Daily Archives: Novembro 15, 2021

Ciclo da Raiva

Dentro do plano terreno,
Este jovem rapaz moreno
Tenta caminhar sereno
No encalço do Nazareno.

Mas nem é preciso murro,
Basta um golpe casmurro —
Uma resposta de um burro —
E logo, logo cheira a esturro.

Fixa-se a vista incandescida,
Ferve a têmpora enfurecida,
Levanta-se a VOZ enrubescida,
E explode uma disputa retorcida.

Em nada ajuda, mas nada muda!
Deus Nosso Senhor nos acuda,
Que esta raiva é mesmo bicuda!
Felizmente, alguém diz: Caluda!

E se veio a ira para ser demorada
Logo, logo se vai numa baforada;
Já a alma, para sempre em corada
Lividez, envergonha-se da bacorada.


Trovãozinho

Ainda não te vejo, meu filho
Escondido, quentinho e aninhado,
Mas já te ouço querendo sarilho,
Revolvendo-te desavergonhado,

E lutando para merecer o brilho
Solar deste mundo desalinhado,
Já te ouço, no suave estribilho
De um trovoar mais assanhado.

Teu coração, nunca mansinho,
Vai batendo de trovãozinho
Em trovãozinho, meu bebezinho,

E a tua mãe e eu, de sorrisinho
Em sorrisinho, beijinho em beijinho,
Juramos que nunca ficarás sozinho.


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