre uma essencialidade básica, até por uma questão de cooperação interpolicial e interjudicial);

2º) Criar quotas regionais de entradas migratórias por mês/ano de modo a manter uma identidade cultural portuguesa com tendências por um estado de direito laico e democrático;

3º) Evidenciar esforços (inclusivamente militares) para evitar que tensões geopolíticas escalem para guerras geradoras de refugiados;

4º) E, por fim, forçar os países que adoram fundos de desenvolvimento, reciprocidade de vistos turísticos e extinção de pautas aduaneiras a adoptar com rigor e seriedade medidas bastante reais para evitar que os seus cidadãos (normalmente multiplicados como peixes pelos sermões dos padres…) também deixem de querer sair dos seus países de origem.

A ideia base será que quanto mais alimentados, abrigados, educados, integrados, democráticos e seguros estiverem os nossos vizinhos, mais seguros continuaremos nós. Exigir resultados ao ritmo necessário é fundamental a todos.


Foundation — 1ª Temporada e 2ª Temporada

by Apple TV

de Josh Friedman e David S. Goyer.

Confesso que ainda não li absolutamente nada da saga Fundação, escrita pelo afamado Isaac Azimov. Esta confissão é quase um pecado, mas o tempo e o dinheiro aptos a satisfazer todos meus desejos de leitura são escassos. Para além disso, tenho lido e conversado com pessoas acerca desta saga e todos têm convergido para uma opinião quase unânime: é uma história boa, tem um ritmo rápido, mas não consegues criar grande empatia com as personagens (o que não me espanta dada as tendências pulp dos anos 60 a 80). Podem imaginar as minhas reticências uma vez que para mim as personagens são sempre o núcleo duro das obras…

Adiante, e mesmo ciente de todas as críticas feitas a esta adaptação, nomeadamente da libertinagem criativa e pouco respeitosa relativamente ao material original bem como a tendência dos dias que correm para mudar o sexo original das personagens, creio que os defeitos apontados se esbatem perante o resto dos elementos desta adaptação. A qualidade do enredo, a qualidade dos arcos e o desenvolvimento das personagens, a mensagem, e os próprios efeitos audiovisuais não fica nada a dever à maioria das séries e filmes de ficção científica.

O enredo é intricado desde o primeiro episódio, com uma primeira linha narrativa focada na Dinastia Genética do Imperador Cleon II (inspirado, creio, no excelente mito das três faces da deusa Hekate e algo que, pelo que sei, é uma inovação). A segunda linha segue os séculos passados em Terminus e os problemas da Fundação. A terceira linha temporal prende-se com a vida de uma personagem totalmente reformulada chamada Gaal Dornick. Entre estas linhas, muita coisa ocorre nas sombras. E é esse o apelativo da história Fundação. Nós estamos a observar pequenos episódios aparentemente sem grande relevo para os pontos de mudança da história da galáxia, mas a verdade é que são estes momentos que conduzem às grandes mudanças. Especial…

Em termos de personagens, o claro destaque vai para o Imperador Cleon II (interpretado magistralmente pelo trio Cassian Bilton, Lee Pace e Terrence Mann) e para Harry Seldon (do extraordinário Jared Harris), mas Gaal Dornick (interpretado por Lou Lloubell) vai em crescendo. As várias nuances que cada um destes actores (com a ajuda dos demais) consegue dar às suas personagens é algo de extraordinário.

Na maioria dos planos visuais, como os anéis de Trantor, o interior de palácios ou os habitáculos das naves estelares, sentimo-nos estarrecidos. A imaginação não tem limites, desde a forma como a tecnologia é utilizada até aos pingentes vivos de murais especialmente artísticos. Posto isto, eu não embarco na onda de críticos desta adaptação de Fundação. Por norma até gosto que as séries não fujam muito ao material original, mas o que os realizadores estão a fazer ao dar um sopro de empatia de personagens pouco conhecidos e desenvolvidos enquanto mantêm o resto da história (inacabada pelo Autor, diga-se) é algo que muito me apraz. Recomendo vivamente aos fãs do género.


