Oriundos lá do alto das nuvens
Rebuliçando sem sarrabulho
Há centenas de milénios de anos
Os engrossados choros dos céus
As cadentes lágrimas dos anjos
Soltam-se e logo se despenham
Ora em tempestades ora em temporais
Arrefecem o ar até este se resfriar
Apagam o que se chama de chama
Saciam a terra até esta se saturar
Engrossam a seiva das plantas
Engordam tanto meloas como melões
Enchem rios, lagos e bocas sedentas
Picam e repicam espelhos salgados
Revolteiam a casa das belas sereias
Despertam os tritões e seus tridentes
Limpam e varrem tudo o que é impuro
E molham! Ah, como molham…
