O Rei de Espinhos
de Mark Lawrence
Continuando a história de Jorg Ancrath, agora rei, o Autor decidiu pôs os capítulos de breves analepses de parte e escolheu dividir a narrativa em três: o passado de aventuras na estrada de Jorg, o presente de Jorg ameaçado por uma invasão impossível de ser vencida e, num registo mais epistolar, a vida de Katherine na corte de Ancrath e da Flecha. E tudo converge, de forma absolutamente deliciosa, para um momento muito pragmático à Indiana Jones.
Com as tiradas cínicas a continuarem, o ritmo das narrativas, os tiques-taques narrativos e os ganchos são alucinantes. Ainda não consegui perceber de qual das narrativas gostei mais, mas sei que não me aborreci com o facto de andarmos a deambular pela estrada do passado de Jorg e isso diz muito quando, normalmente, aquilo que se quer sempre é conhecer o futuro das personagens e não tanto o seu passado. Execução fenomenal.
Não abordei isto na crítica ao primeiro livro, mas faço-o agora: os verdadeiros inimigos de Jorg vão-se acumulando quanto à corrida ao trono imperial, mas nada demais especialmente quanto aos magos (a parte menos trabalhada da história).
Por outro lado, nunca tinha sido confrontado com um antagonista tão bonzinho como Orrin, Príncipe da Flecha. Isto sim foi inverter o tropo: nós a puxar pelo vilão contra o inimigo carregado de tudo quanto é valor luzidio e humano. Mas ver o mundo pelos olhos de Jorg deixa-nos assim. Puxa pela nossa parte mais cruel. Venha o terceiro e final livro do Império Quebrado.
