Capitão América: Brave New World
de Julius Onah
A passagem do escudo a Sam Wilson foi algo controversa e mereceu uma série inteira sobre o tema (The Falcon and the Winter Soldier). A vilã fraquíssima desta série, porém, sabotou uma série com momentos tão icónicos como as trocas de galhardetes entre Sam e Bucky, o aparecimento das Dora Milage, a dança de Zemo ou o monólogo One World, One People.
Neste Brave New World, a Marvel Studios escolheu um pouco melhor os vilões, mas a execução deixou novamente a desejar, o que prejudicou o enredo. Não basta dizer que um vilão tem o poder da superinteligência e depois arranjar-lhe um objectivo tão básico como o plano dum vilão burro: sabotar um acordo e arranjar uma guerra mundial apenas para desacreditar o presidente dos Estados Unidos da América. Um vilão superinteligente tem de ser mostrado a ganhar uma e outra vez, uma e outra vez de forma brilhante até a margem de manobra do herói se limitar a ser apertar as alças do escudo e lançar-se contra um exército de extraterrestres.
Por outro lado, Steve Rogers teve inúmeros momentos no MCU que o solidificaram como O EXEMPLO a seguir. O episódio em que se atirou para cima duma granada para salvar os camaradas ou o seu momento de piedade no elevador indicou-nos que se tratava de alguém invulgarmente corajoso. Sam Wilson, por outro lado, passa o tempo todo em acrobacias, com monólogos genéricos e pouco engenhosos que só aprofundam as suas hesitações e as suas dúvidas quanto a estar à altura do seu antecessor. É como se os escritores tivessem medo de lhe adicionar camadas (a falta de um interesse amoroso, a falta da irmã nesta entrada…) e mostrar que Sam pode ser tão bom ou ainda melhor do que Rogers a salvar o mundo.
Quanto ao elenco adicional, Harrison Ford continua a mostrar porque é quem é. Foi fácil para ele fazer esquecer William Hurt no papel de General Ross, mesmo sem o bigode temperamental. Infelizmente, jamais alguém poderá interpretar um Han Solo ou um Indiana Jones com a mesma mestria ou carisma.