Cloud Cuckoo Land

Cloud Cuckoo Land

de Anthony Doerr

Uma vez que traduzido à letra (A Terra dos Cucos Nefelibatas ou A Terra dos Cucos das Nuvens) este livro cairia imediatamente na lista de livros a evitar devido a parecer uma parvoíce pouco desafiadora, a equipa da Editorial Presença preferiu ter uma abordagem mais conservadora e chamou simplesmente a este obra-prima: Uma Cidade nas Nuvens. Um título impossível de esquecer, certo? Enfim…

Em termos de enredo, o Autor complica e complica ao ponto de me espantar com a sua destreza técnica e planeamento de enredo no final do livro. Temos cinco personagens principais divididas por três linhas temporais, sendo que ainda temos de contar com os flashbacks de três personagens. Ufa…

No início, há aparentemente pouco a ligá-las, mas a verdade é que o enredo vai-se adensando e o que enlaça as três linhas temporais principais (bem como os flashbacks) vai-se tornando muito mais nítido ao ponto de nós percebermos que a verdadeira mensagem deste livro não é apenas que cada livro e bibliotecários são especiais e merecem ser preservados independentemente da doutrina ou do tom com que foram escritos. É realmente grandiosa a forma como o Autor entrega o final.

Por outro lado, em termos de personagens, aprecio particularmente o facto deste livro se reportar bastante à relação entre a adolescência e a terceira-idade. Não há propriamente um protagonista de trinta ou quarenta anos cuja força física se equivalha a uma experiência acumulada e que sirva de ponte entre todas as personagens. O Autor foca-se muito na juventude, na sua ingenuidade, na sua determinação e nos seus diversos problemas ao longo da história para nos fazer perceber a importância modeladora desses acontecimentos iniciais durante o resto da nossa vida.

O ritmo da narrativa é constante e os ganchos narrativos são bastante bem executados.

A prosa do Autor é bastante fluída e não teme socorrer-se de palavras menos comuns para o que quer que seja. Há igualmente uma maravilhosa tendência para comparações e metáforas bastante precisas e imaginativas. Apetecia-me destacar uma ou outra, mas estaria a ser injusto para com o autor ao revelar os seus tesouros metafóricos.

Em termos de conteúdo para lá dos enredos, e sem ser exaustivo, o Autor aborda inúmeros problemas actuais da sociedade como a solidão, a pobreza, os problemas da parentalidade singular, catástrofes climáticas, extinção massiva da biosfera, as consequências do medo, extremismos, conservadorismos, guerras, síndromes e patologias incompreendidas, manipulação de jovens solitários e vulneráveis através da propagação de idiossincrasias perigosas por meio de redes sociais e, por fim, os perigos da programação tecnológica.

É maravilhoso apreciar ao longo de todo o livro este condensar orgânico, tal como é revelador de uma extrema sensibilidade perceber todos os paralelismos que se fazem entre a Conquista de Constantinopla, a nossa década dos novos 20´s e o Futuro da Humanidade. Serão os nossos problemas sempre os mesmos ainda que com capas e vestimentas novas?

O que posso dizer mais? Anthony Doerr é um verdadeiro mestre tecelão. Fiquei abismado e imagino apenas um bocadinho do sofrimento que este homem passou para conseguir enlaçar todas estas histórias umas nas outras de modo a passar a mensagem e os paralelismos que queria passar. Magnífico, o melhor que li no último ano…


MUDAR DE CASA

Tanto as várias diásporas do mundo como os que lutam por um pedaço de terreno ocupado há décadas partilham dum sentimento idêntico cujo núcleo essencial é este: o nosso lugar no Universo é aqui, eu pertenço aqui.

O nosso apego ao lugar onde tanto nós como os nossos familiares se criaram tem algumas curiosidades; até para os mais aventureiros que partem com um sorriso desapegado quando, bem lá no fundo, escondem no coração um silêncio melancólico, já ansioso pelo próximo retorno.

A nossa humana tendência para nos sentirmos confortáveis numa rotina de Sísifo é uma das primeiras curiosidades a contribuir para o facto de odiarmos que nos obriguem a sair de um determinado lugar. Ninguém gosta de ser expulso da discoteca, quanto mais despejado da própria barraca que sempre conheceu. Para o comum dos mortais, mudar de casa (e de terra) é algo sinistramente complicado — e não se deve apenas aos preços cobrados pelas empresas de mudanças. Lá no fundo odiamos êxodos!

Outra dessas curiosidades é sempre acharmo-nos com mais direitos sobre um determinado lugar só porque há determinados vizinhos que vieram viver para junto de nós bem mais tarde. Que interessa o nosso amor mútuo pelo mesmo lugar? Há sempre um que chega depois e só por isso já não vale nada.

