AWAY

AWAY

de Andrew Hinderaker

AWAy by Neflix

A nova série da Netflix tem um enredo simples: a tripulação da nave Atlas é lançada com a missão de alcançar a superfície de Marte. Contudo, engane-se quem pensa que isto é uma space opera ou uma mera série sobre as dificuldades de viver no espaço durante três anos. Mais do que uma mera epopeia realista sobre o maior desafio da humanidade desta era, estamos perante um drama familiar sobre astronautas e as suas famílias (recordando-nos o recente Ad Astra com Brad Pitt).

O maior destaque vai obviamente para a comandante Emma Green (grande papel de Hilary Swank a fazer lembrar Million Dollar Baby) e para o seu marido Matt Green (Josh Charles) que fica na Terra a lutar para ultrapassar um AVC e para cuidar da sua filha adolescente. Uma nota para Josh Charles que surpreende da forma como mostra alguém fragilizado fisicamente e tremendamente racional ao mesmo tempo que nos esconde todo o descontrolo emocional que lhe palpita interiormente. Tem, sem dúvida, o melhor desempenho de toda a série.

Contudo, e uma vez que o foco desta série são as personagens, importa relevar que todos os tripulantes do Atlas têm origens diversas, relações de relevo com personagens que ficaram na Terra, motivos e propósitos. Acima de tudo, têm força suficiente para, por si próprios, alcançar o inalcançável e criar laços empáticos com o espectador. Acabei de ver a primeira temporada sem um tripulante favorito.

Para além disso, a série apresenta em cada episódio um problema passível de acontecer durante a interminável viagem de três anos até Marte. Começa com o facto de vermos a sua comandante dividida entre o sonho de alcançar Marte e o desejo de ficar para cuidar do marido que sofreu um AVC; desenvolve algumas temáticas relacionadas com eventuais problemas mecânicos que podem surgir, problemas de ansiedade e de saúde (mononucleose e cegueira espacial) a bordo da nave a trinta e dois milhões de quilómetros de distância do hospital mais perto; não coloca de lado as questões políticas que diferenciam Oriente e Ocidente e, por fim, culmina com a maior força de todas para alcançar Marte: o binómio esperança e fé.

O último dos dez episódios, com a tensa chegada à atmosfera de Marte e consequente aterragem, constitui assim um clímax emocional ao nível apenas do reencontro entre pai e filha de Interstellar ou da chegada à Terra da astronauta de Gravity.

Aconselho vivamente.


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