O Rochedo

Um rochedo de pedra chorava
Baixinho, como um passarinho,
E o seu corpo firme fendia-se
Por não haver outro caminho.

Lá em baixo, naquele vale ermo,
Sem termo e enfermo, só os ventos
Se escutavam remoinhando tristes
Soprando para o deitar abaixo.

E os uivos do vento, uivos alobados,
A quebrá-lo a ele, inabalável penedo,
Com um profundo e sólido medo:
Virar um grão de areia muito cedo.

 

 

 

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