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O Diabo, o Relojoeiro e a Máquina dos Sacrifícios

O Diabo, o Relojoeiro e a Máquina dos Sacrifícios

de Michael Marshall Smith

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by TOPSELLER

Ao contrário de muitos títulos traduzidos que ficam aquém do título original, creio que bem esteve o Tradutor, nesta tradução em particular, ao perceber que dificilmente venderia em Portugal um livro com o título Hannah Green and Her Unfeasibly Mundane Existence (algo como Hannah Green e sua Inevitável Existência Mundana). O título português é inexoravelmente mais chamativo ao mesmo tempo que mais revelador. É uma história fantástica sobre o Diabo, tem um relojoeiro e tem uma máquina dos sacrifícios. Como é que isto tudo se conjuga? Leiam!

Parabéns ao Tradutor!

Já quanto ao trabalho de revisor, há bastantes gralhas.

Enfim, debruçando-nos sobre a obra, e sobre o enredo em si, releva-se que nos demoramos a lá chegar. Contudo, a brevidade e precisão dos capítulos, bem como o que por eles vai decorrendo, mitiga a tardia conclusão do introito da história. Aliás, sem a apresentação das personagens da forma como são apresentadas dificilmente seríamos levados a sentir empatia por elas, especialmente por Hannah, pelo relojoeiro e pelo… Diabo!

Há, no entanto, uma grande crítica quanto à narrativa: a ausência de twists narrativos. Sabemos bem que uma história com poucas reviravoltas é uma história pouco rica; logo, uma história sem reviravoltas… é pobre, bastante pobre. Um ponto bastante negativo para quem, como eu, gosta de ser surpreendido.

Aproveitando este detalhe de maior importância, falemos de quem está sempre atento aos detalhes: o Diabo. Há uma clara convergência de mitos e provérbios na sua construção, desde a aparência de velho até ao mau-olhado que ele tem. Contudo, a sua missão difere bastante da missão monstruosa que a maior parte da doutrina religiosa lhe confere. Nas asas da moda (a série Lúcifer é disso exemplo…), o Diabo tem um papel mais importante do que a de mero Senhor do Inferno.

Por fim, quanto à escrita, e ressalvando que é sempre difícil apreciar a técnica dum Autor numa obra traduzida, há que dizer que o ritmo, os verbos e o tom da história servem os interesses desta, mas há algo muito pouco sedutor na voz do narrador. É-me difícil explicar (ainda que tente), mas a verdade é que não engracei com as mudanças súbitas de narrador de parágrafo em parágrafo. Tal opinião talvez se deva ao facto do narrador omnisciente ser uma ferramenta difícil de utilizar nos dias que correm…

Finalizando, é um livro para quem gosta de consumir Fast Books.

 


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