Nenhum ser humano prescinde da liberdade de ânimo leve. A tão almejada liberdade está para lá dum mero direito fundamental. A par do oxigénio, da água, da comida e do calor apresenta-se como uma necessidade básica a satisfazer e a cultivar diariamente – quer na sua vertente relativa ao poder de fazer algo, quer na sua vertente mais inteligível e espiritual.
A escravidão é proibida por isso mesmo: um ser humano privado de liberdade vê a sua humanidade esquartejada. Fica ainda mais incompleto e imperfeito do que já o era. Por outro lado, o analfabetismo e a desinformação: dois alvos igualmente a abater. Gente inculta e por esclarecer facilmente se deixa manipular e condicionar por dogmas de todo o tipo – já que há gente que quer acorrentar pensamentos e não prender apenas corpos.
Olhando então para este meu exílio autoimposto e para esta reclusão dentro de quatro paredes, o que tenho? E o que me faz realmente falta?
A primeira resposta é simples: tenho tecto, tenho internet, tenho eletricidade, tenho gás, tenho comida, tenho água (e papel higiénico…) e tenho saudáveis as pessoas de quem realmente gosto. Agradeço esta última sorte à providência divina.
Quanto ao que me faz falta: respostas. Quando é que isto acaba? Quando é que posso sair de casa sem ter medo do que não vejo? Quando é que posso passar por um campo verde e inspirar fundo sem receios de ser contaminando por um estranho bicho nanométrico? Quando é que posso voltar a beijar quem quero beijar e a abraçar quem quero abraçar sem receio de lhe estar a fazer mal? Quando é que este medo passa? Quando é que a liberdade de que abdiquei em prole da saúde pública volta? Quando é que recupero essa liberdade que tinha?
Está a demorar bastante, e é preciso coragem para resistir.

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