Passos, passos e passinhos…

É certo que os grande passos da nossa vida acontecem pouco mais que umas cinco vezes em média. O primeiro passo trata-se efectivamente dum berreiro inconsciente à procura do primeiro fôlego, o segundo passo talvez nos suceda num pequenino primeiro beijo com aquela rapariga que jamais esqueceremos, o terceiro talvez ocorra entre o fim da mocidade e o início do mundo adulto, o quarto vem com um novo berreiro carente de oxigénio que nos faz prometer deixar de vez os vícios da adolescência perante o valor família e, finalmente, o quinto passo quando fechamos os olhos para aquilo que espero ser um merecido sonho eterno.

Entre esses grandes passos há outros, não tão quintessenciais, mas, ainda assim, bastante importantes. E um desses passos bastante importantes acontece efectivamente quando alcançamos o pequeno sucesso de acabarmos finalmente a nossa vida académica (Foda-se, ’tá feito!!!). Após vinte anos de pestanas queimadas, reflexões assustadas e permanentes dúvidas sobre o que fazer com essa porcaria do que é o meu suposto futuro e mais uma data de recursos alocados entre refeições na escola, mensalidades na universidade e propinas de ordens profissionais, está feito. (Foda-se, ’tá mesmo feito!!!)

Sou hoje o que lutei por fazer de mim e isso ninguém me tira!

No entanto, chegado aqui, e suspendendo por um momento as dúvidas incessantes sobre o que fazer a partir daqui, cumpre-me olhar para estes meus pés relativamente exaustos e recordar, não só os grandes passos que já dei, mas também aqueles passos preguiçosos e pequenos que tanto me custaram a dar. Ora por estar demasiado cansado ora por estar demasiado abatido com uma rotina infinita que às vezes me pareceu incapaz de trazer frutos, houve dias em que lutei quase com a vida para sair da cama, pousar os pés no soalho gelado, engolir o pequeno-almoço, apanhar a chuva invernada daquelas nuvens filhas da puta e sentar o traseiro nalguma cadeira desconfortável durante horas a fio para fazer o que tinha para fazer (ou desfazer) naquele dia.

Enfim, é hora de agradecer devidamente. É hora de massagear bastante bem os calcanhares, as palmas-dos-pés e os importantíssimos dedos mindinhos destas patorras (e talvez sarar também os calos com aquela porcaria do Protex Creme que as pessoas tanto gostam…). E é hora de prepará-los para os pequenos passinhos do caminho que se segue até ao próximo grande passo (leia-se: ganhar uns guitos, arame, paca, prata ou pilim…).

É que na verdade, seremos sempre uns meros caminhantes com passos dados e por dar…

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