Monthly Archives: Janeiro 2026

FOGO MESQUINHO

Toma lá mais um pinguinho
É só riscar um pouquinho
E pegar fogo ao parquinho
Do meu maior padrinho.

Queimo tudo, sou mesquinho
Com o risinho mais sonsinho
Queimo cada ramo verdinho
Até não restar um coitadinho.

Estou farto de ser mansinho,
Vamos lá, sem nervosinho,
Acabar com todo o carinho
Destruir cada dia certinho.


Stranger Things — Volume 5

by Netflix

Stranger Things — Volume 5

de Duff Brothers

Os bons finais são coisas difíceis — especialmente com obras que ganham força num nicho muito próprio, como um que gosta de suspender a física da realidade e mergulhar em aventuras fantásticas e misteriosas, e se tornam numa série de massas, onde convivem fãs devotos e cinéfilos de olho apurado e excessivamente técnico.

Habituados a dissecar a vírgula de um diálogo ou incongruências científicas num universo com demodogs a raptar criancinhas para o Mundo Invertido, há alguns críticos que caem no erro do Crítico de Ratatouille (se ainda não viram, vejam…). É só o que posso dizer acerca das críticas negativas a esta temporada de Stranger Things — que chegam ao ponto de dizer que há demasiados episódios quando, na verdade, os verdadeiros fãs não queriam que ela acabasse nunca.

Vejamos: o enredo fecha o ciclo de todas as personagens importantes da série (e só são 15!!!), nomeadamente o grupo dos adultos, o grupo dos jovens adultos e o grupo dos miúdos. Não destaco nenhuma destas personagens porque todas brilham. A história encerra com um vilão poderoso, com uma ameaça real e desenlaça com respeito pelas personagens, despindo-se com emoção conforme ditam as regras das despedidas.

Compreendo a desilusão sobre uma vilã, mas o ponto principal relativamente a esta antagonista não era o de ter impacto. Era mostrar que há sempre mais um Brenner ou mais um general pronto a assumir o comando de uma organização sem escrúpulos.  Havendo um erro propriamente dito, talvez tenha sido no casting de um nome como Linda Hamilton (sim, a Sarah Connor) para um papel pequeno e executado sem grande mestria. Mas creio que é tudo quanto de negativo tenho para dizer sobre esta temporada.

Há regresso nostálgico às origens da primeira temporada, há paralelismo, há conflito, há música, há aventura, há drama, há perigo, há romance, há slowburn mistery e, por fim, há um desfecho emocional com o seu toque de agridoce para o temperar na perfeição. Quanto ao divisivo fim de Eleven, é o final perfeito para legar aos fãs, especialmente à luz de um jogo tão importante para a série como Dungeons & Dragons.

Aproveitando aqui para falar sobre toda a série, tivemos uma primeira temporada cheia de mistérios por desvendar e um núcleo de personagens muito próprias; uma segunda e terceira de investimento no desenvolvimento das personagens e das suas relações; uma quarta temporada de resistência e sobrevivência, servindo de prelúdio para a fantástica e última temporada de uma série que ficará no coração de todos que ainda se permitem a suspender a realidade e acreditar que podemos ser heróis e derrotar todos os vilões do universo, mesmo que por um dia.


PAREDE BRANCA

Há uma parede branca
Na minha mente ínvia
Donde não se arranca
Uma única ideia luzia.

É melhor que a tranca
Sombria que nos esfria
Esta textura alva franca,
Mas dá na mesma azia.

Era bom pintá-la de flamas,
A mente cheia de chamas,
Ideias ardendo como ramas,

Urdindo enredos, vis tramas
E reviravoltas sem escamas
Entre grandes heróis e damas.


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