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A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado

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by Bertrand

A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado

de Gonçalo M. Tavares

Sendo um confesso apreciador do Autor e um confesso apreciador de Fantástico, o novo universo Mitologias criou-me imediatamente curiosidade. Mais um autor português de renome a mergulhar no ilimitado mundo do Fantástico? FIXE!!! MUITO FIXE!!!

Assim, após uma longa espera, lá abri o referido livro.

Contudo, fechado o livro, surge aquela velha máxima: há livros melhores que outros. E no caso específico deste Autor a verdade é que o mesmo tem obras que me levam a pô-lo nos píncaros e outras em que um leve encolher de ombros diz tudo.

Ora, neste A Mulher-Sem-Cabeça e o Homem-do-Mau-Olhado a ideia do Autor é simplesmente contar histórias sem ligar ao fio temporal das mesmas histórias. Se começarmos a ler a história de trás para a frente, do meio para os lados ou se saltitarmos e voltarmos atrás, o resultado é mesmo. E, ás tantas, o resultado é algo como uma antologia de contos e nalguns destes contos (capítulos) coincidem de vez em quando personagens doutros contos (capítulos).

Personagens estas que, tirando o Homem-do-Mau-Olhado e o seu último capítulo, não nos deixam saudades.

Mais, nesta obra leis como “Se tirares a cabeça a alguém ela morre.” não existem e nenhuma explicação é dada (propositadamente). Aqui, o interesse é não explicar nada, é não mostrar nada mais do que se mostra.

Acontecimentos, sem qualquer juízo valorativo, como o canibalismo, a revolução ou o julgamento são-nos apresentados em bruto, sem edição. Lá está, agora cada um que pense por si no que viu aqui acontecer e no que acha que aconteceu ao que não viu acontecer.

Penso que o Autor não se importaria de definir assim esta primeira obra: espantem-se e pensem!

No entanto, achei muito pouco. É verdade que existem momentos bem construídos, como “Onde está o amor de uma mãe pelos filhos, no corpo ou na cabeça?”; mas, regra geral, a falta de uma linha de continuidade gera-me tédio. Não gosto de antologias de contos, especialmente antologias de contos sobre a mesma história.

É demasiado ensaio e muita pouca história.

Desculpa, Gonçalo M. Tavares; continuo a gostar da tua obra, mas deste não gostei.

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Crónica dos Bons Malandros

Crónica dos Bons Malandros
de
Mário Zambujal

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By Clube do Autor

Findada a leitura de mais um presente de Natal, dei por mim a querer a sequela deste livro. Bem sei que não a há, não foi escrita, mas não me importava que a malandragem continuasse.

Não sei quanto aos outros países,  mas nós, portugueses, adoramos malandros. Adoramos e cultivamos a malandragem. Se um garoto for interessado, inteligente e intelectual, tudo bom; mas se ele for traquinas, desembaraçado e levemente sacana, tanto melhor!

É o que se passa com este livro, cheio de personagens malandras quanto baste. Têm todos uma alcunha, têm todos um passado de malandragem e têm todos um plano para o futuro que desde logo se adivinha trágico.

Depois há as pérolas humorísticas do Autor. Desde a mais subtil até à mais ordinária, o próprio narrador parece divertir-se tanto quanto nós a contar a história destes bandidos.

Não me admira, portanto, que mesmo com a leveza narrativa com que conta a história (não há lugar a muitos floreados artísticos nem a densos pensamentos) o Autor nos tenha dado um livro que bem podia, e devia, ser apresentado nas escolas (mas só no 10º a 12º ano por razões óbvias…).

Era uma forma dos nossos meninos perceberem que ler é divertido. Neste caso, bastante divertido!


O Maior dos Presentes…

Olhando a árvore de natal:
Os enfeites, as luzes a piscar,
A estrela dourada e imortal
E até dos presentes a iscar,

Lembro-me muito, neste Natal,
Do teu beijo no meu mordiscar
E, mais que da tua beleza imortal,
Dos nossos mimos a namoriscar.

Depois penso: antes da cruz,
O Deus Menino chamado Jesus
Nasceu para o mundo duma Luz

Igual à nossa, dum amor entre entes
Que tornam noites frias em quentes
E cada beijo no maior dos presentes.


Em maus versos…

Cada passo meu é um verso,
Um verso frustrado, perverso
E, como tudo no meu universo,
Um buraco negro e adverso.

Olho o céu: “ajudinha, ajuda?”
Resposta: chuvada trombuda
Duma nuvem cinza e sisuda!
Enfim, posto isto, nada muda…

Não tenho um único diamante,
Azedo-me a beber espumante
E não, não tenho uma amante!

Será alarmante? Não sei, nada
Sei hoje desta jornada danada,
Cada vez mais puta e aputanada.


It – Chapter I

It

de Andy Muschietti

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by New Line Cinema

Ainda que atordoado com a péssima adaptação de The Dark Tower, o factor Stephen King (e os rumores de uma adaptação mais fiél…) levaram-me a dar mais uma oportunidade aos sacaninhas de Hollywood.

