Quer provar que está vivo?
Então estenda o pulso e permita que o testem.
Se não se ouvir nada, das duas uma: ou está morto ou está muito próximo disso…
Portanto, hoje é inegável que o ritmo cardíaco prova uma boa parte da vida existente.
E aqui, no presente, cumpre questionar o próximo passo do estágio evolutivo.
No futuro, dará o BEEP lugar apenas ao BIT? Não sei. Há quem diga que os seres de carbono e água se encontram condenados a desaparecer, por mais que resistam. Será isto verdade? E o que nos sucederá depois se assim for?
O que acontece a uma comunidade cuja unidade estrutural é o chip ao invés da célula? O que acontece a um mundo destituído do bater orgânico dum coração? Que bicho-máquina será esse com entranhas percorridas pelo som duma corrente gerada por uma bateria? Terá pulso? Dará a mão a terceiros? Terá prole? Bastará a dicotomia do 0 e do 1 para corrigir os problemas que hoje atingem uma sociedade cujas decisões se baseiam primeiramente no emocional ao invés do racional? E que problemas daí advirão?
Todo modo, auscultando o coração e surgindo este familiar som pulsante, não posso deixar de antever que tal fará muita falta. A extinção dum som tão essencial e primordial como o das regulares palpitações do coração será sempre uma perda irremediável e nem mesmo a sua memória digital (como a que nos chega de Beethoven ou Mozart) lhe fará justiça.
Portanto, enquanto o BIT-BIT-BIT não chega, é melhor aproveitar o que de mais primevo temos: o ritmo cadenciado do nosso coração.