As Ceifas
Aguerrido quando jovem, viu de perto
A ceifa de mil amigos e, nesse aperto,
Mais de mil inimigos lá deixou decerto
Abandonados, pilhados e a descoberto.
Tanta morte amainou-lhe os ímpetos,
Refreou-lhe a paixão pelos insurrectos
Lutadores e, mesmo órfã de sonetos,
Ensinou-lhe a poesia e os seus afectos.
Assim, à paciência deu mais que um verso,
Compôs rimas para expor quem é diverso,
E pela paz versou ainda mais contra o adverso,
Mas os ceifadores deste infinito universo
Não querem a paz das pazes, querem o inverso:
Do homem bom querem só o ódio perverso!
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