 

E pronto! Desta vez foi bom.

Eu, que me por norma fujo aos filmes de terror (temos que admitir que há muitos mais filmes de terror péssimos do que bons…), achei o argumento fiel ao original, ainda que com algumas mudanças desnecessárias, mas não desadequadas de todo. A cena inicial é fortíssima, o desenrolar flui a um ritmo agradável e o epílogo deixa-nos a ansiar por mais (talvez na semana seguinte, e não imediatamente a seguir… por causa dos problemas de coração!)

Quanto ao tom (leia-se sustos…), importa referir que It não é um filme de terror puro e duro. Tem uma componente dramática relativamente à maior parte dos personagens que integram a estória, tem uma componente cómica (ou não tivesse o filme palhaços…), tem uma componente mais sanguinolenta (o tal “gore”) e tem alguns momentos que nos levantam da cadeira (A mim só me levantou uma vez 🙂 , mas acredito que existam cenas capazes de levantar muitos mais rabos da cadeira…)

Quanto ao ponto forte: bons argumentos apresentam sempre boas personagens: há o palhaço (filho da puta, cabrão… e todos os nomes que me lembrei de lhe chamar quando o sacana me assustava…), os bullies (sendo um deles um completo sociopata…) e, como ex-libris, há o grupo dos Falhados: o gago (o centro da estória), o gordo (o culto), o caixa-de-óculos (o linguarudo…), o preto (o forte), o medricas (o amigo), o hipocondríaco (o esperto) e a moça abusada e cheia de “famas” (a rebelde).

Quanto aos efeitos sonoros, estão muito bem conseguidos (ou não fosse um filme de terror…) e as músicas que surgem servem apenas para prolongar os nossos medos ou convencer-nos do quanto os miúdos eram uns verdadeiros falhados.

Depois há aquela mensagem sublime: há que ter medo dos monstros, mas há que os enfrentar uma e outra vez até finalmente os vencermos…

Aguarda-se o capítulo 2…

 


Pesares

Sinceramente, não sou daqueles enlutados momentâneos que choram no dia a morte da vedeta que nunca conheceram e a veneram para o resto da vida. Sou um tipo comedido e, ainda que respeite bastantes nomes, não venero ninguém. Recuso-me a venerar alguém…

Coisa diferente é o luto e o pesar pela morte de um dos meus artistas favoritos.

A vida foi madrasta para Chester Bennington (1976-2017) e levou-o a um último acto trágico. Alguns dirão que é preciso ser muito fraco para simplesmente perder a vontade de lutar, outros dirão que pôr fim à própria vida é o acto mais corajoso que alguém pode cometer. Sinceramente, eu não sei onde colocar-me nesta questão. Digo apenas que a vida é mesmo, por vezes, uma grande filha da puta…

Aqui chegados, resta-me apenas desejar-lhe o merecido e ansiado descanso, desejar força à sua família e resta também lamentar-me não me ter baldado a um exame qualquer para ir assistir ao concerto dos Linkin Park nas últimas vezes que eles cá estiveram em 2012 e 2014.

Como se costuma dizer, só nos arrependemos do que não fazemos…

Descansa em Paz, Chester…


De que é feito o mundo?

O mundo é um rochedo redondo, com coração de ferro fundido e amalhado num cobertor de água azul brilhante, onde existe vida. Até aqui é uma coisa simples, quase onírica. Até nos vem à cabeça o paraíso…

O problema é quando pensamos de que são feitos os conceitos que moldam o nosso mundo como, por exemplo, os países, as nações, as organizações internacionais, as organizações não governamentais e as organizações privadas como as empresas e os grupos empresariais.

Muitos dirão que são conceitos complexos, que englobam grandes universalidades técnicas como capitais, serviços, orçamentos, direitos, deveres… blá, blá, blá!!!

Vamos descomplicar: o mundo é feito de pessoas.

São as pessoas que agem e reagem neste mundo.

Assim, desculpas esfarrapadas como competências e funções, como sistemas e como problemas técnicos mais não representam do que problemas de pessoas. Ora por erro, ora por dolo, ora por omissão, são as pessoas que falham e prejudicam… outras pessoas.

Igualmente, são também as pessoas que amam, ajudam e cuidam de outras pessoas…

E porque falo nisto?

Porque ultimamente têm sido demasiados os casos de omissões de funções e competências e dos casos de refúgio nos problemas técnicos.

Ardeu uma aldeia inteira e morreram famílias. Sabem o que aconteceu? GNR diz que a responsabilidade não era dela, bombeiros falam na falta de meios, políticos dizem que vão apurar de quem é a responsabilidade…

Idem para o caso “Tancos”. (Neste aqui só faltava terem roubado um tanque de guerra para o meu orgulho nacional ficar ainda pior. )

E agora os idiotas dos deputados que vão representar Portugal ao Euro 2016 e aproveitaram para ver um jogo de futebol… tudo limpo, tudo tranquilo e tudo constituído arguido. E de quem é aqui a responsabilidade? Dos portugueses que os elegeram…