Finalmente, a última curiosidade tem por pilar uma tara qualquer por morrer na terra cujo cheiro e textura sempre haveremos de reconhecer. A curiosidade mais estúpida é esta mesmo. Eu não partilho do amor à pátria nem acho mais do que lírica a imagem do peito de Robert (criado por Hemingway) a sangrar e a misturar-se com o solo espanhol. Simplesmente, há coisas que não valem o nosso amor e muito menos o nosso sangue.

Feito o longo introito, olhemos hoje para Israel e para a Palestina.

Após uma longa diáspora, os israelitas arrogam-se hoje no direito de ocupar um reino fundado pelos seus patriarcas ancestrais; são os vizinhos mais velhos, aqueles que conhecem há mais tempo o cheiro da terra e o sentido dos cursos de água daquele lugar.

Os palestinianos, por seu lado, são os vizinhos que se defendem dizendo que aquele solo sagrado foi outrora abandonado pelos judeus, conquistado pelo Rei David, que depois deixou os seus descendentes serem tomados por babilônios, assírios, persas, gregos, selêucidas, romanos, cristãos, otomanos e, finalmente, ocupados pelos muçulmanos que agora preferem morrer a sair dali quando não têm hipótese alguma de por lá ficar.

Uma coisa é certa, já a perceber que nunca é fácil estreitar os laços entre vizinhos velhos e vizinhos novos, o projeto de partilha da Palestina aprovado pela ONU em 1947 previu o estabelecimento de dois estados, um árabe e outro judaico, que formariam entre si uma união aduaneira capaz de partilhar todos os recursos. Haveria cenário melhor? Confesso que não tenho assim tanta criatividade…

Todavia, será mesmo possível uma conciliação entre um povo de tradições resguardadas e sem vocação missionária como os judeus e outro povo muçulmano cujo mandamento é impor aos outros a sua fé? E o ódio histórico que passa de geração em geração?

É possível sonhar com a erradicação deste ódio, não sobreviveríamos sem essa esperança. Mas enquanto existirem bestas que acham melhor morrer pela terra ao invés de perceberem que quem está mal muda-se…


Guerra e Paz

Olhando para a Ucrânia e para tudo o que a sua guerra tem de abjecto, encontrei no YouTube dois vídeos em que soldados ucranianos usam telemóveis de soldados russos mortos em combate para ligar às respectivas esposas destes últimos e tratam de lhes revelar que os mesmos soldados russos morreram em combate. Se tiverem curiosidade por observar o referido fenómeno (os links ficam infra), podemos observar que há notoriamente dois factores que diferenciam os dois vídeos:

Num vídeo temos o respeito que um soldado ucraniano nutre pelo luto de uma viúva do seu inimigo e, em resposta, observamos o desmoronar em lágrimas da viúva que cede imediatamente ao luto. Percebe-se que há uma barricada que separa soldado ucraniano e viúva russa, mas há igualmente uma dor dos dois lados que os torna simplesmente humanos e que talvez os motive a procurar juntos algo chamado paz e pazes.

No segundo vídeo temos o desrespeito que o soldado ucraniano nutre pela dor e pelo luto da esposa de um inimigo caído e observamos imediatamente uma resposta odiosa e cheia de cólera da mesma viúva. O que dizer disto? Alguns chamar-lhe-ão uma infantilidade do soldado ucraniano, outros dirão que o soldado transformado em besta carniceira pela guerra cometeu um acto de malvadez sobre alguém que nenhuma culpa tem de amar um soldado. Eu, por exemplo, prefiro olhar para esta interacção e sublinhar que se trata de um acto que só tem uma consequência: mais ódio, mais justificação para a beligerância.

Enfim, é fácil de perceber qual o modo mais eficaz de obter a paz. Resta às chefias passar aos seus soldados o que é certo e o que é errado.

Antes de morrer em 1992, o escritor Isaac Asimov legou-nos muitos clássicos de ficção científica, dos quais se destacam inegavelmente a saga Fundação. Este homem de sangue russo e criado em Brooklyn foi alguém que olhou para o passado, presente e, especialmente, para o futuro antes de se preocupar a ensinar o seguinte:

“A espécie humana apenas se pode permitir uma guerra: a guerra contra a sua própria extinção.”


Design a site like this with WordPress.com
Iniciar