Category Archives: poema; beijo; amor; paixão; necessidade

Essas Palavras…

Essas palavras sem compromisso
Que te fogem da boca sem serviço
E se cravam como espinhos de ouriço
Nesta carne de homem quebradiço.

Essas palavras com que mal me chamas
A esses lábios e que saltam como escamas
E me descamam dos desejos e das camas
Ferem mais do que aquilo que tu me amas.

Essas palavras, essas palavras cruzadas
Que se escondem de mim desajuizadas,
Nunca mudas, mas sempre encapuzadas.

Essas palavras ditas: turvas e tortas,
E vindas de sítios escuros sem portas,
Deambulam até mim murchas, quase mortas.

 


Palavra Paixão

Segundo o Dicionário Priberam:
“Paixão”
Vem do latim: passio, -onis, ação de suportar, ação de sofrer.
Quando a própria palavra é por si só intrinsecamente lírica (e definitivamente irónica), o que mais há a fazer no mundo para um poeta senão escrevê-la solitariamente?
Paixão… Paixão… Paixão…
Paixão… Paixão… Paixão…
Paixão… Paixão… Paixão…

Um anjo…

Um anjo sonhando
Sereno, sem desatino
E eu apenas respirando.

Um anjo cochilando
E eu, ser sem destino,
Meramente bocejando.

Um anjo acordando
E eu, mortal cretino,
Só ao lado sopitando.


Já não tenho saudades…

Já não tenho saudades
Dos teus beijos e vontades
Afinal de contas, não fomos
Nunca duas metades.

É assim o nosso fim da linha
Não sou teu, tu já não és minha
Esquece os sonhos e a casinha
Esquece tudo da nossa vidinha.

É hora de novos encontros,
Sim, fomos feitos para outros
Aqui, aí, acolá e lá noutros
Ondes… somos só mais outros.


Irritante…

Eu sei, sou irritante,
E foste tu quem falou:
Tu irritas-me bastante!

Mas continuo, sua distante,
Pois só quem só se calou
Permanece interessante.

E desculpa-me neste instante
Mas este triste não se abalou,
Está aqui por ti e é constante.


Entender a namorada…

Duas palavras, uma charada:
A minha mente não preparada
Trava a fundo e fica parada
Tentando entender a namorada.

Levantas questões, fazes
As perguntas que trazes
E, sem pensos ou gazes,
Ficamo-nos pelas pazes?

Diz-me, que queres que faça
Para que a dúvida se desfaça?
O que tem que te satisfaça?
A Lua ou um Beijo de graça?

 


Falta de Palavras

Já repararam na quantidade de palavras que existe para dizer, tão pura e simplesmente, morte? Uns quantos exemplos? Pois não: falecimento, óbito, perecimento, finamento, passamento, extinção, decesso, ortotanásia, exício… e alguns mais, muitos mais.

Pelo contrário, a palavra beijo tem poucos sinónimos. Mais uns quantos exemplos? Existe ósculo (Mais horrível só mesmo o verbo oscular ou o acto, quase cirúrgico, de osculação!!!) e existe selo (Sendo que o selinho fica muito melhor). Tirando estas duas palavras? Mais nada… ou talvez só uns poucos recursos estilísticos como toque/roçar de lábios, enlace de línguas

Tristeza…

Como é que o mundo pode andar direito se temos mais palavras para o fenómeno funesto da morte do que palavras para o evento edénico que é um beijo?

Deste modo, não admira que os poetas portugueses, na generalidade, sejam pessoas tão tristes e trágicas…

Todavia, para colmatar a falha, existe uma quantidade infindável de conjugações com a palavra beijo: podemos dar um beijo longo (que é igual a dar um beijo francês, um beijo de língua ou um beijo apaixonado); temos ainda a possibilidade do simples beijo na boca, uma beijoca graciosa, um carinhoso selinho (em Portugal, um metálico bate-chapas…) ou um amigável beijo na cara.

Não tão aprazível é já o beijo de Judas

Há, portanto, poucas formas de dizer beijo, ainda que haja felizmente, em Portugal e no mundo, bastantes formas de beijar, já que cada ser tem a sua forma de beijar…

Enfim, para acabar em grande, lembrei-me agora de me despedir de todos, não com um beijo de despedida, mas com um grande beijo com desejos de feliz ano novo!

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