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O Homem de São Petersburgo

 

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by Editorial Presença

O Homem de São Pertersburgo

de Ken Follet

Ainda que nada tenha contra os autores de sucesso mundial, a verdade é que tardei em pegar no primeiro livro deste Autor. Havia sempre algo que me interessava mais. Todavia, releve-se, gostei desta obra. E sendo certo que continuarão a existir livros mais interessantes para mim, acho que talvez me arrisque a comprar mais um ou dois livros deste Autor cheio de sucesso.

Adiante, e começando pela escrita do Autor, a mesma é fluída (ajudando ao ritmo mais para o final…) e satisfaz-se com pequenas precisões etimológicas para descrever espaços, ambientes e costumes. Sendo um romance histórico, não precisa de longas descrições como é apanágio de alguns autores de romances históricos. É um ponto forte.

Ademais, o Autor apresenta-nos um enredo simples (o que gosto sempre): um aristocrata inglês com a missão de convencer o seu sobrinho, um príncipe russo, a formar uma aliança militar entre o Reino Unido e o Império Russo enquanto tenta ao mesmo tempo proteger este emissário dos planos assassinos de um misterioso anarquista russo, tudo nos meses que antecederam a Primeira Guerra Mundial (28 Julho de 1914 a 11 de Novembro de 1918).

Com mestria, o Autor transporta-nos (e este é um verbo bastante importante que uso poucas vezes…) para as ruas de Inglaterra, ainda incapazes de se aperceber do pesadelo que se aproximava, e aflora através do ponto de vista de quatro personagens os principais valores em confronto da segunda década do século XX bem como as correntes de pessoas que as seguiam: conservadores, moderados, anarquistas e sufragistas femininas.

Sem descurar tais correntes e muito menos o enredo, o mais importante talvez seja a forma como a obra nos mostra a facilidade de manipular a ingenuidade, mormente a ingenuidade aristocrática. Tabus, segredos e omissões levam sempre a desgraças. Uma mensagem forte e bem conseguida.

Por fim, a qualidade da obra é tanta que às tantas nos deparamos com uma personagem que espelha o carinho e a indecisão de qualquer leitor quanto ao valor dos dois homens que inevitavelmente terão de se enfrentar no decurso do enredo. Talvez seja subliminar, mas a verdade é que está lá e diferencia-a duma mera história.

Posto isto, é uma obra que aconselho. Foca-se num período histórico bastante importante para compreender a geopolítica dos dias de hoje, o enredo mantém-se sempre interessante e as mensagens que releva continuam actuais.

É um bom livro.


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