Category Archives: Diabo

Cavalgadas do Apocalipse

Primeiro, as guerras. Pelo mundo inteiro rebentam tiros e explodem bombas. Os motivos são muitos e ninguém muda nada a falar e sem lutar. Quem terá força para impedir crianças tolas e interesseiras? Ninguém? Ninguém ergue essa espada…

Depois, a doença. Quem não tem hoje medo da pestilência invisível que nos infecta e das pandemias que podem vir a surgir ainda? Com tantos cuidados, como se espalha algo tão grave como este Covid-19? Que anda a fazer quem tem responsabilidades? Nada? Nada de nada, nenhum escudo se levanta…

Por outro lado, e em demasiados locais do mundo, a fome dos velhos e a subnutrição dos recém-nascidos mantêm-se como constantes. Quem lhes enche o pote e lhes leva a colher à boca? O pai não, a mãe também não! A verdade é que o pão e o leite não chegam para a boca de todos…

E a acompanhar cada um destes fenómenos está a morte: inexorável, cruel e impiedosa. Tanta tecnologia, tanto saber e não há quem parta a maldita foice!

Deus, que se passa cá em baixo? O que se deseja e decide aí em cima?

Resistimos?


Calculando…

Esta vida não tem calculadoras,
Mas farta-se de somar desoladoras
Tristezas, sugadoras frustações
E, às vezes, tentadoras depressões.

A meio, sou só um excelente ponto
Numa folha de excel, um ponto tonto
Ou um número tonto, sempre pronto
A ser riscado do meu próprio conto.

E no fim, sem vícios de tabaco,
Álcool ou drogas, este meu ábaco
Trai-me e subtrai-me até o fraco
Corpo se enterrar nalgum buraco.

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O Diabo, o Relojoeiro e a Máquina dos Sacrifícios

O Diabo, o Relojoeiro e a Máquina dos Sacrifícios

de Michael Marshall Smith

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by TOPSELLER

Ao contrário de muitos títulos traduzidos que ficam aquém do título original, creio que bem esteve o Tradutor, nesta tradução em particular, ao perceber que dificilmente venderia em Portugal um livro com o título Hannah Green and Her Unfeasibly Mundane Existence (algo como Hannah Green e sua Inevitável Existência Mundana). O título português é inexoravelmente mais chamativo ao mesmo tempo que mais revelador. É uma história fantástica sobre o Diabo, tem um relojoeiro e tem uma máquina dos sacrifícios. Como é que isto tudo se conjuga? Leiam!

Parabéns ao Tradutor!

Já quanto ao trabalho de revisor, há bastantes gralhas.

Enfim, debruçando-nos sobre a obra, e sobre o enredo em si, releva-se que nos demoramos a lá chegar. Contudo, a brevidade e precisão dos capítulos, bem como o que por eles vai decorrendo, mitiga a tardia conclusão do introito da história. Aliás, sem a apresentação das personagens da forma como são apresentadas dificilmente seríamos levados a sentir empatia por elas, especialmente por Hannah, pelo relojoeiro e pelo… Diabo!

Há, no entanto, uma grande crítica quanto à narrativa: a ausência de twists narrativos. Sabemos bem que uma história com poucas reviravoltas é uma história pouco rica; logo, uma história sem reviravoltas… é pobre, bastante pobre. Um ponto bastante negativo para quem, como eu, gosta de ser surpreendido.

Aproveitando este detalhe de maior importância, falemos de quem está sempre atento aos detalhes: o Diabo. Há uma clara convergência de mitos e provérbios na sua construção, desde a aparência de velho até ao mau-olhado que ele tem. Contudo, a sua missão difere bastante da missão monstruosa que a maior parte da doutrina religiosa lhe confere. Nas asas da moda (a série Lúcifer é disso exemplo…), o Diabo tem um papel mais importante do que a de mero Senhor do Inferno.

Por fim, quanto à escrita, e ressalvando que é sempre difícil apreciar a técnica dum Autor numa obra traduzida, há que dizer que o ritmo, os verbos e o tom da história servem os interesses desta, mas há algo muito pouco sedutor na voz do narrador. É-me difícil explicar (ainda que tente), mas a verdade é que não engracei com as mudanças súbitas de narrador de parágrafo em parágrafo. Tal opinião talvez se deva ao facto do narrador omnisciente ser uma ferramenta difícil de utilizar nos dias que correm…

Finalizando, é um livro para quem gosta de consumir Fast Books.

 


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