Category Archives: Distopia

Altered Carbon

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by NETFLIX

Altered Carbon

De

Laeta Kalogridis

(1ª Temporada)

Baseado no livro com o mesmo nome, de Richard K. Morgan, esta série pescou-me logo pelo trailer. Depois, como se não bastasse a qualidade do trailer, tem um genérico do melhor que há. Dá-nos logo a ideia que esta série tem várias camadas, algumas artísticas, algumas negras e outras quase venenosas.

Passando ao enredo em si, a premissa da primeira temporada é muito simples: Num futuro em que os corpos são temporários e as almas das pessoas estão anexas a um disco que se insere na coluna, Takeshi Kovacs, um antigo Emissário (um soldado revolucionário), é trazido de volta ao mundo para solucionar o mistério do assassinato do seu próprio empregador. Simples e cativante, é preciso mais?

Quanto às personagens, o destaque principal vai para os vários actores encarregados de interpretar o protagonista Takeshi Kovacs. Claro que os actores Joel Kinnaman (na sua melhor forma depois de Robocop) e Will Yun Lee (sempre competente) têm o maior destaque, mas é claro como a água que também o miúdo Morgan Gao e o veterano Byron Mann se destacam; todos na pele do mesmo personagem. Maravilhoso…

Em termos de personagens secundários, destaque para a linda Martha Higareda a desempenhar o papel da sua carreira: Kristin Ortega, a corajosa e desbocada detective que tem o mundo inteiro contra si, mas que lá se vai aguentando como pode.

Quanto aos demais personagens, é melhor ficar por aqui sob pena de comprometer a história.

Mais, se Richard K. Morgan merece um honradíssimo destaque pelo mundo criado, há que dizer que Laeta Kalogridis não deixou nada por fazer.

Em termos visuais, quase parece que estamos perante um filme de Hollywood. As ruas da cidade, o submundo corrupto, o céu conquistado até às nuvens e mais além! Tudo espectacular!

E depois temos as perguntas inerentes ao mundo com as características de um mundo em que as pessoas têm a possibilidade de ser imortais; tudo a adensar ainda mais o enredo.

Concluindo, a primeira temporada de Altered Carbon é uma obra-prima da televisão e recomendo-o vivamente a fãs de Ficção Científica.

 


Admirável Mundo Novo

Admirável Mundo Novo

de

Aldous Huxley

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by ANTÍGONA

Depois de ter ficado algo traumatizado com a distopia de George Orwell, o célebre 1984, decidi arriscar-me com Aldous Huxley no seu Admirável Mundo Novo e, tenho que dizer, o resultado foi inesperado para mim, ainda que em muito semelhante ao que me sucedeu com Orwell.

Primeiramente, há que dar mérito à posição de Huxley relativamente ao futuro.

Ao contrário do seu aluno Orwell (que vai ao extremo de nos causar o pânico total dizendo que no futuro o Big Brother Estado será capaz, através da dor, do medo e do terror, formatar o Indivíduo quanto ao que sabe, quanto ao que pensa saber e até, pasmemo-nos, quanto ao que sente…), Huxley, em termos muito simplistas aqui aflorados, defende que para controlar o Indivíduo, especialmente a longo prazo e com custos orçamentais baixos, será necessário o absoluto controlo da génese embrionária do sujeito e o absoluto condicionamento do mesmo sujeito ao longo do seu desenvolvimento físico e cognitivo, formatando-o para aceitar o regime político vigente (Cheio de classes que vai desde os alfas-mais até ao quase-abortos epsilões…), ao estilo de vida querido pelo Estado (Consumam aquilo que quiserem, fodam aquilo que puderem, mas tudo sem amor e sem famílias…) e a toda a ideologia que lhe está subjacente (“Nosso Ford…”, “Meio grama de soma…”).

Segundo ponto, o mundo “utópico” criado pelo Autor. É certo que nos arrepia um pouco aquelas fábricas de alfas-mais, de betas-menos e de deltas-caquis, mas, a meu ver, o Autor esmera-se por narrar tal civilização com toda a simpatia que um felizardo pai descreve um filho; algo que se revela essencial para percebermos que, ainda que nos cause estranheza, o Brave New World é um sítio onde impera uma total felicidade, ainda que forçada.

Todos são felizes nesse mundo…

Bem, todos talvez não!

Como mais tarde na história se verá, há um trio de personagens (apenas simpatizei com duas…) que, por variadas razões, prefere ser um liberto infeliz ao invés de um espécime condicionado feliz.

Terão feito a escolha certa?

É algo que apenas os leitores poderão responder.


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